Por Palmira F. Silva | Quarta-feira, 19 Agosto , 2009, 13:39

O Enviesamento de confirmação (confirmatory ou confirmation bias) é o tipo de pensamento selectivo que caracteriza aqueles que têm  tendência para procurar informação que confirme a sua opinião já formada e ignoram tudo o que contradiga essa opinião.  Esta tendência, já descrita no século XVII por Francis Bacon, o «pai» do método científico moderno, é alternativamente designada por Demónio de Morton, um «demónio que é melhor que uns óculos de lentes cor de rosa» e faz as pessoas por ele possuídas «sentirem-se moralmente superiores».

 

Este demoníaco enviesamento de confirmação tem dois corolários, a perseverança das crenças (belief perseverance) e o efeito primeira impressão ou regra dos 15 segundos, como foi baptizada pelo perito em marketing e comunicação  Michael Shea. A conjugação de ambos tem como resultado que, na «Guerra pelas nossas mentes», a aposta na imutabilidade das primeiras impressões sobre um determinado assunto é uma das 22 leis, também imutáveis, do marketing. 

 


Por Hugo Mendes | Terça-feira, 11 Agosto , 2009, 00:18

O Diário Económico publicou esta segunda-feira uma entrevista com José Gil, um dos "25 pensadores sistemáticos mais importantes de todo o mundo", como lembra a entrevistadora. Aparentemente, José Gil lançou recentemente um livro intitulado "Em busca da identidade, o desnorte".

 

A frase escolhida como título da peça no interior do jornal é esta: «O chico-espertismo é uma característica de Portugal». Depois de ler a entrevista, sai reforçada a ideia que tinha do autor. Pode ser um filósofo extraordinário, mas diz coisas sobre a sociedade portuguesa que são verdadeiras banalidades, no melhor dos casos, e preconceitos preguiçosos, no pior.

 

Todo o discurso sobre o "chico-espertismo" é verdadeiramente espantoso. Porque a entrevista não está on-line, vale a pena transcrever um excerto:

 

«P - É difícil crescer em Portugal?

R - Não há estímulos exteriores. O Nietzsche fala dos "pequenos prazeres", termo que se aplica a nós. Gostamos do lazer, o que é bom porque não sofremos o 'stress' do trabalho. Mas porque é que os portugueses gostam tanto da inércia?

 



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