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SIMplex

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08
Ago09

O PSD merece uma nova oportunidade

João Pinto e Castro

Fazer oposição não é fácil, principalmente quando o mundo está tão complicado e o governo não pára quieto.

A ideia do PSD era aproveitar as dificuldades do país para desmantelar a segurança social, o ensino público e o serviço nacional de saúde. Porém, com a ressaca do liberalismo interesseiro que se seguiu à crise despoletada pelo subprime, esse programa perdeu os escassos atractivos que tinha, pelo que vai ser preciso inventar outra coisa.

Ora inventar outra coisa dá muito trabalho. É preciso estudar muito, falar com entendidos, debater em profundidade, experimentar novas ideias, apresentá-las aos cidadãos, recolher as suas reacções e por aí fora.

Depois, os principais figurões do PSD estão sempre muito ocupados com negócios muito importantes, que lhes deixam pouco tempo disponível. A prova é que quase só o Pacheco Pereira tem vagar para fingir que lê livros.

Tanto empreendedorismo em larga escala deixa-lhes pouco tempo para se inteirarem dos problemas que afligem não só as piquenas e médias empresas como também os piquenos e médios cidadãos.

Sejamos compreensivos. O PSD merece uma nova oportunidade para aprender a fazer oposição.

05
Ago09

Grandes figuras da política nacional [1]

João Pinto e Castro

 

Por razões que me escapam, o Diário Económico de 3ª feira achou boa ideia ouvir o desaparecido Cardoso e Cunha acerca dos prejuízos do sector público empresarial em 2008.

Declarou ele que, no seu modo de ver, elas "estão fora das preocupações de racionalidade económica e são altamente sujeitas a gestões incoerentes e não justificadas". A terminar, desabafou: "Rezemos para que um dia possa haver em Portugal um Governo competente e com condições políticas para actuar racionalmente".

Caso estejam esquecidos, este Cardoso e Cunha foi dirigente do PSD, ministro da Agricultura e Pescas, Comissário Europeu, Comissário da Expo-98 e Presidente Não Executivo da TAP, cargos para os quais foi nomeado por Cavaco Silva ou Durão Barroso.

Nos tempos livres encetou uma ousada obra empresarial nos sectores da agricultura, da pecuária e do turismo, mais tarde alargada a Moçambique e à Guiné.

Dando provas de "racionalidade económica" e "coerência de gestão" a toda a prova, ferrou calotes de grande dimensão aos bancos Santander-Totta, Caixa de Crédito Agrícola, Banco Português de Investimento, Caixa Geral de Depósitos e Banco Comercial Português.

Em 2005, o Tribunal de Comércio de Lisboa declarou a falência pessoal de Cardoso e Cunha na sequência do processo que lhe foi movido pelo Santander-Totta.

O Professor Cavaco Silva sempre revelou grande sensatez na escolha dos seus colaboradores mais próximos.

05
Ago09

Dream team

João Pinto e Castro

Se por acaso as coisas nos próximos tempos corressem de feição ao PSD, o país poderia vir a ser comandado por uma autêntica equipa maravilha. Imaginem só:

 

Presidente da República: Cavaco Silva

 

Primeira-Ministra: Manuela Ferreira Leite

 

Presidente da Assembleia da República: Guilherme Silva

 

Presidente da Câmara de Lisboa: Santana Lopes

 

Ministro das Finanças: Miguel Frasquilho

 

Ministro dos Negócios Estrangeiros: Aguiar Branco

 

Governador do Banco de Portugal: Tavares Moreira

 

Presidente da RTP: Pacheco Pereira

 

Seleccionador nacional: Carlos Queiroz

 

(Encaro esta última situação como particularmente preocupante.)

04
Ago09

"Larga o osso!"

João Pinto e Castro

A ideia fixa da canzoada é comer e procriar, mandatos supremos da sobrevivência e reprodução da espécie. O cão pode ser o melhor e mais dedicado dos amigos, mas nem ao dono suporta que lhe toque quando está a comer. Arreganha ameaçadoramente a dentuça se lhe mexem na gamela, guarda até à morte o covil onde oculta o osso, marca ciosamente o território para dar a conhecer aos intrusos o perigo que correm caso se atrevam a violá-lo.

Se os cães fizessem eleições, as suas disputas centrar-se-iam, estou certo, nos temas mais queridos ao PP: promoção da natalidade a todo o custo; execração da homossexualidade; diabolização da interrupção da gravidez; hostilização dos imigrantes; condenação do auxílio aos mais fracos e fragilizados; obsessão com a segurança; multiplicação das polícias. Por outras palavras: expandir e proteger a nossa matilha num mundo onde ao homem é reservado o papel de lobo do homem.

A esta animalização da vida social proponho eu que se chame a zoo-política.
 

04
Ago09

O que, de facto, preocupa Louçã

João Pinto e Castro

É muito provável que, nas próximas eleições, os partidos da esquerda obtenham, em conjunto, uma votação bem acima dos 60%.

Porém, sendo também possível que o PS não consiga a maioria absoluta, não é óbvio que a esquerda possa tirar vantagem de uma maioria tão dilatada.

Já se sabia que não se pode contar com os comunistas para formar governo. Ficámos recentemente a saber que, enquanto Louçã mandar, tampouco o Bloco estará disponível para coligações ou negociações, tentações do demo que não têm cabimento  no seu vocabulário.

De modo que há quem se entusiasme com a eventualidade de um governo de bloco central patrocinado pelo Presidente da República.

Imaginemos, porém, que, mesmo sem maioria absoluta, o PS se abalança a formar um governo com um programa susceptível de concitar um vasto apoio entre independentes de esquerda.

Como poderá Louçã justificar a oposição sistemática do Bloco a um tal executivo? Como conseguirá manter unido o seu grupo parlamentar durante quatro anos? Como evitará a deserção de apoiantes cansados de uma actividade política sem sentido útil visível para além da exibição mediática dos dirigentes do BE?

A novela Joana Amaral Dias, concebida, escrita e representada por Francisco Louçã, é um sinal antecipado do seu receio de fuga de muita gente insatisfeita com o beco sem saída de uma política orientada pelo rancor e pelo ressentimento.

O Bloco vai ter que portar-se como gente crescida, exigência tanto mais evidente quanto maior for a sua votação. Não há futuro para os meninos da Terra do Nunca.

Ou viabiliza uma solução governativa de esquerda, ou viabiliza uma solução governativa de direita. Game over.

29
Jul09

Mais monstruosidades

João Pinto e Castro

A economista Teodora Cardoso publicou na revista "Economia Pura" de Janeiro/ Fevereiro de 2006 um actualíssimo artigo intitulado "A Obra de Cavaco Silva, a Ciência Económica e a Política".
Nele, recorda-nos que, em 1980, para tentar ajudar o candidato da AD Soares Carneiro a ganhar as eleições presidenciais, Cavaco Silva, então Ministro das Finanças, valorizou o escudo, conseguindo uma descida instantânea dos preços dos produtos importados. Ao mesmo tempo, proibiu as empresas de energia e transportes de repercutirem nos seus preços os aumentos do petróleo resultantes do segundo choque petrolífero. Para terminar, cancelou parte da dívida pública através da reavaliação da reserva de ouro do Banco de Portugal, inscrita no Orçamento do Estado como receita extraordinária.
Em resultado, a dívida externa disparou para níveis nunca antes alcançados. Mas, como as respectivas estatísticas não foram publicadas durante dois anos, só em 1983 o país tomou conhecimento da gravidade da situação. Entretanto, obviamente, o mago das finanças já se pusera ao fresco.
Que estas coisas se tenham passado e que o seu autor tenha emergido de tais peripécias com a reputação incólume, eis o que só se explica pela imprensa saloia que tinhamos e continuamos a ter.

28
Jul09

Uma conspiração maçónica

João Pinto e Castro

- Eu gosto de os ouvir - disse o padre. - Falam assim, mas, em chegando a ocasião, vão todos votar nele como carneiros.
O Brasileiro encolheu os ombros e sorriu, como confirmando o dito..
- Pois havemos de ver o que será! - berrou o Sr. Joãozinho. - Isso é consoante cá umas coisas.
- A falar a verdade - disse o Pertunhas - não tem pago muito bem ao círculo o nomeá-lo há tantos anos seu deputado; só essa teima agora em querer obrigar o povo a enterrar-se no cemitério!
- Essa, a falar verdade! - disse um lavrador.
- Quero ver se lá me hão-de enterrar a mim! - disse ameaçadoramente o Sr. Joãozinho, como se esperasse, ainda depois da morte, impor as suas vontades à força de murros e de pragas. 


 

23
Jul09

Coisas que é bom saber

João Pinto e Castro

António Carrapatoso e Joaquim Goes sublinham que, ao apresentarem o balanço que o Compromisso Portugal faz do desempenho do actual Governo, o fazem enquanto cidadãos interessados nos destinos do país e não enquanto, respectivamente, Presidente Executivo da Vodafone e Administrador do BES.

23
Jul09

Afinal, já não voto PS

João Pinto e Castro

Um dos meus queridos amigos Ladrões manifestou-se um tanto indisposto pelo apelo do Simplex ao voto no PS nas próximas legislativas.

Relembra-nos ele que estamos, afinal, a apoiar "o mesmo [PS] que, por razões eleitorais, chumbou no parlamento o projecto-lei pela igualdade de acesso ao casamento civil por parte de pessoas do mesmo sexo; que estrangulou financeiramente as Universidades e aprovou cursos de mestrado em gestão e manutenção de campos de golfe; que aprovou, contra toda a oposição e parte do seu partido, um Código do Trabalho que retira direitos e benefícios aos trabalhadores mas foi incapaz de aprovar medidas efectivas contra a corrupção; que inventou os PIN para poder desafectar largas parcelas de reserva ecológica nacional e entregá-las à especulação imobiliária e ao apetite dos grandes grupos económicos; que se deixou envolver em trapalhadas com o Freeport, o TGV, o novo aeroporto, o terminal de contentores de Alcântara."

Embora não pareça, sou um sujeito muito influenciável. Dei por isso comigo a pensar que, se calhar, votar PS talvez não seja boa ideia.