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SIMplex

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04
Ago09

O que, de facto, preocupa Louçã

João Pinto e Castro

É muito provável que, nas próximas eleições, os partidos da esquerda obtenham, em conjunto, uma votação bem acima dos 60%.

Porém, sendo também possível que o PS não consiga a maioria absoluta, não é óbvio que a esquerda possa tirar vantagem de uma maioria tão dilatada.

Já se sabia que não se pode contar com os comunistas para formar governo. Ficámos recentemente a saber que, enquanto Louçã mandar, tampouco o Bloco estará disponível para coligações ou negociações, tentações do demo que não têm cabimento  no seu vocabulário.

De modo que há quem se entusiasme com a eventualidade de um governo de bloco central patrocinado pelo Presidente da República.

Imaginemos, porém, que, mesmo sem maioria absoluta, o PS se abalança a formar um governo com um programa susceptível de concitar um vasto apoio entre independentes de esquerda.

Como poderá Louçã justificar a oposição sistemática do Bloco a um tal executivo? Como conseguirá manter unido o seu grupo parlamentar durante quatro anos? Como evitará a deserção de apoiantes cansados de uma actividade política sem sentido útil visível para além da exibição mediática dos dirigentes do BE?

A novela Joana Amaral Dias, concebida, escrita e representada por Francisco Louçã, é um sinal antecipado do seu receio de fuga de muita gente insatisfeita com o beco sem saída de uma política orientada pelo rancor e pelo ressentimento.

O Bloco vai ter que portar-se como gente crescida, exigência tanto mais evidente quanto maior for a sua votação. Não há futuro para os meninos da Terra do Nunca.

Ou viabiliza uma solução governativa de esquerda, ou viabiliza uma solução governativa de direita. Game over.

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