Por Rogério Costa Pereira | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 16:31

Recebi vários comentários indignados ao artigo que escrevi para o Diário Económico, dos quais infra transcrevo, por representativo, o do leitor MFU.

 

“E ainda vem para aqui o Sr. Rogério com a preocupação fundamental da justiça, que é a que magistrado passa por cada porta! É o PS no seu melhor, e daí a justiça e o país estarem como estão. Dia 27 de Setembro levam a resposta, se não arrepiarem caminho! Ao menos, se são militantes activos da causa PS, deviam fazer o que os Ministros deste governo não fazem, que é ir ao local e verem com os seus próprios olhos a realidade, falarem com as pessoas, e não se ficarem pela rama opinativa. É o mínimo que se exige a quem quer abordar um assunto com conhecimento de causa!”

 

Passe a demagogia e pouca polidez da questão, sempre lhe direi que não me preocupo por aí além - só um bocadinho - com a porta por onde entram, para a sala de audiências – foi a essa porta que me referi –, os magistrados. Utilizei aquela imagem – que julguei acessível –, porque a entendi representativa de algumas misturas inadequadas (ainda que só formalmente) entre alguns juízes e alguns procuradores (que nem sequer serão a regra). Desde logo, esta entrada pela mesma porta e tudo o que a mesma representa, só é aceitável vista por quem não tem oportunidade de a ela assistir, porque sujeito da acção. Como advogado, gostava de ter (sempre) a certeza que o procurador toma conhecimento da sentença no exacto momento em que a mesma é lida pelo juiz, não no gabinete dum ou doutro, mas na sala de audiências – sou mesmo um tipo de formalismos. Gostava de entrar no gabinete do juiz ao mesmo tempo que o procurador, e não depois. Gostava, enfim, de um dia ter na mesa ao lado, virado para o juiz, um procurador que entrou pela mesma porta que eu. Assim talvez deixasse de ter de ver as duas magistraturas a segredarem, sempre que lhes apetece, durante as sessões de julgamento. Há portas que são mais que portas, e entender isso seria de exigir a alguém que parece demonstrar ter tanto conhecimento de causa. O leitor MFU devia um dia acompanhar um julgamento ao lado de um advogado – talvez assim percebesse as portas do Sr. Rogério, que anda há 14 anos, quase diariamente, no local, a ver com os seus próprios olhos a realidade. Do lado de lá e um degrau abaixo, mas no local.

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