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SIMplex

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07
Set09

Concordo Completamente com Jerónimo de Sousa

Bruno Reis

Jerónimo de Sousa disse duas coisas essenciais no seu debate com Sócrates:

 

1. Os sindicatos não têm sempre a razão toda.

 

2. O fundamental é o emprego.

 

O problema  é: alguém acredita que o PCP fará (e tem feito) outra coisa senão apoiar totalmente tudo o que os sindicatos (aliás muitos ainda controlados por quadros do PCP) exigem, mesmo que isso leve empresas à ruína, e o Estado a um deficit descontrolado?

 

O problema é: alguém acredita que o PCP com o seu princípio de guerra de classes contribuirá para criar emprego em Portugal - emprego economicamente sustentável?

 

É fundamental o papel negocial dos sindicatos, mas sobretudo os sindicatos da CGTP frequentemente caem no tudo ou nada, particularmente quando estão lidar com o Estado e o dinheiro dos contribuintes.

 

É fundamental o papel do Estado numa crise como esta para fomentar emprego e pagar aos desempregados, mas alguém acredita que com greves a toda a hora e exigências de aumentos insustentáveis se convencerá investidores a arriscarem o seu capital e criar emprego em Portugal?

 

Se o PCP é sincero nestas suas preocupações então deve mudar - pelo menos em parte - de política prática, mesmo que não de crenças ideológicas e slogans.

07
Set09

Política de Verdade(ira) Mentira e as Privatizações da Saúde, Educação, Segurança Social

Bruno Reis

O facto do PSD basear a sua campanha na ideia de que é o detentor da Verdade diz tudo sobre a sua cultura democrática. (Aliás, um partido que tem como um dos seus principais dirigentes, ainda recentemente elogiado pela líder, Alberto João Jardim, tem credenciais claras neste campo.)

 

Mas há um ponto (já aqui referido) mas que nunca é demais enfatizar e que o PSD em nome dessa tão apregoada Verdade devia verdadeiramente esclarecer:

 

O Orçamento de Estado afinal é elástico para o PSD e para o PS não? Há rigor nas contas públicas com Manuel Ferreira Leite ou não? O dinheiro público dá para tudo ou não? Não percebo como é que não se pode fazer um TGV porque custa muito - apesar de até ser em parte pago, mas só se for feito agora, por fundos europeus. No entanto, o PSD pode perfeitamente transferir parte dos fundos do Estado para a saúde privada, para a educação privada ou para fundos de pensões privados sem que isso signifique uma subtração no dinheiro gasto nos Hospitais Públicos e nas Escolas Públicas e nas reformas de todos. Que matemática milagrosa é essa!?! Será que MFL tem poderes secretos? Como é que o PSD vai descer impostos (ou de certeza não os vai aumentar), garante manter os gastos nas reformas, na saúde e na educação públicas e ainda vai pagar a privados na saúde, na educação sem que o deficit vá aumentar? Repito que matemática milagrosa é essa? Em verdade me digam...

 

Convém que os professores (como eu) e aos médicos e os reformados que acham que ficarão melhor com o PSD meditem nesta matemática milagrosa. É que a mim ensinaram-me que em matemática, particularmente em matemática que envolva dinheiro, milagres é coisa que não existe (nem sequer almoços de graça). Mas talvez no PSD afinal ainda haja Pai Natal. Será que o sempre tão activo Rodrigo Adão da Fonseca nestas lides estará disposto a esclarecer a minha dúvida? Ou talvez a vestir-se de Pai Natal :)

03
Set09

OCDE: BOAS NOTÍCIAS NA FRENTE ECONÓMICA

Eduardo Graça

 

A OCDE confirma, hoje, as expectativas positivas para a retoma da economia que outras notícias, em cascata, têm vindo a indiciar. É uma boa notícia para os portugueses que, ao mesmo tempo, credibiliza, as políticas anti-crise adoptadas pelo governo.    
 
 
02
Set09

Sócrates, Magalhães e a Volta ao Mundo pelas Exportações Portuguesas

Bruno Reis

 

Uma das imagens de marca do governo Sócrates é o computador Magalhães. Isso fica claro no mostruário do Jamais.

Ele é revelador do fomento duma mudança tecnológica da nossa economia; da aposta na modernização da educação pública; e da prioridade dada à diplomacia económica.

A reacção ao computador Magalhães também foi típica. Como é feito em Portugal, muita gente achou que ficava bem dizer mal. (Como o Jamais e alguns dos comentários de que o artigo foi alvo ilustram bem.)

Aparentemente, diziam os críticos, o Magalhães era "só" montado em Portugal. O Magalhães tinha bugs e tal...Ou seja, era como todos os outros computadores. Alguém teve algum computador das melhores marcas que nunca tenha dado problemas? Alguém ainda acredita que um computador é todo feito no mesmo sítio em vez de ter peças de todo o lado do mundo? Parece que há quem na oposição de direita ainda não tenha ouvido falar de globalização.

Alguém afirma que o Magalhães não funciona, e que os programas com problemas não foram corrigidos a custo das empresas respectivas? (Melhor do que com os meus programas de computador que não funcionam). Este computador pelo menos é montado cá em vez de ser apenas vendido por cá. Sobretudo, está acessível às crianças do ensino público a um preço que só as economias de escala de uma grande encomenda do Estado poderia permitir. Seria acaso melhor fazê-lo a uma empresa estrangeira? 

 

Era preciso um "projecto educativo" para enquadra o Magalhães e são as escolas e não as famílias que precisavam de computadores? Mas o que é isso tem a ver com os alunos terem computadores portáteis (ou seja, que podem ir da escola para casa e vice-versa)? E neste caso as famílias- sempre  tão centrais na educação para a direita - já não servem para nada? É preciso todo um projecto do Estado para as enquadrar? Claro que informatizar as escolas é importante, mas há algum governo que tenha feito mais para informatizar as escolas e o sector público em geral? (Simplex, Empresa na Hora, Casa na Hora?)

 

Mas sobretudo o que incomodou muita gente - e voltou a incomodar o Miguel Noronha do Jamais - foi ver Sócrates a promover o Magalhães na Cimeira Ibero-Americana, e o Presidente Chávez pegar no Magalhães. Ficava mal. Exportar para um candidato a ditador? Ora o Rei de Espanha não promove as empresas espanholas? Não o faz a Rainha de Inglaterra - com o seu selo em tudo desde compotas a cerveja escocesa [ver imagem] - ou o Presidente dos EUA? Isso é parolo? Ou será antes parolo, provinciano e prejudicial para a economia portuguesa ter este tipo de complexo de inferioridade? Será que esses países não exportam para a Líbia ou a Arábia Saudita, essas grandes democracias? A promoção e diversificação das nossas exportaçõs têm de ser uma prioridade estratégica do próximo governo. Foi uma prioridade de Sócrates. Ficámos esclarecidos pelo Jamais que um governo da Direita será demasiado fino para esse tipo de serviço à economia nacional. Promover as exportações não faz milagres? Pois não. Mas não acredito em milagres em política ou economia. Acredito, no entanto, que tentar promover produtos nacionais não é vergonha, é verdadeiro sentido de Estado, daquele que ajuda a criar empregos.

PS Estou de férias, de que fui arrancado para meter este poste e explicar que apesar do dizia o geralmente rigoroso Diário Económico fui eu e não o José Reis Santos que assinou este texto (em versão 0.1.)
02
Set09

ECONOMIA: SINAIS POSITIVOS

Eduardo Graça

 

As estimativas de crescimento económico hoje apresentadas pelo EUROSTAT confirmam que Portugal cresceu no 2º trimestre de 2009, em comparação com o trimestre anterior, 0,3%. Na UE (a 27) só dois países apresentam um desempenho melhor que Portugal (Eslováquia e Polónia) e três países um desempenho igual (Alemanha, Grécia e França).  É um sinal que aponta para a recuperação da economia portuguesa. É pouco? Mas é um indicador positivo como mostra, de forma impressiva, o título da notícia no DN: UE caiu 0,2%, Portugal subiu 0,3 no último trimestre.
02
Set09

Exportações

João Galamba

"Portugal só sairá da crise através das exportações — e as exportações não dependem de nós; dependem da Alemanha, da França,..."

 

Pedro Guerreiro, Director do Jornal de Negócios

 

Para uma pequena economia aberta como a nossa as exportações são fundamentais. Isto é, digamos, um truísmo com o qual todos os partidos, exceptuando talvez o PCP, concordam.  Posto isto, é óbvio que só exportamos se outros comprarem. Mas também me parece óbvio que só exportamos se formos capazes de produzir bens transacionáveis que interessem aos outros. Simplificando, este "interessar aos outros" pode ser entendido de dois modos distintos:

 

1) Se é certo que o crescimento "lá de fora" ajuda às exportações, é ainda mais certo que Portugal tem muito a ganhar se produzir melhor, isto é, o mix das exportações for diferente daquele que historicamente tem caracterizado a economia portuguesa.

 

2) Mais do que pensar no mix, importa  concentrar esforços nos custos. Esta ideia tem como pressuposto duas coisas: a) há-de haver uma retoma da procura "lá de fora"; b) a procura pelos nossos produtos será tanto mais elevada quanto mais baratos produzirmos

 

Em relação à estratégia dos dois principais partidos, o PSD aposta no choque fiscal e quer pôr-nos a competir em preço (com Chinas e Indias a jogar o mesmo jogo, não me parece que seja uma estratégia de sucesso, mas enfim).; ao invés, o PS aposta sobretudo na requalificação  — qualitativa — da economia portuguesa. Ou seja, PS e PSD têm interpretações radicalmente diferentes sobre o significado concreto do chavão "temos de aumentar a competitividade da economia portuguesa. O PSD acha que aumentar a competitividade do país passa, sobretudo, por uma redução (indiferenciada) dos custos das empresas, isto é, independentemente daquilo que é produzido, o importante é produzir barato. O PS acha que para produzir melhor é necessário produzir diferente. Eu, que sou um optimista, prefiro a estratégia do PS.

01
Set09

Clarificando as coisas

João Galamba

O Rodrigo Adão da Fonseca escreve hoje, no Diário Económico, um artigo importante para perceber a estratégia económica do PSD. E a estratégia é: o governo não deve ter qualquer estratégia de desenvolvimento. Simples e claro. Mas errado, tendo em conta a situação económica e os desequilibrios estruturais do país.

 

Escreve o Rodrigo: "O PSD defende um modelo económico que desonera as empresas, em especial, as PME, mas num plano de igualdade de oportunidades, com medidas transversais que aproveitam a todos". O meu problema com esta passagem é que ela é neutra entre soctores de actividade e entre opções estratégicas, isto é, torna-se irrelevante se apoiamos empresas que produzam bens de elevado valor acrescentado, sectores com elevado potencial exportador, industrias que apostem em baixos salários ou industrias que pretendam investir em capital humano e na qualificação dos seus trabalhadores. O que o Rodrigo diz — e o PSD também — é que, de um ponto de vista político, não interessa o que as empresas façam, desde que se comportem como empresas. Esta estratégia — cega, indiferenciada — não responde de forma minimamente satisfatória a um desafio fundamental: como contribuir para mudar o paradigma produtivo português, demasiado dependente de baixos salários e de produtos com baixo valor acrescentado que tem sido o principal responsável pelo nosso atraso económico?


30
Ago09

A galinha dos ovos de ouro...

Ana Paula Fitas

Impressiona a facilidade com que o BE recorre à mais gratuita demagogia, lembrando os que, identificados com a direita mais populista, acenam bandeiras de facilitismo ilusionista... refiro-me a uma das medidas que o Bloco propagandeia, alto e bom som, como se fosse uma medida mágica de resolução de um dos problemas estruturais da sociedade portuguesa: taxar as fortunas como forma de angariar dinheiro para aumentar as pensões e sustentar a Segurança Social... Sejamos objectivos!... Se é justo, como aliás o defende também o PS, proceder a um cálculo mais justo dos impostos em função dos rendimentos, não podemos sequer imaginar que, nesse procedimento reside, a solução para o problema! Porque os ditos "ricos" não são a galinha dos ovos de ouro dos portugueses! Não, não são! E só o pode imaginar quem não conhece o país onde vive e ignora o cenário concreto da dimensão económico-financeira que o sustenta! Somos um país pequeno e pobre... negá-lo é ser incapaz de enfrentar a realidade e, consequentemente, não estar em condições de criar propostas que lhe sejam adequadas. Quantos ricos temos? Quão ricos são? Por quanto tempo o serão? ... responder a estas três perguntas permite-nos ter a noção exacta do irrealismo da proposta do Bloco... porque alguém duvida que, a aplicar-se uma tal medida à sociedade portuguesa, os potenciais contribuintes deslocariam o seu património para onde a sua penalização não fosse o bode expiatório de uma sociedade cujo problema é, antes de mais, o do emprego e da revitalização do aparelho produtivo? ... O pior que se encontra nos arautos da virtude é levarem tão longe a sua demagogia, ao ponto do seu horizonte ser um espaço que não corresponde a território algum... na verdade, adoptar levianamente uma tal medida apenas contribuiria para, algures, num qualquer paraíso fiscal, fazer crescer as off-shores...

21
Ago09

Subsídios e o Rua Direita

João Galamba

No Rua Direita, o Carlos Martins escreve um post onde (diz que) prova que os subsídios são errados porque ineficientes. Para sustentar o seu argumento, recorre à ciência económica, apresentando um quadro com curvas da oferta e procura, e escreve o seguinte:

 

"No primeiro momento ("old price" e "old quantity"), a oferta e procura encontram-se livremente. As quantidades produzidas são as que optimizam a afectação eficiente de recursos da economia."

 

Os pressupostos do Carlos - que a situação inicial é eficiente, que o preço de mercado contém toda a informação relevante, em suma: que o mercado livre tem sempre razão - invalidam, a priori, e por definição, a possibilidade de subsídios e intervanção pública na economia. Ou seja, o Carlos não dá qualquer argumento contra os subsídios - à inovação, ao preço, ao investimentos -, ele limita-se a construir um contexto teórico - que não tem nada a ver com qualquer realidade histórica - que invalida a possibilidade teórica da solução que ele pretende criticar. Assim também eu, ó Carlos.

 

Se o Carlos tivesse optado por contemplar a possibilidade de falhas de mercado - externalidades e afins - o post deixaria de fazer sentido. Por outro lado, o Carlos diz que se limita a recorrer a uma verdade elementar da ciência económica. Tem razão. Só que "elementar", neste caso, não pode ser considerado um elogio. Por alguma razão este tipo de gráficos só são utilizados no primeiro ano de economia. No caso de uma economia real - dinâmica, complexa e caracterizada por falhas de mercado e assimetrias de informação - estes gráficos não servem para nada. Então quando acrescentamos a dimensão histórica de uma economia, o défice externo a necessidade de requalificar o tecido económico de um país,  "argumentos" destes tornam-se simplesmente risíveis.