Por Hugo Mendes | Domingo, 23 Agosto , 2009, 23:55

As discussões a quente têm sempre o risco de nos fazerem desviar do essencial. Aquela que nos últimos dias foi mantida com alguns membros do Jamais e da Rua Direita em torno dos benefícios dos subsídios à exportação (e ao desenvolvimento em geral) é muito interessante, mas vale a pena colocá-la no contexto que vivemos e naquelas que são efectivamente as propostas do PS para o tal "pacto para a internacionalização" (que se pode ler aqui entre as páginas 16 e 18).

 

Independentemente da utilidade do instrumento específico do "subsídio" - que eu defendi, nos contextos adequados e com os cuidados necessários -, é mais interessante ver o conjunto de instrumentos de política pública propostos no "Pacto para a internacionalização". É fácil compreender que o que se pretende é criar um quadro com múltiplos mecanismos de incentivo e de facilitação que auxiliem as empresas na procura de mercados internacionais.

 


Por Hugo Mendes | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 16:58

O André Abrantes Amaral respondeu à minha interpelação.

Agradecendo, encurto o comentário que deixei lá na caixa de comentários, dividindo-o igualmente em quatro partes que correspondem às suas respostas:

 

(1) Essa distinção é artificial, a-histórica, e ignora as assimetrias de poder num dado momento - e, por isso, as oportunidades objectivas de sucesso - entre os indivíduos e/ou empresas. Mas não respondeu à questão da justiça no comércio internacional.
 
(2) Essa resposta é muito interessante: o André fica radiante como consumidor; mas duvido que ficasse se a sua vida dependesse das empresas do país que são incapazes de concorrer porque as tais outras empresas foram apoiadas pelos outros Estados.  
 
(3) “Deus”? “Omnisciente”? Estou a falar de uma falha de mercado, for God’s sake. É extraordinária a incapacidade para assumir que ela, como outras, existem. A única posição que se aproxima da religiosa é a sua posição que assume que o mercado nunca falha. Como, deixe-me acrescentar, o Estado falha. Bem-vindo à economia real!: o Estado falha e o mercado falha, cada um em situações em contextos diferentes. O defendo não se baseia em nenhuma adesão a-crítica a uma ideologia "socialista" ou outra. Sou pragmático e experimentalista: as políticas que são boas, adoptam-se; as que são más, abandonam-se. O que importante é encontrar o policy mix eficaz e coerente. E para lá chegarmos temos que experimentar um pouco, aprender mais, e receber inputs de vários agentes, em particular aqueles do sector privado, que conhecem o mercado. Aqui o Estado precisa da cooperação e do conhecimento específico destes.
 
(4) "Por que motivo vamos cobrar impostos para financiarmos empresas quando a redução desses mesmos impostos já seria ajuda suficiente?"
 
O André parte do principio que seria suficiente do ponto de vista da orientação do investimento e do incentivo que se pretende dar, que é à exportação. Já agora, não falei em aumento de impostos; se se baixar os impostos às empresas exportadoras como forma de incentivo já concorda? Limito-me a recordar, apenas, que isto é uma espécie de “proteccionismo” velado.

 


Por Hugo Mendes | Quinta-feira, 20 Agosto , 2009, 12:26

O André Abrantes Amaral e o Tiago Moreira Ramalho responderam a este meu post escrito ao sabor da pena e com uma dose porventura excessiva de ironia. Entretanto, o debate prosseguiu com intervenções do João Galamba e do Tiago, mas vou tentar regressar ao post inicial. Este é um debate importante, vamos lá tratá-lo com a dignidade que merece.

 

O Tiago concorda com o facto de que o país precisa de exportar mais. Confesso que é um avanço positivo na discussão, dado que o André discorda: «O país não precisa de exportar, principalmente, não precisa de exportar bens que já não interessam aos outros».
Descontando a ideia (que ninguém defendeu) que precisamos de exportar coisas que não interessam aos outros - se os bens não interessam aos outros, não são comprados, e não há viabilidade comercial; não defendi a política de subsídio a lame ducks –, o país, André, precisa de exportar mais.
 
Isto é fácil ver pelo gráfico seguinte (os dados são, para a maioria dos países, de 2003; se alguém tiver os dados que permitam uma comparação para um ano mais recente, agradecia que mos fizesse chegar)
 
 
O gráfico mostra que Portugal comporta-se como se fosse uma França ou uma Espanha ou uma Itália e tivesse um mercado interno gigantesco. Portugal devia estar junto das outras economias de pequena dimensão, que enriqueceram pela via da exportação de produtos especializados e de qualidade. Desta nossa fraca orientação para o exterior vêm dificuldades de aprendizagem e de crescimento das empresas, e, naturalmente, um grande défice externo (que sabemos ser também explicado pela nossa dependência energética). Parece-me que o André será sensível a estes problemas.
 
Sobre o bicho papão do “proteccionismo” e os apoios às exportações, volto a escrever mais logo.

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