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SIMplex

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21
Jul09

A relevância de uma escolha

Gonçalo Pires

Dizem-nos que devemos gostar do bom gestor, do tipo grave, sério e com ar competente. Gostamos que nos digam que não se deve confiar em políticos, mesmo que dito por aqueles que se candidatam a lugares políticos. Gostamos que nos convençam que deveremos ser um bom aluno da Europa e vamo-nos entretendo, neste fado lusitano, imitando os crescidos na piscina das crianças. Dizem-nos que a retoma virá, mas que, como manda a prudência, o melhor é continuar a viver dentro das nossas possibilidades. 

 

 

21
Jul09

Ousar governar

Porfírio Silva

Tem sido muito repetido que a crise internacional abanou fortemente a ortodoxia dominante. Que, curto e grosso, se resume ao "salve-se quem puder e vivam os vencedores". E esse abanão existe - e é salutar.

Não deixa de ser, contudo, menos certo que outras ortodoxias, vistas como menos dominantes por estes lados, também merecem cautelas. É que, apesar de ora arejarem os paletós e descerem à praça como se fossem os novos donos do reino, não ganharam na circunstância nenhuma legitimidade para tal. Pela simples razão de que a história mais recente, dos últimos meses ou anos, não deve fazer-nos esquecer as lições apenas um tudo nada menos recentes. Por exemplo, o fracasso das soluções centralistas e das visões que encarregam o Estado de tomar conta de tudo o que mexe. O que é o caso quando se sugere que certas empresas, dando lucro e pertencendo a sectores estratégicos, deviam "ser de todos" (c'est à dire, nacionalizadas) apenas por isso, como alguns sugeriram recentemente acerca da GALP e da EDP. Quando isso é puro esquecimento de que o mundo já mostrou ser mais complicado do que a cartilha promete.

É que, quem queira ousar governar, tem de saber evitar as armadilhas das ortodoxias fechadas - e não apenas das mais recentes. Para não nos acharmos, daqui a meio ano, suspensos sobre o nada e pendurados por frágeis lianas. Porque a pior esquerda do mundo continua a ser a esquerda que odeia os que tentam governar.

21
Jul09

Esta governação deu um rumo a Portugal

Carlos Manuel Castro

           

 

Após a convocação das eleições, para 27 de Setembro, começou-se a ouvir toda a oposição ainda mais empenhada em xingar o Governo, o PS e José Sócrates.

O único objectivo, a única causa que move todos os partidos, do CDS ao BE, passando pelo PPD e PCP, é derrubar o PS. Custe o que custar.

Há uma sede obsessiva de condenar e derrubar a governação socialista.

Nunca, como hoje, houve tanto empenho da oposição em querer derrotar um Governo com tanta obra feita.

Há pouco mais quatro anos, quando o País despejou Santana Lopes e o seu Governo de direita, tal se deveu a uma profunda vontade de querer recuperar o crédito das instituições e legitimar um Governo que operasse uma efectiva mudança no País. Tudo o que a direita não fizera, pois anunciara a tanga e desbaratou as finanças, desacreditou o ensino e quase desmantelou a Segurança Social, desprezou a Saúde e ignorou a Economia. Ingredientes suficientes para afundar Portugal.   

Sócrates apresentou cinco grandes medidas, para dar um rumo ao País: Plano Tecnológico; Inglês no Básico; Retirar 300 mil idosos da pobreza; Criar o Cartão Único; e, criar 150 mil postos de trabalho.

Sócrates cumpriu o prometido, à excepção da medida de emprego, que só não a completou - e é importante referir que foram criados ao longo destes anos mais de 100 mil novos postos de trabalho, por que a crise global, que afecta tudo e todos, ao mesmo tempo, não permitiu a concretização desta medida na actual legislatura.

Infelizmente, a demagogia de toda a oposição faz de conta que não há uma crise global e que esta não tem impacto no nosso País. Como se no mundo actual algum Estado estivesse a criar ondas massivas de postos de trabalho.

O PS prometeu um rumo em 2005 e este foi concretizado.

Temos boas razões para considerar que o saldo desta governação socialista foi bastante positivo.

Somos admirados e reconhecidos no mundo por termos políticas exemplares, como a educativa e energética, que foram, e bem, concretizadas entre 2005 e 2009.

Mas, agora, é tempo de exigir mais. É tempo de o PS dar ainda mais ao nosso País. E fazê-lo progredir para níveis qualidade ainda mais elevados.

Os últimos anos elevaram os nossos patamares de desenvolvimento, mas precisamos de mais e melhor, de modo a continuar nesta senda, de criar um Portugal mais progressista e justo.

É preciso continuar a dar apoio ao rumo que se abriu em 2005, para que não recuemos.

20
Jul09

Memória e o esquecimento.

Tomás Vasques

 

Quer queiramos quer não, a crise que nos bateu à porta, por via do sub-prime, e que atingiu em primeiro lugar o sistema financeiro antes da economia real, inédito em todas as crises anteriores (e foram mais de 30 nos últimos 250 anos), ainda está longe do seu fim. Mesmo que a actual crise já tivesse «batido no fundo», como alguns optimistas nos dizem, a experiência diz-nos que, a ser assim, ainda faltam quase dois anos para a economia real se recompor, o desemprego abrandar e o consumo reagir positivamente. Até lá é preciso governar atendendo às circunstâncias, sobretudo em matéria de investimento público e de sensibilidade social. Ora, quem não conhece as circunstâncias: o PSD, pela boca da sua líder, já demonstrou que está a leste de tudo isto, quando classificou esta crise – uma das mais profundas de sempre - como um «abalozinho» (e não nos venham exigir «interpretação especial» para as suas palavras, porque aqui há ignorância ou má-fé, e mais nada); quem não tem norte, nem rumo em relação ao investimento público; e, quem, quanto à sensibilidade social, não tem uma ideia, tendo a líder do PSD afirmado que «não há nenhuma medida anunciada por este Governo qual a qual discorde», governar significaria o desastre, sobretudo para quem mais sofre as consequências desta crise. A incapacidade de resposta por parte do PSD transforma-o num perigo para os portugueses, caso ganhasse as próximas legislativas. O desvario e as suas consequências seriam de tal ordem que, três meses depois, já estavam a dar o dito por não dito, e a proclamar que o «abolozinho» era, afinal, a maior crise dos últimos dois mil anos. Nós temos memória!