Por Gonçalo Pires | Quarta-feira, 05 Agosto , 2009, 15:21

O ruído de fundo que se ouve há muitos anos em Portugal decreta, por fatal incompetência, um miserável destino ao povo Português. Somos mais pobres, pouco qualificados, não queremos trabalhar e estamos sempre muito endividados. A voz da consciência crítica Portuguesa é muito lesta no diagnóstico e ainda mais expedita a apontar os responsáveis. Os nossos políticos são incompetentes. 

 

Não se deve exigir aos nossos marretas que apontem caminhos, que encontrem soluções ou que resolvam os nossos problemas. No entanto, dever-se-á exigir que sejam um pouco mais desenvoltos a explicar ao povo os méritos de algumas das políticas públicas mais inovadoras perseguidas por Portugal nas últimas décadas. Falo das energias renováveis, do choque tecnológico, especialmente na educação, e da mais recente aposta no carro eléctrico.     

 

Confesso, gostava de ouvir o Medina Carreira falar do impacto das renováveis no nosso deficit externo, gostava de ouvir dos nossos 28 economistas credíveis uma explicação sobre a importância de um provável sucesso do carro eléctrico na economia Portuguesa, sobre a importância da aposta do choque tecnológico na educação para um crescimento mais qualificado nas próximas décadas, gostava de os ouvir a criticar estas políticas como ouvimos em tempos uns miserabilistas assumidos a criticar o investimento em comboios no século XIX.

 

Tudo isto por causa dos últimos textos da Palmira que tocam num ponto fundamental. Quando se faz algo de inovador, arrojado, que envolve mais risco que certezas, está-se exposto às críticas dos cépticos profissionais, imortalizados pela nossa história como os velhos do Restelo.  Ridicularizar os projectos que não podem ser suportados pelas melhores práticas, simplesmente porque não existem exemplos para guiar a nossa acção, podem até ser acertadas, mas excluem o mérito de quem tenta chegar primeiro, crítica fundadora de quem tenta explicar o nosso miserável destino.    

 

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henrique pereira dos santos a 5 de Agosto de 2009 às 17:13
Visto que o único comentador do post da Palmira para que remete este fui eu, e visto que já apresentei quer em comentários a posts de Carlos Santos, quer a outro post da Palmira, objecções de fundo a que nenhum se dignou responder pode ser que aqui o autor do post queira ter a maçada de me responder.
As energias renováveis não devem ser analisadas como se fossem uma entidade homogénea porque incluem a hídrica (perfeitamente dominada e competitiva mas com impactos ambientais não negligenciáveis), a água quente solar (perfeitamente dominada e competitiva), a eólica (comercialmente madura e com algum déficit de competitividade que é razoavelmente suportado nas tarifas se os governos quiserem), a fotovoltaica (dominada mas muito pouco competitiva, sobretudo em grandes centrais e não em produção descentralizada) e várias outras.
Produzir muita energia a partir de fontes renováveis não tem nada de inovador: é uma questão de preço de compra ao produtor. O que este Governo fez (aliás na sequência, sobretudo em relação à eólica, dos três ou quatro governos anteriores) foi subir os preços ao produtor, induzindo investimento e produção.
Ao mesmo tempo, e este é um problema de fundo, impediu administrativamente que este maior preço na produção se reflectisse totalmente no preço que paga o consumidor o que, para além de agravar o problema que já existia do défice tarifário, impediu os ganhos de eficiência a que os preços altos dão origem.
Ou seja, e seria preciso fazer as contas para saber o que verdadeiramente está a acontecer, temos uma vantagem na diminuição de importação de produtos petrolíferos que vai em paralelo com uma diminuição de competitividade dos nossos outros produtos, que decorre de uma energia mais cara.
Por mim, que sempre defendi a utilização de energias renováveis, a política energética deste governo está errada ao preferir subsidiar a produção, em especial eólica, em detrimento da eficiência energética e da água quente solar (para a qual acordou em fim de mandato, o que já não é mau).
Mas estando errada neste aspecto (e na proibição de fazer reflectir no preço do consumidor o preço real de produção) é positiva no que diz respeito à eólica (penso que há uma discussão de razoabilidade de limites na sua subsidiação, mas enfim...).
Ora o carro eléctrico não tem nada com isto, nem com o ambiente.
O carro eléctrico, nos termos em que foi feito, não enquanto conceito, é uma opção feita pelo Governo para captar um investimento industrial, pagando em assumpção de riscos empresariais. Exactamente o mesmo que o Estado fez com as pilhas de hidrogéneo (cuja fábrica fechou sem abrir) e com a Quimonda.
Por mim discordo da vocação do Estado enquanto tomador de riscos empresariais.
É uma concepção do Estado, não tem nada com velhos do Restelo, inovação e essas coisas todas.
henrique pereira dos santos

Gonçalo Pires a 6 de Agosto de 2009 às 09:14
Caro amigo,
. As energias renováveis são uma aposta decisiva deste governo e não sou eu que o digo, são as análises comparativas feitas aos países europeus que destacam Portugal como um país de referência.
. Parece concordar com o mérito desta aposta apenas tem alguma relutância em qualificar a aposta de inovadora. Imagina-se à quatro anos, quando a aposta foi feita, a fazer o mesmo comentário? Acho que não.
. Subsidiar o produtor é fundamental para incentivar o crescimento da capacidade instalada. À medida que as diferentes formas de gerar energia vão maturando, os prémios de risco do investimento nessa capacidade instalada vão descendo e o subsídio também. Veja-se o caso da energia eólica. Logo, o subsídio à produção (via deficit tarifário) acompanha as condições de mercado e o willingness to invest dos produtores.
. Não sendo um especialista, parece-me que o subsídio na energia solar, que tem a sua preferência, é maior que na eólica.
. O deficit tarifário terá que ser pago pelo consumidor ou pelas empresas ou pelo estado. Parece-me inevitável que o consumidor verá, mais tarde ou mais cedo, o impacto na tarifa. Esquece-se no entanto, que o país ganha com um pool de energia menos poluente. Principalmente se admitirmos um sistema de cap and trade europeu.
. O carro eléctrico é uma opção feita por este governo. Nisso está certo. Mas não porque seja o governo a produzir os carros. Apenas porque existe uma aposta POLÍTICA na promoção de veículos não poluentes. Mas também porque se conseguirmos induzir o consumo, não atrairemos apenas investimento directo estrangeiro (exemplo baterias da Nissan) mas uma industria PORTUGUESA que beneficiará da aproximação desse pólo industrial e de inovação. Muito do que se fará na industria do carro eléctrico ainda poderá não estar inventado. O governo ao apostar no carro eléctrico beneficia não só o país (consumo de petróleo, poluição) mas também uma industria que será (se resultar) no futuro de grande dimensão, mas também os produtores de energia que Portugueses que substituirão as bombas de gasolina.

Um abraço,
Gonçalo

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