Por Bruno Reis | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 09:56

Jerónimo de Sousa disse duas coisas essenciais no seu debate com Sócrates:

 

1. Os sindicatos não têm sempre a razão toda.

 

2. O fundamental é o emprego.

 

O problema  é: alguém acredita que o PCP fará (e tem feito) outra coisa senão apoiar totalmente tudo o que os sindicatos (aliás muitos ainda controlados por quadros do PCP) exigem, mesmo que isso leve empresas à ruína, e o Estado a um deficit descontrolado?

 

O problema é: alguém acredita que o PCP com o seu princípio de guerra de classes contribuirá para criar emprego em Portugal - emprego economicamente sustentável?

 

É fundamental o papel negocial dos sindicatos, mas sobretudo os sindicatos da CGTP frequentemente caem no tudo ou nada, particularmente quando estão lidar com o Estado e o dinheiro dos contribuintes.

 

É fundamental o papel do Estado numa crise como esta para fomentar emprego e pagar aos desempregados, mas alguém acredita que com greves a toda a hora e exigências de aumentos insustentáveis se convencerá investidores a arriscarem o seu capital e criar emprego em Portugal?

 

Se o PCP é sincero nestas suas preocupações então deve mudar - pelo menos em parte - de política prática, mesmo que não de crenças ideológicas e slogans.

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Por Bruno Reis | Segunda-feira, 07 Setembro , 2009, 09:27

O facto do PSD basear a sua campanha na ideia de que é o detentor da Verdade diz tudo sobre a sua cultura democrática. (Aliás, um partido que tem como um dos seus principais dirigentes, ainda recentemente elogiado pela líder, Alberto João Jardim, tem credenciais claras neste campo.)

 

Mas há um ponto (já aqui referido) mas que nunca é demais enfatizar e que o PSD em nome dessa tão apregoada Verdade devia verdadeiramente esclarecer:

 

O Orçamento de Estado afinal é elástico para o PSD e para o PS não? Há rigor nas contas públicas com Manuel Ferreira Leite ou não? O dinheiro público dá para tudo ou não? Não percebo como é que não se pode fazer um TGV porque custa muito - apesar de até ser em parte pago, mas só se for feito agora, por fundos europeus. No entanto, o PSD pode perfeitamente transferir parte dos fundos do Estado para a saúde privada, para a educação privada ou para fundos de pensões privados sem que isso signifique uma subtração no dinheiro gasto nos Hospitais Públicos e nas Escolas Públicas e nas reformas de todos. Que matemática milagrosa é essa!?! Será que MFL tem poderes secretos? Como é que o PSD vai descer impostos (ou de certeza não os vai aumentar), garante manter os gastos nas reformas, na saúde e na educação públicas e ainda vai pagar a privados na saúde, na educação sem que o deficit vá aumentar? Repito que matemática milagrosa é essa? Em verdade me digam...

 

Convém que os professores (como eu) e aos médicos e os reformados que acham que ficarão melhor com o PSD meditem nesta matemática milagrosa. É que a mim ensinaram-me que em matemática, particularmente em matemática que envolva dinheiro, milagres é coisa que não existe (nem sequer almoços de graça). Mas talvez no PSD afinal ainda haja Pai Natal. Será que o sempre tão activo Rodrigo Adão da Fonseca nestas lides estará disposto a esclarecer a minha dúvida? Ou talvez a vestir-se de Pai Natal :)

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Por Eduardo Graça | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 13:23

 

A OCDE confirma, hoje, as expectativas positivas para a retoma da economia que outras notícias, em cascata, têm vindo a indiciar. É uma boa notícia para os portugueses que, ao mesmo tempo, credibiliza, as políticas anti-crise adoptadas pelo governo.    
 
 
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Por Bruno Reis | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 23:02

 

Uma das imagens de marca do governo Sócrates é o computador Magalhães. Isso fica claro no mostruário do Jamais.

Ele é revelador do fomento duma mudança tecnológica da nossa economia; da aposta na modernização da educação pública; e da prioridade dada à diplomacia económica.

A reacção ao computador Magalhães também foi típica. Como é feito em Portugal, muita gente achou que ficava bem dizer mal. (Como o Jamais e alguns dos comentários de que o artigo foi alvo ilustram bem.)

Aparentemente, diziam os críticos, o Magalhães era "só" montado em Portugal. O Magalhães tinha bugs e tal...Ou seja, era como todos os outros computadores. Alguém teve algum computador das melhores marcas que nunca tenha dado problemas? Alguém ainda acredita que um computador é todo feito no mesmo sítio em vez de ter peças de todo o lado do mundo? Parece que há quem na oposição de direita ainda não tenha ouvido falar de globalização.

Alguém afirma que o Magalhães não funciona, e que os programas com problemas não foram corrigidos a custo das empresas respectivas? (Melhor do que com os meus programas de computador que não funcionam). Este computador pelo menos é montado cá em vez de ser apenas vendido por cá. Sobretudo, está acessível às crianças do ensino público a um preço que só as economias de escala de uma grande encomenda do Estado poderia permitir. Seria acaso melhor fazê-lo a uma empresa estrangeira? 

 

Era preciso um "projecto educativo" para enquadra o Magalhães e são as escolas e não as famílias que precisavam de computadores? Mas o que é isso tem a ver com os alunos terem computadores portáteis (ou seja, que podem ir da escola para casa e vice-versa)? E neste caso as famílias- sempre  tão centrais na educação para a direita - já não servem para nada? É preciso todo um projecto do Estado para as enquadrar? Claro que informatizar as escolas é importante, mas há algum governo que tenha feito mais para informatizar as escolas e o sector público em geral? (Simplex, Empresa na Hora, Casa na Hora?)

 

Mas sobretudo o que incomodou muita gente - e voltou a incomodar o Miguel Noronha do Jamais - foi ver Sócrates a promover o Magalhães na Cimeira Ibero-Americana, e o Presidente Chávez pegar no Magalhães. Ficava mal. Exportar para um candidato a ditador? Ora o Rei de Espanha não promove as empresas espanholas? Não o faz a Rainha de Inglaterra - com o seu selo em tudo desde compotas a cerveja escocesa [ver imagem] - ou o Presidente dos EUA? Isso é parolo? Ou será antes parolo, provinciano e prejudicial para a economia portuguesa ter este tipo de complexo de inferioridade? Será que esses países não exportam para a Líbia ou a Arábia Saudita, essas grandes democracias? A promoção e diversificação das nossas exportaçõs têm de ser uma prioridade estratégica do próximo governo. Foi uma prioridade de Sócrates. Ficámos esclarecidos pelo Jamais que um governo da Direita será demasiado fino para esse tipo de serviço à economia nacional. Promover as exportações não faz milagres? Pois não. Mas não acredito em milagres em política ou economia. Acredito, no entanto, que tentar promover produtos nacionais não é vergonha, é verdadeiro sentido de Estado, daquele que ajuda a criar empregos.

PS Estou de férias, de que fui arrancado para meter este poste e explicar que apesar do dizia o geralmente rigoroso Diário Económico fui eu e não o José Reis Santos que assinou este texto (em versão 0.1.)

Por Eduardo Graça | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 16:37

 

As estimativas de crescimento económico hoje apresentadas pelo EUROSTAT confirmam que Portugal cresceu no 2º trimestre de 2009, em comparação com o trimestre anterior, 0,3%. Na UE (a 27) só dois países apresentam um desempenho melhor que Portugal (Eslováquia e Polónia) e três países um desempenho igual (Alemanha, Grécia e França).  É um sinal que aponta para a recuperação da economia portuguesa. É pouco? Mas é um indicador positivo como mostra, de forma impressiva, o título da notícia no DN: UE caiu 0,2%, Portugal subiu 0,3 no último trimestre.
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Por João Galamba | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 00:32

"Portugal só sairá da crise através das exportações — e as exportações não dependem de nós; dependem da Alemanha, da França,..."

 

Pedro Guerreiro, Director do Jornal de Negócios

 

Para uma pequena economia aberta como a nossa as exportações são fundamentais. Isto é, digamos, um truísmo com o qual todos os partidos, exceptuando talvez o PCP, concordam.  Posto isto, é óbvio que só exportamos se outros comprarem. Mas também me parece óbvio que só exportamos se formos capazes de produzir bens transacionáveis que interessem aos outros. Simplificando, este "interessar aos outros" pode ser entendido de dois modos distintos:

 

1) Se é certo que o crescimento "lá de fora" ajuda às exportações, é ainda mais certo que Portugal tem muito a ganhar se produzir melhor, isto é, o mix das exportações for diferente daquele que historicamente tem caracterizado a economia portuguesa.

 

2) Mais do que pensar no mix, importa  concentrar esforços nos custos. Esta ideia tem como pressuposto duas coisas: a) há-de haver uma retoma da procura "lá de fora"; b) a procura pelos nossos produtos será tanto mais elevada quanto mais baratos produzirmos

 

Em relação à estratégia dos dois principais partidos, o PSD aposta no choque fiscal e quer pôr-nos a competir em preço (com Chinas e Indias a jogar o mesmo jogo, não me parece que seja uma estratégia de sucesso, mas enfim).; ao invés, o PS aposta sobretudo na requalificação  — qualitativa — da economia portuguesa. Ou seja, PS e PSD têm interpretações radicalmente diferentes sobre o significado concreto do chavão "temos de aumentar a competitividade da economia portuguesa. O PSD acha que aumentar a competitividade do país passa, sobretudo, por uma redução (indiferenciada) dos custos das empresas, isto é, independentemente daquilo que é produzido, o importante é produzir barato. O PS acha que para produzir melhor é necessário produzir diferente. Eu, que sou um optimista, prefiro a estratégia do PS.


Por João Galamba | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 14:17

O Rodrigo Adão da Fonseca escreve hoje, no Diário Económico, um artigo importante para perceber a estratégia económica do PSD. E a estratégia é: o governo não deve ter qualquer estratégia de desenvolvimento. Simples e claro. Mas errado, tendo em conta a situação económica e os desequilibrios estruturais do país.

 

Escreve o Rodrigo: "O PSD defende um modelo económico que desonera as empresas, em especial, as PME, mas num plano de igualdade de oportunidades, com medidas transversais que aproveitam a todos". O meu problema com esta passagem é que ela é neutra entre soctores de actividade e entre opções estratégicas, isto é, torna-se irrelevante se apoiamos empresas que produzam bens de elevado valor acrescentado, sectores com elevado potencial exportador, industrias que apostem em baixos salários ou industrias que pretendam investir em capital humano e na qualificação dos seus trabalhadores. O que o Rodrigo diz — e o PSD também — é que, de um ponto de vista político, não interessa o que as empresas façam, desde que se comportem como empresas. Esta estratégia — cega, indiferenciada — não responde de forma minimamente satisfatória a um desafio fundamental: como contribuir para mudar o paradigma produtivo português, demasiado dependente de baixos salários e de produtos com baixo valor acrescentado que tem sido o principal responsável pelo nosso atraso económico?



Por Ana Paula Fitas | Domingo, 30 Agosto , 2009, 17:58

Impressiona a facilidade com que o BE recorre à mais gratuita demagogia, lembrando os que, identificados com a direita mais populista, acenam bandeiras de facilitismo ilusionista... refiro-me a uma das medidas que o Bloco propagandeia, alto e bom som, como se fosse uma medida mágica de resolução de um dos problemas estruturais da sociedade portuguesa: taxar as fortunas como forma de angariar dinheiro para aumentar as pensões e sustentar a Segurança Social... Sejamos objectivos!... Se é justo, como aliás o defende também o PS, proceder a um cálculo mais justo dos impostos em função dos rendimentos, não podemos sequer imaginar que, nesse procedimento reside, a solução para o problema! Porque os ditos "ricos" não são a galinha dos ovos de ouro dos portugueses! Não, não são! E só o pode imaginar quem não conhece o país onde vive e ignora o cenário concreto da dimensão económico-financeira que o sustenta! Somos um país pequeno e pobre... negá-lo é ser incapaz de enfrentar a realidade e, consequentemente, não estar em condições de criar propostas que lhe sejam adequadas. Quantos ricos temos? Quão ricos são? Por quanto tempo o serão? ... responder a estas três perguntas permite-nos ter a noção exacta do irrealismo da proposta do Bloco... porque alguém duvida que, a aplicar-se uma tal medida à sociedade portuguesa, os potenciais contribuintes deslocariam o seu património para onde a sua penalização não fosse o bode expiatório de uma sociedade cujo problema é, antes de mais, o do emprego e da revitalização do aparelho produtivo? ... O pior que se encontra nos arautos da virtude é levarem tão longe a sua demagogia, ao ponto do seu horizonte ser um espaço que não corresponde a território algum... na verdade, adoptar levianamente uma tal medida apenas contribuiria para, algures, num qualquer paraíso fiscal, fazer crescer as off-shores...


Por João Galamba | Sexta-feira, 21 Agosto , 2009, 15:59

No Rua Direita, o Carlos Martins escreve um post onde (diz que) prova que os subsídios são errados porque ineficientes. Para sustentar o seu argumento, recorre à ciência económica, apresentando um quadro com curvas da oferta e procura, e escreve o seguinte:

 

"No primeiro momento ("old price" e "old quantity"), a oferta e procura encontram-se livremente. As quantidades produzidas são as que optimizam a afectação eficiente de recursos da economia."

 

Os pressupostos do Carlos - que a situação inicial é eficiente, que o preço de mercado contém toda a informação relevante, em suma: que o mercado livre tem sempre razão - invalidam, a priori, e por definição, a possibilidade de subsídios e intervanção pública na economia. Ou seja, o Carlos não dá qualquer argumento contra os subsídios - à inovação, ao preço, ao investimentos -, ele limita-se a construir um contexto teórico - que não tem nada a ver com qualquer realidade histórica - que invalida a possibilidade teórica da solução que ele pretende criticar. Assim também eu, ó Carlos.

 

Se o Carlos tivesse optado por contemplar a possibilidade de falhas de mercado - externalidades e afins - o post deixaria de fazer sentido. Por outro lado, o Carlos diz que se limita a recorrer a uma verdade elementar da ciência económica. Tem razão. Só que "elementar", neste caso, não pode ser considerado um elogio. Por alguma razão este tipo de gráficos só são utilizados no primeiro ano de economia. No caso de uma economia real - dinâmica, complexa e caracterizada por falhas de mercado e assimetrias de informação - estes gráficos não servem para nada. Então quando acrescentamos a dimensão histórica de uma economia, o défice externo a necessidade de requalificar o tecido económico de um país,  "argumentos" destes tornam-se simplesmente risíveis.


Por João Constâncio | Domingo, 16 Agosto , 2009, 12:00

Na quinta-feira, quando saiu a notícia de que o PIB cresceu 0,3% no último trimestre, pensei que MFL iria ficar sem discurso. Até esse momento, o seu discurso tinha apenas quatro ideias: 1) Portugal está em crise, 2) A causa dessa crise são as políticas do Governo, 3) essa crise não tem nada que ver com a crise internacional, 4) Sócrates é um aldrabão. Como conciliar estas ideias com o facto de Portugal ter sido um dos únicos cinco países europeus a apresentar algum tipo de crescimento económico desde o afundamento geral em Setembro de 2008? Como negar toda e qualquer relação (mesmo que ténue) entre as políticas do Governo e o facto de Portugal ter sido um dos últimos países europeus a entrar em recessão económica e um dos primeiros a apresentar sinais de recuperação? Certamente MFL não ignora que haver crise resulta de não haver crescimento económico? Certamente também não ignora que o desemprego só baixará se passar a haver crescimento económico? Não, claro que não ignora — ela própria tem afirmado repetidamente que os problemas do País (incluindo o desemprego) só se resolvem quando forem criadas condições para que haja crescimento económico.  Como MFL não disse nada na quinta-feira, concluí que tinha ficado mesmo sem discurso. Só lhe restava a ideia de que Sócrates é um aldrabão. Não que isso seja pouco. Pelo menos enquanto o caso Lopes da Mota não estiver encerrado, há toda uma bolha mediática que pode continuar a ser explorada até ao dia das eleições. Mas ter apenas isso é diferente de dispor de um discurso que articule um raciocínio e que apele directamente à carteira dos Portugueses: “é do facto de Sócrates ser um aldrabão que resulta, infalivelmente, a crise em que o País se encontra”. Na sexta-feira, quando saiu a notícia de que o desemprego subiu para 9,1% no último trimestre, MFL falou. Sem dúvida que precisou de muito sangue frio. Não é qualquer um que consegue dizer que os números do PIB se explicam pela evolução da crise internacional, mas o números do desemprego se explicam pela evolução da crise nacional. MFL já estava habituada a insistir na ficção de que a crise internacional e a crise nacional são duas coisas separadas. Mas agora acrescenta que os números do PIB e os números do desemprego também são coisas separadas. E isto é realmente novo. Afinal, a nossa crise não tem nada que ver com o crescimento económico, visto que este flutua exclusivamente em função da crise internacional e diz respeito apenas à crise internacional. Afinal, a nossa crise é apenas uma crise de falta de emprego, que não está relacionada com a falta de crescimento económico (pois, se estivesse, estaria relacionada com a crise internacional). Afinal, não há qualquer relação entre o emprego e o crescimento económico. O facto de o desemprego ter aumentado menos neste trimestre do que no anterior é irrelevante; o facto de os números do desemprego tardarem sempre a acompanhar os do PIB, também (visto que nem há relação entre eles). Tudo isto configura uma teoria económica heterodoxa, e o Português em que MFL costuma exprimir-se também não ajuda a esclarecer a subtileza da sua análise, mas eu atrevo-me a dar uma ajuda. É assim: 1) Portugal está em crise, 2) A causa dessa crise são as políticas do Governo, 3) essa crise não tem nada que ver com a crise internacional, 4) Sócrates é um aldrabão.

Veja o vídeo: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1011745.html

 


Por Ana Paula Fitas | Sábado, 15 Agosto , 2009, 07:21

Ao anúncio do primeiro sinal de crescimento do PIB após 3 trimestres de queda contínua, seguiu-se a divulgação da actual taxa de desemprego: 9,1% ou seja, cerca de meio milhão de portugueses. A notícia, preocupante, teve um impacto social interessante: para a população em geral significou a confirmação das previsões que vinham a ser divulgadas desde que a crise deflagrou, não implicando, por esta razão, nenhuma surpresa extraordinária, nomeadamente porque os cidadãos têm uma noção clara da dimensão deste flagelo já que o vivem diariamente nas famílias e na gestão da sobrevivência; para a oposição, oportunista e sensacionalista, foi a oportunidade para, uma vez mais, demagogicamente, atribuirem culpas ao Governo por uma realidade que transcende em muito a capacidade de intervenção do Estado... porque o desemprego decorre da fragilidade do tecido económico, da ausência de criação de postos de trabalho, da falência das empresas - tal como a pobreza resulta da precariedade, da mobilidade e da flexibilidade laboral capaz vez mais atingida e exposta à exploração dos trabalhadores, vítimas do aumento incontrolado dos horários de trabalho e de uma assustadora e crescente prática de baixos salários... a título de

    


Por Ana Paula Fitas | Sexta-feira, 14 Agosto , 2009, 08:05

O crescimento do PIB em 0,3% no 2º trimestre de 2009 assinala a adequação das opções governamentais no que se refere à dinamização das políticas económicas que alcançaram, no contexto de uma complexa crise internacional e contra as expectativas dos "velhos do Restelo",  resultados capazes de reforçar a confiança indispensável à continuidade do esforço e do empenhamento de investidores e consumidores... registe-se ainda que Portugal integra, com as duas maiores economias europeias, a saber, alemã e a francesa, o restrito grupo de países que dá sinais de ultrapassagem da designada "recessão técnica" (ler mais em A Nossa Candeia).


Por Mariana Vieira da Silva | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 17:58

 Miguel Frasquilho ao Diário Económico de hoje: 

"Se tivermos um número (de crescimento do PIB) bastante abaixo da média europeia, não pode ser só culpa da crise". 

 

É de enviar os números para S. Caetano à Lapa, ao cuidado do Senhor Deputado Frasquilho, para ver se, finalmente, alguém por lá os comenta: PIB da Zona Euro cai -0,1% e o PIB Português sobe 0,3%.

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Por Miguel Abrantes | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 15:36

O artigo do Dr. Alexandre Relvas no i de ontem é bastante eficaz. Bastaria ler o título para percebermos toda a mensagem: a tónica catastrofista, a crítica pela crítica e, saúde-se, o explícito ataque político. Ou seja, o presidente do instituto que tem produzido uma série de papéis e propostas de governação, não arrisca a defender qualquer medida para o futuro do país. Neste campo, não se cumpre a missão do Instituto Francisco Sá Carneiro que, segundo a sua apresentação, “é um centro de reflexão que visa contribuir para a consolidação de uma alternativa política, propondo novas respostas para os desafios que se colocam à sociedade portuguesa” A lógica é apenas e só a de dizer mal mas, concordando-se ou não com a análise, o problema é que Alexandre Relvas falha na perspectiva. A sua afirmação de que “só se pode concluir que a política económica seguida pelo governo agravou os problemas estruturais do país” é de todo incoerente porque em parte alguma do texto refere os tais problemas estruturais. Não há uma palavra para a educação e qualificação dos portugueses, nada se diz sobre a sustentabilidade da Segurança Social, não há uma reflexão sobre o futuro do Serviço Nacional de Saúde, não se atreve a uma crítica à política energética, não esboça uma preocupação com a baixa competitividade das empresas portuguesas, não gasta um segundo com questões como a pobreza e a desigualdade de oportunidade, esquece a necessidade de um sistema de justiça eficiente, célere e transparente. O que Alexandre Relvas vê não são os problemas estruturais, são “apenas” os efeitos e os sintomas de alguns, poucos, desses problemas. Mas, se quer discutir economia e finanças, façamos um exercício rápido: Quanto ao emprego: é ou não verdade que até ao segundo trimestre de 2008 (antes da crise internacional, portanto), a economia portuguesa tinha criado 133.700 empregos?

 

 


Por Miguel Abrantes | Quinta-feira, 13 Agosto , 2009, 15:27

A economia portuguesa registou um crescimento (positivo) de 0,3% no 2º trimestre deste ano. Face ao mesmo período do ano anterior registou uma queda de 3,7%, o que é uma recuperação face ao que se verificou no primeiro trimestre.

 

Estes resultados não querem dizer que a crise acabou, pois os efeitos da maior crise desde 1929 continuarão a ser sentidos, mas são sem dúvidas boas notícias: 

  • A economia já cresceu no 2º trimestre face ao primeiro. Tecnicamente isto significa mesmo que já nem está em recessão. Mas, mais importante, é que este resultado confirma que o pior da crise já passou e que estamos bem colocados para iniciar a recuperação;
  • Portugal é mesmo um dos poucos países na Europa que já regista um crescimento neste trimestre, o que é um óptimo sinal quanto à capacidade da nossa economia para resistir aos embates e pode ser mesmo muito relevante para uma melhor recuperação. Aliás, este é o 3º trimestre consecutivo que economia portuguesa regista comportamento melhor que o registado na zona euro e no conjunto da União Europeia;
  • Afastam os cenários mais pessimistas sobre o comportamento da economia portuguesa, estando em linha com cenário económico do Governo;
  • Estes resultados confirmam também a bondade e acerto das políticas adoptadas. Um dos ensinamentos da grande depressão foi que a ausência de políticas ou políticas erradas contribuíram para transformar o que era uma correcção no mercado financeiro, numa recessão e mesmo numa depressão.
  •  Desta vez, a prontidão e a intensidade da reacção dos Governos contribuíram para evitar que as consequências desta crise fossem mais graves. Foram as acções coordenadas dos Governos de estímulo à economia, de apoio às empresas e às famílias, de fomento do investimento público, que evitaram o colapso do crédito e da actividade económica evitando o avolumar do clima recessivo.

Alguém se lembra do que dizia a Dr.ª Manuela a este respeito?

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Por Gonçalo Pires | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 15:21

O ruído de fundo que se ouve há muitos anos em Portugal decreta, por fatal incompetência, um miserável destino ao povo Português. Somos mais pobres, pouco qualificados, não queremos trabalhar e estamos sempre muito endividados. A voz da consciência crítica Portuguesa é muito lesta no diagnóstico e ainda mais expedita a apontar os responsáveis. Os nossos políticos são incompetentes. 

 

Não se deve exigir aos nossos marretas que apontem caminhos, que encontrem soluções ou que resolvam os nossos problemas. No entanto, dever-se-á exigir que sejam um pouco mais desenvoltos a explicar ao povo os méritos de algumas das políticas públicas mais inovadoras perseguidas por Portugal nas últimas décadas. Falo das energias renováveis, do choque tecnológico, especialmente na educação, e da mais recente aposta no carro eléctrico.     

 

Confesso, gostava de ouvir o Medina Carreira falar do impacto das renováveis no nosso deficit externo, gostava de ouvir dos nossos 28 economistas credíveis uma explicação sobre a importância de um provável sucesso do carro eléctrico na economia Portuguesa, sobre a importância da aposta do choque tecnológico na educação para um crescimento mais qualificado nas próximas décadas, gostava de os ouvir a criticar estas políticas como ouvimos em tempos uns miserabilistas assumidos a criticar o investimento em comboios no século XIX.

 

Tudo isto por causa dos últimos textos da Palmira que tocam num ponto fundamental. Quando se faz algo de inovador, arrojado, que envolve mais risco que certezas, está-se exposto às críticas dos cépticos profissionais, imortalizados pela nossa história como os velhos do Restelo.  Ridicularizar os projectos que não podem ser suportados pelas melhores práticas, simplesmente porque não existem exemplos para guiar a nossa acção, podem até ser acertadas, mas excluem o mérito de quem tenta chegar primeiro, crítica fundadora de quem tenta explicar o nosso miserável destino.    

 

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Por Eduardo Graça | Terça-feira, 04 Agosto , 2009, 00:23

 

Quando o PS no seu programa de governo aborda, de forma estruturada, a questão da economia social está a valorizar politicamente uma vasta, e diversificada, rede de entidades que é reconhecida pelos cidadãos pela forma autónoma e persistente, quantas vezes altruísta, como desenvolve actividades em prol das comunidades, entidades das quais destaco as Cooperativas, Misericórdias, Mutualidades, Instituições Particulares de Solidariedade Social e Associações para o Desenvolvimento Local.   
 
A Economia Social representa, em grandes números, 10% do conjunto das empresas europeias, abarca um universo de 2 milhões de entidades, representa 6% do emprego total, sendo consensual o reconhecimento do seu elevado potencial para gerar, e manter, empregos estáveis já que, pela sua própria natureza, as entidades que integram essa vasta e complexa rede não são susceptíveis de serem deslocalizadas.  
 
O Parlamento Europeu adoptou, em 19 de Fevereiro passado, uma Resolução na qual reconhece, pela primeira vez, a Economia Social como potencial parceiro social: “considera que as componentes da economia social deveriam ser reconhecidas no diálogo social intersectorial da UE e sugere que tanto a Comissão como os Estados Membros apoiem energicamente o processo de inclusão dos actores da economia social na concertação social e no diálogo civil.” 
 
As medidas concretas, anunciadas no programa de governo do PS, que transcreverei num próximo post, preconizando o reforço das parcerias entre o Estado e as organizações de economia social são uma das respostas mais promissoras aos desafios da crise da economia de mercado que o próprio Parlamento Europeu, de forma veemente, recomenda.
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Por Eduardo Pitta | Segunda-feira, 03 Agosto , 2009, 13:51

Bagão Félix é o representante-tipo da direita civilizada. Neste artigo hoje publicado no Diário Económico, analisa causas e consequências da pobreza: «[...] a pobreza assume hoje contornos bem mais diversos do que há décadas. Por um lado, ser pobre hoje não significa apenas ter recursos insuficientes e escassos. Significa também suportar outras vulnerabilidades relacionadas com a solidão, a escassez de qualificações e outras formas de exclusão e marginalização. É, sobretudo, uma pobreza de escolhas e de oportunidades. [...]» Em tese, tudo isto é verdade, mas suspeito que a generalidade da população está mais preocupada com a hipoteca (ou a renda) da casa, a espiral de preços da alimentação, a educação dos filhos, os mil e muitos euros por mês que cobra o Lar onde foi preciso internar o pai ou a mãe com alzheimer, a hipoteca (ou o leasing) do carro, os juros dos cartões de crédito, a possibilidade de ter de resgatar o PPR, a impossibilidade de fazer férias fora de casa se não tiver amigos com casas no campo ou na praia, ou seja, o básico.

 

As «vulnerabilidades da solidão» são importantes, sim senhor, mas resolvem-se com as mil variantes de fluoxetina, doxepina, etc., e se o médico de família escrever na receita "ao abrigo da Portaria 1474/04", ficam praticamente de borla, logo, acessíveis aos novos pobres.

 

Pobreza é algibeira. Não é um ramo do existencialismo.


Por Eduardo Graça | Segunda-feira, 03 Agosto , 2009, 12:46

 

O programa de governo do PS destaca e sublinha a necessidade de um reforço da parceria do Estado “com o sector social”, ou seja, com o “sector cooperativo e social” (conforme a Constituição da República) ou, na linguagem mais recente, utilizada na UE, com a “economia social”. A consagração deste ponto no programa de governo do PS é um grande passo em frente.   
2. Relançar a economia, promover o emprego
 
Em quinto lugar, reforçar a parceria com o sector social. As instituições da economia social – cooperativas, instituições particulares de solidariedade, misericórdias, associações de desenvolvimento local e outras – têm hoje em Portugal um papel chave na produção de bens e serviços essenciais à nossa vida colectiva e são responsáveis por parte muito importante do nosso emprego. Em algumas áreas as instituições da economia social são mesmo os verdadeiros pilares nacionais na produção e no emprego. Os valores únicos inscritos na sua matriz fundadora e na sua prática – cooperação, solidariedade, ligação ao território e às comunidades – tornam-nas altamente merecedoras da confiança das popula­ções. Já hoje as entidades do sector social constituem elementos essenciais das parcerias promovidas pelo Governo para o desenvolvimento das políticas sociais. Alargar o reconhecimento social desta realidade, fomentar a participação das instituições da economia social na produção de bens e serviços (em actividades tradicionais ou em novas áreas), valorizar o seu papel na criação de emprego e apoiar de forma activa a sua capacitação (ao nível da organização e gestão, qualifica­ção dos recursos humanos e capacidade de inovação), são os objectivos centrais de uma renovada parceria público-social que defendemos e queremos prosseguir. [In Capítulo I - Economia, Emprego, Modernização]
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