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SIMplex

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03
Set09

Sustentabilidade

Palmira F. Silva

As tecnologias associadas às energias renováveis serão as próximas indústrias globais, ultrapassando muito provavelmente as tecnologias da informação daqui a uns anos. Os países que mais apostarem em investigação nessa área, hoje, disporão de uma vantagem estratégica num futuro próximo. Reforçar os recursos afectos a I&D no sector energético e assegurar a sua forte conexão com o sistema económico, como se compromete no programa o PS, é fundamental na visão energética a longo prazo de que o país necessita.

 

De facto, recentemente este jornal transmitia o aviso da Agência Internacional de Energia de que se está a atingir a capacidade máxima da produção de petróleo, ou seja, que uma "catastrófica crise energética" ameaça a retoma da economia mundial. Em Portugal, este aviso assume contornos preocupantes devido à nossa dependência energética do exterior, preocupação confirmada na recente crise petrolífera que demonstrou a vulnerabilidade da nossa economia em relação ao petróleo e a urgência na alteração do paradigma energético nacional.

 

Investir na produção de energia, em especial nas renováveis, deve ser prioridade do programa de qualquer partido que pretenda governar o país e apostar no futuro. Ao ler os programas dos principais partidos, é fácil verificar que apenas um deles assume esse desígnio.

 

Hoje, no Diário Económico.

29
Ago09

Energia, biocombustíveis e insustentabilidade laranja

Palmira F. Silva



Logo na sua prioridade máxima, a economia, podemos ler no programa do PSD um ponto 15 referente a energia. Este ponto, tirando as políticas energéticas do actual governo que prometem continuar (estas aparentemente não rasgam nem repudiam), é um conjunto vazio de propostas em que se debitam uma série de termos que estão no ouvido do eleitorado, alguns em sintaxes que me deixam perplexa, outros, como os biocombustíveis, que espero sinceramente sejam apenas buzz words lançadas inconsequentemente.

 

Tal como no resto do programa, parece-me no entanto que o PSD, por uma razão que não percebo nem vem inscrita em nenhum lado, considera que o facto de ser governo seria q.b. para que os cidadãos, e em particular as empresas privadas, alterassem drasticamente os comportamentos. Por isso, considera não ser necessário apresentar qualquer proposta nem linha de acção concretas num programa que assume que o futuro do país assenta exclusivamente na mão da iniciativa privada que, num passe de mágica, só porque o PSD é governo, vai fazer milagres por motu proprio.

 

27
Ago09

Habemus programa -II

Palmira F. Silva

Se o programa do PSD em relação ao Ensino Superior público é um reconhecimento de que trabalhamos tão bem que assumiu como sua a nossa missão, as poucas linhas que debitou sobre ciência, ou antes, em relação a investigação, desenvolvimento e inovação, são um louvor às políticas do PS na área. Mas o etc. que inscrevem nas parcas linhas que ao tema devotam indica que não fazem ideia do que este etc. significa.

 

Por outras palavras, embora implicitamente reconheçam o óbvio, que é necessário um choque tecnológico que aproxime Portugal das economias do conhecimento, não fazem a mínima ideia como é que se promove o ambicionado «sistema estruturado de inovação científica e tecnológica». Poderiam perguntar como se faz ao PS, cujas políticas são responsáveis pelos progressos absolutamente fantásticos que conhecemos nos últimos anos - e que a Graça Carvalho, felizmente, conseguiu não serem  «rasgadas» ou «repudiadas» durante os governos Durão e Santana Lopes.
 

27
Ago09

Habemus programa

Palmira F. Silva

E afinal é um bocadinho mais que uma página A4. Infelizmente, os pontos para que já olhei, ensino superior e ciência, são constatações da realidade já existente, sem uma única proposta ou ideia concreta ou nova. Na realidade, apenas o primeiro parágrafo suscita alguns comentários porque a prosa restante  poderia ter sido inspirada na página de qualquer Universidade ou Escola. Ou seja, o ponto 5 da prioridade Educação traduz aquilo a que normalmente nos referimos como a nossa «missão», para a qual o único incentivo que precisamos é autonomia que a permita cumprir e que não nos estrangulem a nível de Orçamento de Estado ou de burocracia.

 

27
Ago09

Expectativas frustradas ou In Rasgo Veritas?

Palmira F. Silva

Apenas hoje tive oportunidade de ver na íntegra a entrevista de Manuela Ferreira Leite a Judite de Sousa, no site da sua campanha. Vários pontos da entrevista pareceram-me contraditórios, nomeadamente a justificação da inclusão de arguidos nas listas de candidatos.

 

Não percebo como é possível que uma líder que não se pronuncia sobre "casos de justiça" e não faz "cálculos políticos" por questões de princípios, abdique, aparentemente, desses princípios  em relação à notícia mor da silly season, as hipotéticas escutas presidenciais. Ou quiçá boatos sejam mais relevantes que "casos de justiça" e por isso em relação a boatos o  que é realmente importante são questões «sensoriais» e não de princípios. 

 

 

27
Ago09

O príncipe

Palmira F. Silva

Paulo Rangel lançou-se hoje na universidade de verão do PSD numa diatribe contra os «paladinos da ética», essa gente que pensa, erradamente para o eurodeputado, que ética e política  se deveriam conjugar. Em causa estava a alocução de  Marques Mendes que ontem se referiu à falta de ética como um dos "pecados capitais" da política nacional. Da verberação do eurodeputado retenho a confirmação de que, para o PSD de Manuela Ferreira, «A credibilidade da política não está na ética». Se dúvidas houvesse, esta intervenção esclareceu-as...

24
Ago09

Intransparências - III

Palmira F. Silva

O presidente de todos os portugueses, que nunca se engana mas que aparentemente teve muitas dúvidas sobre as capacidades das mulheres e sobre os motivos (fúteis) que as levam à decisão por uma IVG, voltou a ter dúvidas aquando da promulgação de um diploma que diz respeito à chamada «moral e bons costumes».

 

Desta vez,  querendo quiçá dar uma ajudinha nas escolhas eleitorais que se avizinham, Cavaco, em vez de apenas endereçar recados e recomendacões  descabidas acerca da aplicação de uma lei da nação, que por acaso até fora aprovada em referendo, resolveu rejeitar, sem pejos mas com muitos moralismos, o Decreto n.º 349/X, legislação francamente inócua como refere o Eduardo, que pretendia alterar a lei das Uniões de Facto.

 

Não sei se Cavaco pretende acabar com a pouca vergonha de a esmagadora maioria dos portugueses optar por se «amancebar» em vez de casar, mas os argumentos com que justifica a sua decisão de não promulgar o diploma, no mínimo tão ridículos como as recomendações moralistas no caso da lei do aborto, apontam nessa direcção. Ou seja, sob o pretexto de estar muito preocupado com os desejos dos que não optaram pelo casamento, o presidente parece considerar que só são dignos de protecção jurídica os casais que decidam (ou possam) viver em comum sob os auspícios de um papel passado no notário. Diria aliás que a chave da rejeição se encontra neste último parênteses...

24
Ago09

Ler os outros

Palmira F. Silva

No Esquerda Republicana, o Ricardo escreve um post fundamental que explica de forma eloquente porque razão «uma vitória do PSD, e consequente ruir destas medidas e destas políticas, seria, a meu ver, absolutamente desastroso para todos!».

 

O Ricardo desenvolve 5 pontos, ilustrados com dados de governação em forma gráfica,  do programa do PS que considera «fundamentais para o desenvolvimento futuro de Portugal». Vale a pena ler o artigo na íntegra e vale a pena reflectir, entre outros, neste excerto do texto, «é importante também relembrar o papel dos governos socialistas no que diz respeito às desigualdades de rendimento e taxa de risco de pobreza:


A diferença entre PS e PSD é clara e elucidativa dos objectivos de cada um.»

23
Ago09

Olhar o Sol com outras lentes

Palmira F. Silva

O Tiago apresenta no seu último post algumas razões que explicam porque é necessário investir em energias alternativas, um tema recorrente no SIMplex. Em particular, explica a relevância das centrais fotovoltaicas de Serpa e da Amareleja (as maiores do mundo), que  «extravasa em muito a relevância da energia efectivamente aí produzida: são projectos de marketing nacional que colocam Portugal no mapa das energias renováveis e na linha da frente de um sector que movimenta biliões de euros e cresce a um ritmo exponencial». 

 

Na realidade, a importância destas centrais é muito maior. Por um lado, os custos de uma forma de energia, como o Tiago exemplificou com a nuclear, é muitas vezes uma questão política. No caso da energia solar. o fraco investimento estatal no sector até há bom pouco tempo - o que, para além de subsídios à produção, inclui também financiamento de investigação - determinava preços mais elevados, como veremos ao longo do artigo.  Mas não é despiciendo o facto de que um dos factores determinantes no abaixamento dos preços deste tipo de energia, um dos factores limitantes na sua utilização, é o aumento da procura que ajuda as indústrias a ultrapassarem a massa crítica no mercado de energia. De facto,  a duplicação da capacidade fotovoltaica instalada tem sido acompanhada de uma redução nos custos de produção de cerca de 35%, quase o dobro do que se tem verificado para as tecnologias eólicas. E projectos como os referidos, pela visibilidade que apresentam, são muito importantes.

 

21
Ago09

Vermelho de verme

Palmira F. Silva

Cinabre em algumas línguas, cinnabar noutras - do kinnabari de Teofrasto  ou do zinjifrah persa -, são alguns dos nomes dados à forma alotrópica de sulfureto de mercúrio que foi a fonte principal da «prata viva» e da qual se produz o vermilion ou vermillion, o pigmento vermelho de eleição durante milénios.

 

O pigmento foi considerado um material de luxo durante o Império Romano e na Idade Média, utilizado, na Europa como em muitos outros locais do mundo, na produção de cosméticos que coloriam de vermelho unhas, lábios e maçãs do rosto dos mais abastados.  O que não lhes augurava boa saúde uma vez que o mercúrio não é exactamente elemento que se recomende para contactos tão íntimos.

 

Outras designações para a cor são igualmente devidas a pigmentos ou corantes cujas origens se perdem na História. Entre eles encontra-se o quermes ou grã, um corante vermelho escarlate extraído das fêmeas grávidas do pulgão Kermes illici, que vive na orla mediterrânica sobre carvalhos ou plantas espinhosas como o azevinho. Crimson tem assim origem no cremesin  com se designava em Espanha o quermes, que por sua vez deriva do latim medieval cremesinus (ou kermesinus ou carmesinus). Com a descoberta do Novo Mundo, descobriu-se um carmim mais intenso, o carmine produzido por outro pulgão, a cochonilha ou cochonilha-do-carmim.

 

Não sei porquê, recordei as origens, venenosas ou de vermes, das várias palavras que designam a cor quando li estoutras palavras vermelhas...