Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

SIMplex

SIMplex

05
Ago09

Profissão: Céptico

Gonçalo Pires

O ruído de fundo que se ouve há muitos anos em Portugal decreta, por fatal incompetência, um miserável destino ao povo Português. Somos mais pobres, pouco qualificados, não queremos trabalhar e estamos sempre muito endividados. A voz da consciência crítica Portuguesa é muito lesta no diagnóstico e ainda mais expedita a apontar os responsáveis. Os nossos políticos são incompetentes. 

 

Não se deve exigir aos nossos marretas que apontem caminhos, que encontrem soluções ou que resolvam os nossos problemas. No entanto, dever-se-á exigir que sejam um pouco mais desenvoltos a explicar ao povo os méritos de algumas das políticas públicas mais inovadoras perseguidas por Portugal nas últimas décadas. Falo das energias renováveis, do choque tecnológico, especialmente na educação, e da mais recente aposta no carro eléctrico.     

 

Confesso, gostava de ouvir o Medina Carreira falar do impacto das renováveis no nosso deficit externo, gostava de ouvir dos nossos 28 economistas credíveis uma explicação sobre a importância de um provável sucesso do carro eléctrico na economia Portuguesa, sobre a importância da aposta do choque tecnológico na educação para um crescimento mais qualificado nas próximas décadas, gostava de os ouvir a criticar estas políticas como ouvimos em tempos uns miserabilistas assumidos a criticar o investimento em comboios no século XIX.

 

Tudo isto por causa dos últimos textos da Palmira que tocam num ponto fundamental. Quando se faz algo de inovador, arrojado, que envolve mais risco que certezas, está-se exposto às críticas dos cépticos profissionais, imortalizados pela nossa história como os velhos do Restelo.  Ridicularizar os projectos que não podem ser suportados pelas melhores práticas, simplesmente porque não existem exemplos para guiar a nossa acção, podem até ser acertadas, mas excluem o mérito de quem tenta chegar primeiro, crítica fundadora de quem tenta explicar o nosso miserável destino.    

 

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Gonçalo Pires 06.08.2009

    Caro amigo,
    . As energias renováveis são uma aposta decisiva deste governo e não sou eu que o digo, são as análises comparativas feitas aos países europeus que destacam Portugal como um país de referência.
    . Parece concordar com o mérito desta aposta apenas tem alguma relutância em qualificar a aposta de inovadora. Imagina-se à quatro anos, quando a aposta foi feita, a fazer o mesmo comentário? Acho que não.
    . Subsidiar o produtor é fundamental para incentivar o crescimento da capacidade instalada. À medida que as diferentes formas de gerar energia vão maturando, os prémios de risco do investimento nessa capacidade instalada vão descendo e o subsídio também. Veja-se o caso da energia eólica. Logo, o subsídio à produção (via deficit tarifário) acompanha as condições de mercado e o willingness to invest dos produtores.
    . Não sendo um especialista, parece-me que o subsídio na energia solar, que tem a sua preferência, é maior que na eólica.
    . O deficit tarifário terá que ser pago pelo consumidor ou pelas empresas ou pelo estado. Parece-me inevitável que o consumidor verá, mais tarde ou mais cedo, o impacto na tarifa. Esquece-se no entanto, que o país ganha com um pool de energia menos poluente. Principalmente se admitirmos um sistema de cap and trade europeu.
    . O carro eléctrico é uma opção feita por este governo. Nisso está certo. Mas não porque seja o governo a produzir os carros. Apenas porque existe uma aposta POLÍTICA na promoção de veículos não poluentes. Mas também porque se conseguirmos induzir o consumo, não atrairemos apenas investimento directo estrangeiro (exemplo baterias da Nissan) mas uma industria PORTUGUESA que beneficiará da aproximação desse pólo industrial e de inovação. Muito do que se fará na industria do carro eléctrico ainda poderá não estar inventado. O governo ao apostar no carro eléctrico beneficia não só o país (consumo de petróleo, poluição) mas também uma industria que será (se resultar) no futuro de grande dimensão, mas também os produtores de energia que Portugueses que substituirão as bombas de gasolina.

    Um abraço,
    Gonçalo
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.