Por Paulo Ferreira | Sábado, 05 Setembro , 2009, 03:32

Cavaco Silva disse ontem que "espera" que a liberdade de expressão não tenha sido posta em causa no caso do cancelamento do Jornal Nacional de Sexta apresentado por Manuela Moura Guedes.Concordo absolutamente.É raro. Normalmente discordo, quer das suas afirmações dúbias e passíveis de interpretação custom made, quer dos seus silêncios estratégicos em relação, por exemplo, ao Presidente do Governo Regional da Madeira.

 

Tendo em conta a gestão da relação custo/beneficio eleitoral para o PSD, Cavaco Silva esperou para ver como sopravam os ventos e onde caiam os estilhaços do "suponhamos" do seu funcionário em relação a uma suposta vigilância realizada aos assessores, que foi capa do Público, da brincadeira do "diz que não disse mas mandou alguém dizer" de Alexandre Relvas, da manhosa gestão do cancelamento do show de variedades de Manuela Moura Guedes e da patética carta anónima acerca do primo gordo de José Socrates.Sopraram mal os ventos para as flores de estufa do Palácio de Belém, veremos onde acabam os estilhaços...

 

O "suponhamos" do funcionário da Presidência foi de tal forma ridículo que se resumiu a "sensações", as mesmas irresponsavelmente assumidas pela pupila do Sr.. Silva.A estória da pseudo-pressão de há um ano atrás que agora o empresário/politico social democrata Alexandre Relvas tentou mandar para o ar através de um advogado morreu à nascença.A telenovela MMG teve mais um capitulo burlesco em que a influência do PS é comprovadamente nula (apenas tendo a perder com este desfecho!).A carta do primo gordo de JS deve ter sido feita à pressa e sem a assessoria de inspectores da Judiciária (ao contrário da carta anónima de Zeferino Boal resultante dos repastos da Aroeira) pelo que se revelou de eficácia nula.Posto isto, Cavaco Silva falou finalmente mas sem contextualizar devidamente a mensagem que pretendia passar.

 

Eu posso fazer de Pacheco Pereira por breves linhas e enquadrar melhor as palavras do Sr Presidente. O que Anibal Cavaco Silva quis dizer foi "que espera que a liberdade de expressão não tenha sido posta em causa no caso do cancelamento do Jornal Nacional de Sexta apresentado por Manuela Moura Guedes da mesma forma que foi aquando da mordaça que Manuela Ferreira Leite colocou a todos os professores quando era Ministra da Educação e quando Marques Mendes fazia os alinhamentos do Telejornal da RTP com José Eduardo Moniz".

 

Adenda - À luz das declarações de Miguel Pais do Amaral e Paulo Simão poderemos também facilmente concluir que o ambiente dentro da TVI ainda com José Eduardo Moniz e esposa ao volante não seria perfeitamente idilico.Seria por isso que MMG dizia que "era preciso serem muitos estúpidos", referindo-se à administração da Media Capital, para a retirarem do ar?E quando é que poderemos ver então "a tal peça" sobre o Freeport?Estou mesmo ansioso..

 

em estéreo aqui


Por João Paulo Pedrosa | Sábado, 05 Setembro , 2009, 00:51

Não há um único desmentido das notícias que fizemos.

[Manuela Moura Guedes, DN, hoje]

 

O director da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, revelou hoje à Agencia Lusa que o conteúdo da carta anónima que implica (mais) um primo de José Sócrates na entrega de subornos para obter o licenciamento do Freeport é destituído de fundamento, pelo que irá ser aberto um inquérito para averiguar um crime de denúncia caluniosa e os seus autores.

[Jornal Expresso, on line]


Por Ana Paula Fitas | Sábado, 05 Setembro , 2009, 00:49

A mais recente polémica contra o Partido Socialista foi, mais uma vez, levada a cabo através de acusações ao Governo de José Sócrates, sugerindo e explorando a hipotética ingerência do Estado na Administração de uma empresa... seria mais um ataque grosseiro, daqueles que configuram a habitual falta de ética e de ponderação, não fosse tratar-se de uma empresa de comunicação social com dimensão nacional, mais ainda, caracterizada pelo protagonismo de Manuela Moura Guedes que, em nome do jornalismo, promove a divulgação de factos e associações de ideias sem comprovação prévia, assentes em especulações que não atendem sequer ao princípio da presunção de inocência, dando voz à sua opinião num espaço que, em horário nobre, se anuncia e apresenta como espaço informativo. Uma alteração na grelha informativa que anuncia pretender homogeneizar a linha editorial da edição dos serviços informativos da hora de jantar, levou ao afastamento da jornalista que protagonizava o programa que ocupava esse horário às 6ªs feiras. O caso, levado a extremos que nele viram a intervenção ibérica de um poder supra-nacional, a interferência político-partidária dos socialistas luso-espanhóis e, como tentou dizer Mário Crespo a Azeredo Lopes, um reflexo da propalada "asfixia democrática>" enunciada pela líder do PSD (sem sucesso, diga-se em abono da verdade, porque Azeredo Lopes se recusou a comentar uma expressão utilizada em campanha por um partido político), talvez se resuma ao que bem sintetizou, com a habitual clarividência, Óscar Mascarenhas, que nele vislumbrou o possível "braço-de-ferro" entre Manuela Moura Guedes e o Conselho de Administração da TVI... porque, como bem lembrou o reputado jornalista e académico, reconhecido pelo seu trabalho sobre ética e deontologia, Óscar Mascarenhas, a jornalista pertencia ao núcleo de confiança dessa Administração e não é suposto vir chamar "estúpidos" aos que a pretendiam retirar do "ecrã" se não existisse um precedente conflitual em que Moura Guedes perdeu um grande aliado, a saber, o seu próprio marido... Não permitir que a dimensão política se reduza a questões domésticas e de gestão empresarial é também um sinal de maturidade democrática... por isso, esperemos que os partidos e os comentadores saibam distinguir, com discernimento e distanciamento, o trigo do joio, e não se deixem tentar até à exaustão, pelo sensacionalismo gratuito e especulativo... em detrimento do debate político nacional.

(Este texto foi também publicado no A Nossa Candeia e Público-Eleições 2009)


Por Leonel Moura | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 22:03

A história da TVI não pode deixar de ter consequências. A partir deste episódio jornalistas, comentadores e órgãos de informação têm de passar a declarar as suas opções partidárias ou, no caso, a sua assumida e comprovada independência. Realmente escandaloso é ver comentadores, jornalistas, jornais, televisões e outros meios de comunicação fingirem que são isentos quando na verdade estão em permanente campanha. Porque se Manuela Moura Guedes e a TVI tivessem assumido que são a favor do CDS e do PSD e usam a informação para combater o PS, não haveria qualquer problema. Acontece em Espanha, acontece nos Estados Unidos, acontece noutros países.

Portugal entrou definitivamente no terreno do nefasto conluio entre política e informação. É preciso introduzir alguns mecanismos de esclarecimento. A declaração de interesses é não só fundamental do ponto de vista ético e político como uma exigência de salubridade pública.


Por Eduardo Pitta | Sexta-feira, 04 Setembro , 2009, 11:47

Juan Luis Cebrián, patrão da Prisa, empresa espanhola que detém a TVI, terá mandado acabar com o Jornal Nacional que MMG fazia às sextas. O director-geral da TVI opôs-se, mas não levou a melhor. A ter sido assim, como afirmam os media nacionais, foi uma interferência directa e abusiva na campanha eleitoral portuguesa. Verdade que nenhum patrão admite que um subalterno lhe chame estúpido. Mas uma acção disciplinar não pode traduzir-se em interferências editoriais. Isto tem de ser explicado.

 

Se é verdade que a TVI tem prontas peças jornalísticas sobre novos desenvolvimentos do caso Freeport, ou sobre o que seja, devia tê-las posto ontem no ar. No limite, caso a hierarquia o impedisse, essas cachas deviam ter sido passadas à concorrência. Não podem é dizer: a Manuela não está, as notícias ficam na gaveta. A TVI não é uma banda rock de garagem que fica inibida de ensaiar porque o pai do baterista, irritado com o barulho, desligou a corrente.

 

Estamos todos à espera de ver essas cachas. Nem que seja no You Tube.

 


Por Diogo Moreira | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 16:42

Confesso que é com total estupefacção que recebi a notícia de que o Jornal Nacional da TVI à sexta, sob a coordenação de Manuela Moura Guedes, tinha sido suspenso por decisão da administração da TVI. O resultado foi a demissão em bloco da direcção de informação da estação e de alguns elementos da redacção.

 

Não gosto do estilo jornalístico de Manuela Moura Guedes, e nem era um espectador atento desse noticiário. Contudo, penso que é consensual que estamos a falar de um jornal líder de audiências, e que muito contribui para a liderança da própria TVI.

 

No meio disto, especula-se abertamente nos sítios do costume que esta decisão terá sido o resultado de alegadas pressões por parte do PS. Tal acusação, que carece de qualquer fundamento, é dirigida a um partido que historicamente se bateu pela liberdade de imprensa (vide Caso República), além de que indiciaria um nível de estupidez politica que é inimaginável num líder partidário que ganhou aquilo que Sócrates já conseguiu.

 

Mas o possível aproveitamento político desta situação é óbvio, podendo vir a ter reflexos desastrosos sobre a imagem do PS. 

 

É exigível, portanto, que a administração da TVI esclareça publica e cabalmente quais os motivos que levaram a esta decisão, que à luz do que é conhecido dificilmente poderá ser atribuído a razões de carácter económico. Não o fazer, poderá ser apenas entendido como uma tentativa de influenciar o resultado destas eleições. 

     

E para que fique claro, pela parte que me toca, obviamente repudio qualquer tentativa de influência política nos critérios editoriais de qualquer órgão de comunicação social. A liberdade de imprensa é um valor fundamental da democracia.

 

Qualquer acção por parte dos media que seja considerada, por indivíduos ou instituições, como injuriosa ou difamatória, pode ser sempre alvo de processo judicial. É assim que se resolvem os problemas em sociedades livres e democráticas.

 


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