Por Hugo Mendes | Sexta-feira, 07 Agosto , 2009, 01:43

O Bloco de Esquerda publicou o seu programa eleitoral em livro. AInda sem ter tido tempo de ler o documento com atenção, saltou-me à vista a seguinte frase (p.12):

 

«Chega a hora de o governo prestar contas pelo aumento do desemprego e da precariedade, pela redução dos salários e pensões, por um código do trabalho que aprofundou o retrocesso civilizacional iniciado por Bagão Félix, pelas privatizações, pelas desigualdades sociais e pela degradação dos serviços públicos. Passados quatro anos de governação, temos um país mais desigual e socialmente mais inseguro, onde o medo impera em muitas empresas e serviços.»

 

Ignoremos por agora a ladaínha de imputação de responsabilidades ao Governo. Com a demagogia paranóica eu posso bem; tenho é mais dificuldade com a mentira e com a desonestidade intelectual. O BE apregoa sempre que pode - e Francisco Louçã fê-lo sistematicamente ao longo desta legislatura nos debates quinzenais com o Primeiro-Ministro - que as desigualdades aumentaram com o Governo do Partido Socialista. 

 

Eu não sei bem como o BE e Louçã medem as desigualdades. Talvez disponham de um instrumento secreto que produz resultados que confortam os seus desejos. Se o têm, a comunidade de investigadores e decisores políticos pede encarecidamente que o BE e Louçã o tornem público, porque melhores instrumentos de medida das desigualdades são sempre bem vindos. Até lá, temos que viver com os instrumentos e os indicadores existentes, que produzem informação válida e comparável internacionalmente.

 

Ora, o que nos dizem estes indicadores? O quadro seguinte, retirado desta publicação do INE (pág.3) lançada no passado dia 15 de Julho, resume a informação relativa à evolução de alguns indicadores essenciais nos últimos anos:

 

 

 

Os três indicadores* mostram que, entre 2004 e 2007 (os rendimentos dizem sempre respeito ao ano anterior ao assinalado), Portugal se tornou um país menos desigual e com menos pessoas em risco de pobreza. Sim, ainda somos um país muitíssimo desigual. Mas a clara tendência dos últimos anos é para uma redução das desigualdades e da pobreza.

 

O BE pode fazer a demagogia que entender, mas há uma diferença entre a demagogia e a mentira: é que esta, para além da desonestidade intelectual que revela, é facilmente desmascarada.

* Coeficiente de Gini: indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição. Assume valores entre 0 (quando todos os indivíduos têm igual rendimento) e 100 (quando todo o rendimento se concentra num único indivíduo).

Rácio S80/S20: indicador de desigualdade na distribuição do rendimento, definido como o rácio entre a proporção do rendimento total recebido pelos 20% da população 

com maiores rendimentos e a parte do rendimento auferido pelos 20% de menores rendimentos.

 

Rácio S90/S10: indicador de desigualdade na distribuição do rendimento, definido como o rácio entre a proporção do rendimento total recebido pelos 10% da população

com maiores rendimentos e a parte do rendimento auferido pelos 10% de menores rendimentos.


 

am a 7 de Agosto de 2009 às 09:05
Chama-se a isso assistencialismo estatal, porque quanto a dar-lhes a cana para pescarem, nada!

ruy a 7 de Agosto de 2009 às 11:41
Meus caros, se querem efectivamente saber como evoluiu as desigualdades sociais nestes ultimos anos, procurem saber qual a evolução do rendimento que foi destribuido ao trabalho e aquele que ficou nas mãos do capital. Verificaqrão que a percentagem que ficou nas mãos dos trabalhadores tem vindo sempre a decrescer.

PortelaMenos 1 a 7 de Agosto de 2009 às 14:29
gente simples e feliz com 11 anos de (des)governo PS nos últimos 14!

"Coeficiente de Gini: indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição" ... já explicaram o coeficiente aos 500 MIL Desempregados!


Rui Paula a 12 de Agosto de 2009 às 10:09
Tudo isto tem o seu sentido, não o nego. Mas, estes números todos e indicadores, que as pessoas que constituem a grande maioria deste grande povo português não entende, não quer saber e julgo que não influenciará em nada o seu sentido de voto, serão de facto motivo para tal regozijo político?

Eu creio que o que está patente na memória das pessoas é que temos mais um Primeiro-Ministro que PROMETEU E NÃO CUMPRIU! Onde estão os 100 Mil Novos Empregos? Como querem ou julgam estas pessoas merecer a confiança de novo dos portugueses?

Já agora mais uma pequena nota, Porque não disponibilizar parte ou até a totalidade do RIS (Rendimento de Inserção Social) sob a forma de bens de consumo directo? Este tipo de subsídio não está pensado para ser atribuído a pessoas carenciadas e com necessidades? E quanto à integração social dos reclusos... Não seria interessante estes terem a opção de ver reduzida parte da pena, transfomando-a em prestação de serviço à comunidade? Como limpar matas, arranjar jardins, auxílio à construção de espaços públicos... etc.

Creio que este comentário não é demagogia como o Sr Louçã, nem retrocidade de pensamento como a Dra Manuela Ferreira Leite, mas o PS tem que entender que os seus maiores adversários estão dentro de ele mesmo, pois neste momento temos um partido segregado e a fugir daquela que outrora já foi a sua base de pensamento e acção.

Tenho dito.

Rui Paula

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