Por João Paulo Pedrosa | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 11:31

Não há nada que venha no meu programa que já não tivesse dito antes.

(Manuela Ferreira Leite, ontem, RTP1)


Por João Constâncio | Domingo, 16 Agosto , 2009, 12:00

Na quinta-feira, quando saiu a notícia de que o PIB cresceu 0,3% no último trimestre, pensei que MFL iria ficar sem discurso. Até esse momento, o seu discurso tinha apenas quatro ideias: 1) Portugal está em crise, 2) A causa dessa crise são as políticas do Governo, 3) essa crise não tem nada que ver com a crise internacional, 4) Sócrates é um aldrabão. Como conciliar estas ideias com o facto de Portugal ter sido um dos únicos cinco países europeus a apresentar algum tipo de crescimento económico desde o afundamento geral em Setembro de 2008? Como negar toda e qualquer relação (mesmo que ténue) entre as políticas do Governo e o facto de Portugal ter sido um dos últimos países europeus a entrar em recessão económica e um dos primeiros a apresentar sinais de recuperação? Certamente MFL não ignora que haver crise resulta de não haver crescimento económico? Certamente também não ignora que o desemprego só baixará se passar a haver crescimento económico? Não, claro que não ignora — ela própria tem afirmado repetidamente que os problemas do País (incluindo o desemprego) só se resolvem quando forem criadas condições para que haja crescimento económico.  Como MFL não disse nada na quinta-feira, concluí que tinha ficado mesmo sem discurso. Só lhe restava a ideia de que Sócrates é um aldrabão. Não que isso seja pouco. Pelo menos enquanto o caso Lopes da Mota não estiver encerrado, há toda uma bolha mediática que pode continuar a ser explorada até ao dia das eleições. Mas ter apenas isso é diferente de dispor de um discurso que articule um raciocínio e que apele directamente à carteira dos Portugueses: “é do facto de Sócrates ser um aldrabão que resulta, infalivelmente, a crise em que o País se encontra”. Na sexta-feira, quando saiu a notícia de que o desemprego subiu para 9,1% no último trimestre, MFL falou. Sem dúvida que precisou de muito sangue frio. Não é qualquer um que consegue dizer que os números do PIB se explicam pela evolução da crise internacional, mas o números do desemprego se explicam pela evolução da crise nacional. MFL já estava habituada a insistir na ficção de que a crise internacional e a crise nacional são duas coisas separadas. Mas agora acrescenta que os números do PIB e os números do desemprego também são coisas separadas. E isto é realmente novo. Afinal, a nossa crise não tem nada que ver com o crescimento económico, visto que este flutua exclusivamente em função da crise internacional e diz respeito apenas à crise internacional. Afinal, a nossa crise é apenas uma crise de falta de emprego, que não está relacionada com a falta de crescimento económico (pois, se estivesse, estaria relacionada com a crise internacional). Afinal, não há qualquer relação entre o emprego e o crescimento económico. O facto de o desemprego ter aumentado menos neste trimestre do que no anterior é irrelevante; o facto de os números do desemprego tardarem sempre a acompanhar os do PIB, também (visto que nem há relação entre eles). Tudo isto configura uma teoria económica heterodoxa, e o Português em que MFL costuma exprimir-se também não ajuda a esclarecer a subtileza da sua análise, mas eu atrevo-me a dar uma ajuda. É assim: 1) Portugal está em crise, 2) A causa dessa crise são as políticas do Governo, 3) essa crise não tem nada que ver com a crise internacional, 4) Sócrates é um aldrabão.

Veja o vídeo: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1011745.html

 


Por João Paulo Pedrosa | Domingo, 09 Agosto , 2009, 23:29

A ideia de uma Política de Verdade, lançada por Manuela Ferreira Leite no discurso político, constituía todo o valor da sua liderança.

 

Com efeito, num mundo de desesperança, acossado por uma crise nacional e internacional de consequências imprevisíveis, MFL era alguém que surgia rompendo com o establishment vigente, incluindo dentro do seu próprio partido. Só falaria, portanto, verdade às pessoas, enfrentaria interesses instalados, ambições, carreiras, projectos pessoais, tudo o que não estivesse em consonância com “os superiores interesses do país”, mesmo que isso nunca lhe trouxesse fama ou ganho eleitoral.
Este desprendimento em relação a uma certa forma de estar na política que é vista, aos olhos de tanta gente, como uma actividade pouco séria e irresponsável, granjeou-lhe, reconheça-se, a partir desse momento, adeptos, engodando mesmo até alguns parvenus.
A manter este registo e, claro está, sendo consequente na acção política com ele, MFL tinha um espaço de crescimento e de afirmação na vida política portuguesa só comparável ao que surgiu com Cavaco Silva depois do congresso da Figueira da Foz.
Ora acontece que MFL não nasceu hoje para a política. É uma personalidade experimentada na vida política tal como ela se faz desde há trinta anos e, nesse sentido, a Política de Verdade não era mais do que um efeito conhecido, um subterfúgio, uma manobra da “velha política manhosa” que ela tão bem conhecia e que dela tanto beneficiou. O seu sucesso era, deste ponto de vista, uma questão de tempo, apenas. E nem foi preciso esperar muito. Assim, sem surpresa, e à luz dos últimos acontecimentos políticos no PSD, a Política de Verdade de MFL estiolou.
Estiolou porque, ao contrário do que dizia, cedeu aos interesses instalados, às carreiras alicerçadas na ilegitimidade, aos projectos de poder pessoal que vêm lesando o país com más práticas e cedeu ao sectarismo que é uma das imagens de marca da sua longa actividade política concreta. Esta sim é a MFL que nós já conhecíamos!
Se, como dizem os seus companheiros do PSD, de Leiria, de Lisboa, de Vila Real, de Santarém, de Braga, de Castelo Branco e de tantos lugares por esse país fora, MFL desiludiu fiéis, demonstrou sectarismo, pagou favores, consumou ajustes de contas e acobertou falsários, é porque MFL nunca saiu do lugar donde sempre esteve. Assim as coisas ficam mais claras.
 

Por João Galamba | Segunda-feira, 03 Agosto , 2009, 15:14

Na mesma semana em que o PS apresentou o seu programa político, a líder do PSD falou de iates, de perseguições aos ricos, e manteve a aposta na Verdade (assim, com maiúscula). Centremo-nos no único ponto passível de discussão: a Verdade. Para Ferreira Leite, a nossa verdade é o endividamento: não há dinheiro para nada e o PS, se insistir na sua política de investimentos, vai levar-nos à ruína. Dito assim, impressiona. Estamos perante uma reedição do discurso da tanga. Mas, e independentemente da nossa avaliação sobre a estratégia de desenvolvimento proposta pelo PS, a verdade, em si mesma, não é nem nunca poderá ser um programa político, pois um programa implica duas coisas: um diagnóstico sobre a situação do país e um compromisso com um plano de acção. Desde Aristóteles que a política é entendida como uma forma de acção, mas Ferreira Leite decidiu inovar e propõe uma alternativa: a resignação e a passividade estóica.

 

Assim não, diz a líder do PSD, sem nunca nos dizer o que fará com tanta e tão assustadora verdade. Pondo de parte a hipótese de auto-flagelação, o que nos resta? Será que Portugal tem de poupar mais? Baixar despesa? Reduzir impostos para estimular a actividade económica? Esperar que o "abalozinho" passe? Não sabemos. Sabemos apenas que, numa recessão onde existe um risco de deflação, isto é, num contexto onde não podemos recorrer à cartilha liberal de que as empresas não produzem porque o Estado não as deixa, nenhuma dessas opções parece fazer sentido. Tirando alguns liberais que já ninguém leva minimamente a sério, o consenso internacional é de que só o Estado pode desempenhar o papel de liderança que a situação exige - e isto requer investimento.

 

A "posição" de Ferreira Leite pode não aumentar o endividamento, mas não faz nada para o reduzir. Podemos evitar o desastre, mas não fazemos nada para alterar o status quo. Reconhecer um facto, parar, repensar e adiar, que eu saiba, não resolve problemas, porque não é agir nem assumir qualquer tipo de responsabilidade perante a nossa situação. O endividamento é um problema que carece de uma resposta política afirmativa. Só há duas soluções para o endividamento: crescimento ou diminuição da despesa, isto é, medidas expansionistas ou pró-cíclicas. De uma maneira ou de outra, algo tem de ser feito. Dado que Ferreira Leite não é liberal, ou seja, não acha que desmantelar o Estado assegura, só por si, crescimento futuro, e tendo em conta que, segundo a líder do PSD, não há dinheiro para nada, tenho alguma dificuldade em perceber o que a sua Verdade quer para Portugal e para os Portugueses.

 

(artigo publicado no Diário Económico)


Por Rui Pedro Nascimento | Segunda-feira, 03 Agosto , 2009, 12:34

“Um dos pontos mais importantes e que nem sempre é referido com a dimensão que merece é a questão da quantidade e da qualidade legislativa.
Considero que é essencial legislar menos, legislar de forma criteriosa e de forma precisa”

Manuela Ferreira Leite, 29 de Julho de 2009

 

 

"Nunca me recordo de tantos diplomas. Eu penso que quase enchem um bom jipe"
Presidente da República, 2 de Agosto de 2009

 

(Retirado daqui)

 

Há duas hipóteses para esta convergência de opiniões:

 

  1. Ambos estão sintonizados naquilo que, neste caso, consideram um problema;
  2. Um/a lidera e define a estratégia e outro/a executa-a;

Quem quiser pode escolher a sua opção...


Por Hugo Costa | Domingo, 02 Agosto , 2009, 02:00

 

 


Por Hugo Costa | Quinta-feira, 30 Julho , 2009, 18:38

 

Não é um tema fácil. Mas começo a minha participação no Simplex a falar do salário mínimo nacional. Sei que 450 Euros é muito pouco, mas a evolução positiva é visível no governo socialista.
Para Manuela Ferreira Leite foi uma irresponsabilidade o aumento do salário mínimo. Para mim foi justiça social.
Graficamente:
 
 

 

 


Por Hugo Mendes | Terça-feira, 28 Julho , 2009, 23:33

Enquanto alguns membros do "Jamais" revelam uma desenvolvida tendência para a política ad hominem - uma daquelas coisas que servem para entreter quando nao se tem nada para dizer -, era interessante ler um comentário sobre o ensaio de Ricardo Reis publicado hoje no 'i'

 

Enfim, parece-me que não cola bem com a crítica ao "despesismo" dos governos socialistas. Por outro lado, a imagem de "austeridade" de Manuela Ferreira Leite sai, para não dizer mais, levemente beliscada, não tivesse sido ela a Ministra das Finanças do Governo que mais fez subir os custos do Estado nas últimas duas décadas.

 

 


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