Por João Galamba | Sexta-feira, 07 Agosto , 2009, 01:33

Em resposta a este meu post, o Rodrigo Adão da Fonseca escreveu:

 

"É perfeitamente possível ser-se "democrata" e aspirar a um papel secundário do Parlamento. Aliás, em Portugal, o Parlamento tem vindo claramente enquanto instituição a perder o respeito dos eleitores, por contraposição ao Presidente da República que é no nosso quadro democrático a figura mais respeitada (...) tenho de aceitar que no quadro da democracia portuguesa, é na instituição "Presidente da República" que reside, actualmente, a dignidade e a garantia do Regime. E é essa a opinião, também, da maioria dos portugueses. Julgo até que seria bastante positivo que no próximo ciclo político houvesse uma forte aproximação entre o Presidente da República e o Governo, não apenas uma "cooperação estratégica", mas uma forte cumplicidade institucional e pessoal entre ambos, a bem do país e da coesão necessária para enfrentar as difculdades que se avizinham"

 

O Rodrigo Adão da Fonseca confunde popularidade do presidente da república com apoio ao presidencialismo ou apoio ao reforço dos poderes presidenciais. Será que nunca lhe ocorreu pensar qual a razão que leva os portugueses a gostar tanto dos nossos presidentes? Deixo-lhe aqui uma pista: ausência de poder executivo. E, já agora, uma aposta: no dia em que Portugal tenha um regime presidencialista, a popularidade de um presidente abandona os níveis de embevecimento actuais. É certinho como o destino.


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Por João Galamba | Quinta-feira, 06 Agosto , 2009, 01:31

Os apoiantes de Ferreira Leite podem aplaudir a lista apresentada pelo PSD. Também podem dizer que é decepcionante — a crítica não é incompatível o estatuto de apoiante. O que não podem é dizer que é irrelevante e escrever, como o João Gonçalves, assumindo o papel de vanguarda (iluminada, claro) da plebe: "Experimente perguntar às pessoas fora deste circuito mediático-intelectual em que todos nós mais ou menos navegamos, o que é que as pessoas pensam do Parlamento e da deputação nacional". Defender que as listas (e o programa) são irrelevantes porque "o povo está-se nas tintas para essas coisas",  é todo um programa. E é um programa que qualquer democrata tem a obrigação de repudiar de forma veemente. Aqui não há a posição do partido A ou B: para um democrata, certas instituições são sagradas. A pergunta que a Sofia deixou ao João Gonçalves (e a todos que pensam como ele), é fundamental:  "Se descrê do regime, porque pactua activamente?"

 

Antecipando uma crítica: os ironistas e os cínicos vêem em toda a reacção apaixonada um exemplo de histeria.  Mas, para um democrata, o compromisso para com as instituições constitutivas da vida democrática não é compatível com ironia ou com cinismo para com essas mesmas instituições. Sei que o João Gonçalves gosta muito de Richard Rorty e de Peter Sloterdjik; tenho a certeza que nunca os entendeu.


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