Por Eduardo Pitta | Quinta-feira, 24 Setembro , 2009, 16:53

Quando Manuela Moura Guedes foi afastada do Jornal Nacional, Pacheco Pereira protestou. Fez bem. O afastamento da apresentadora era um sinal claro de “asfixia democrática”, disse.

 

A semana passada, o Diário de Notícias divulgou os contornos de uma cabala política, com epicentro na Casa Civil do Presidente da República, visando desacreditar o governo. O assessor responsável (o silêncio do PR cauciona o raciocínio) foi demitido. Pacheco Pereira desafiou o Chefe de Estado a explicar-se antes das eleições. Fez bem. Afinal de contas, o silêncio autoriza as piores suposições. E contaminou a campanha eleitoral.

 

Não contente, Pacheco Pereira descobriu uma Operação Diário de Notícias. O DN é acusado de enfraquecer o Presidente da República e de violar todas as regras do jornalismo: «para obter um efeito político deliberado [o DN] cometeu vários crimes».

 

Não é extraordinário? E eu a pensar que Pacheco Pereira era um defensor acérrimo do tipo de jornalismo que justamente celebrizou Bob Woodward e Carl Bernstein. Enganei-me. Do lado de cá do Atlântico o escrutínio independente é crime. É pena.

 

 


Por João Paulo Pedrosa | Sábado, 19 Setembro , 2009, 01:05

Depois de Moita Flores ter dado o seu apoio a José Sócrates, Pacheco Pereira não descansou enquanto não o afastou da corrida a presidente da Câmara de Santarém. Como isso não é possível nos termos legais, Pacheco Pereira recorre à pressão sobre os media. E não é que resultou!

 A Agencia Lusa, pressionada, acaba já de anunciar que Pacheco Pereira é candidato do PSD a Presidente da Câmara de Santarém.  

Tal como Pacheco, também "é com muita preocupação que vejo o ambiente que está a ser criado à volta dos órgãos de comunicação social que ousam criticar Pacheco Pereira".

 

 


Por João Galamba | Quinta-feira, 10 Setembro , 2009, 13:15

Pacheco Pereira está enganado. O novo crime não é ir à Madeira. O "Crime" (a escolha de palavras de Pacheco Pereira é todo um programa) consiste em ir à Madeira  e dizer o que Ferreira Leite disse — e que, ontem, voltou a dizer — sobre asfixias democráticas, as de cá (tenebrosas) e as de lá (fantasiosas). "Crime" é branquear a forma como Jardim usa (e abusa) do poder na Madeira só porque isso pode dar uns votos. "Crime" é sacrificar "a Verdade" ao calculismo político mais rasteiro e oportunista. "Crime" é confundir democracia com voto popular. "Crime" é pôr em prática a teoria populista defendida por Isaltinos e Valentins de que a justiça é o voto do povo e de que, mais do que a lei, interessa o que as "pessoas sentem". "Crime" é Ferreira Leite dizer que o Governo de Jardim é um modelo a seguir. "Crime" é brincar com os Portugueses acenando com fantasmas irresponsáveis (cá) quando na Madeira há tiros a zepelins, seguranças privados que impedem deputados democraticamente eleitos de entrar no parlamento, atropelos aos legítimos direitos da oposição no parlamento e quejandos. "Crime" é o branqueamento do PR e do PSD aos despautérios de Jardim. "Crime é Ferreira Leite ter encenado um embuste retórico com um único objectivo: a conquista do poder. Já agora, Crime (sem aspas) é quando você acusa, difama e calunia sem provas. Já pensou nisso, Pacheco Pereira?


Por Hugo Costa | Domingo, 09 Agosto , 2009, 10:41

 

As listas do PSD estão fechadas. Pacheco Pereira é o cabeça de lista do distrito de Santarém. Desta forma importa ver afinal o que o fim da sua reforma política (com direito a subvenção vitalícia) traz ao debate das legislativas.
A certeza de um espírito a roçar o estalinismo é expectável. Pacheco Pereira é conhecido pela pouca solidariedade para quem não está do mesmo lado, mas mais importante é ver as posições daquele que já foi cabeça de lista de distritos como Aveiro e Porto. A minha primeira análise vai para a sua total insensibilidade social, posteriormente (em outros posts) irei analisar outros pontos de vista de Pacheco Pereira. Em 2001 referindo-se ao Rendimento Mínimo Garantido disse:
“Um governo corajoso devia acabar com este no primeiro dia da governação”
O Rendimento Mínimo Garantido foi uma das medidas sociais mais importantes adoptadas na História da Política Social Portuguesa, obtendo claros resultados na diminuição das desigualdades sociais, aproximando os 10% mais ricos dos 10% mais pobres. O Rendimento Mínimo Garantido ao longo dos anos tem permitido a resolução de problemas de pobreza extrema e capacitação para a emancipação social. Este instrumento tem como principio o direito à subsistência em padrões mínimos. Não sendo factor de exclusão o motivo ou a inexistência de anteriores contribuições para o sistema público de Segurança Social.
De referir que Portugal foi o penúltimo país da União Europeia a seu tempo, a adoptar a resolução de 1992 do Conselho de Ministros da União Europeia sobre a matéria de onde cito a explicitação dada ao mesmo apoio social “ o direito fundamental dos indivíduos a recursos e prestações suficientes para viver em conformidade com a dignidade humana.”
 
É esta a insensibilidade social que graça nas listas do PSD de Manuela Ferreira Leite. Pacheco Pereira representa aquelas pessoas que pelo seu nível de rendimento se esquecem de quem está abaixo dos níveis mínimos da dignidade humana, utilizando o populismo fácil para arrastar votos. O Rendimento Mínimo Garantido só pode ser considerado uma má medida por quem nunca precisou de um “empurrão” na vida para conseguir viver de forma digna. Como com todas as políticas sociais, não são os abusos que fazem de uma medida socialmente justa, uma má medida.

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