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SIMplex

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06
Ago09

ESTACA ZERO

Eduardo Pitta

Durante muitos anos, o PPD-PSD eram dois. De um lado, o eixo Lisboa/Cascais, representado por Balsemão, Marcelo, Machete, Salgueiro, Magalhães Mota, Leonor Beleza et alia. Do outro, o "poder das bases", de que Alberto João Jardim e Valentim Loureiro são o epítome. (Francisco Sá-Carneiro foi um intervalo; a frase de César, «Também tu, Brutus?», ecoa na memória da sua passagem.) Depois chegou Cavaco, sem o pedigree daqueles cavalheiros e daquelas senhoras que dirigem Fundações influentes e são convidados para as reuniões anuais do Clube de Bilderberg.

 

Cavaco falava pouco, não lia jornais, e tratava os ministros por ajudantes. Fez muitas estradas, homologou o novo sistema retributivo dos funcionários públicos (vulgo o Monstro), e deu azo ao aparecimento de uma nova classe empreendedora. Essa nova classe transformou o Millennium-BCP num case study internacional, criou a Sociedade Lusa de Negócios, de que a face mais vísível era o BPN, inventou o BPP, etc. Jardim Gonçalves, Miguel Cadilhe, Dias Loureiro, Oliveira Costa, João Rendeiro, Isaltino Morais e outros, foram incensados como exemplos a seguir.

 

Em 2004, em vez de isaltinar, o PSD começou a desatinar. Durão Barroso fugiu para Bruxelas. Santana Lopes confessou em público que se sentia como um bebé a quem davam «bofetadas no berço». Luís Filipe Menezes quis desforrar-se do eixo Lisboa/Cascais. Durou um semestre. Manuela Ferreira Leite, eleita com um terço dos votos do seu partido, não foi capaz de federar os outros dois terços. As listas aprovadas anteontem são de uma eloquência assustadora.