Por Bruno Reis | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 20:35

É simplex, precisamos de um Governo do século XXI para lidar com os problemas do século XXI.

 

Precisamos de um reformismo pragmático forte. Precisamos de guarantir que esse reformismo é de esquerda. É feito com consciência social, como se viu ser o caso do PS, por exemplo, no rendimento mínimo, no complemento solidário de reforma, no aumento do salário mínimo, e na proposta recente de um apoio às famílias mais pobres.

 

Não se pode abandonar as classes médias. Mas um governo de esquerda progressista tem de governar sobretudo pelo progresso e não simplesmente pelos direitos adquiridos. (A aristocracia também os tinha aquando das revoluções liberais). Tem de governar pelos mais pobres e pelo reforço da igualdade de oportunidades através da educação semeando Novas Oportunidades.

Precisamos de comboios do séc. XXI como precisamos de um aeroporto do séc. XXI. Precisamos deles para atrair mais turistas, mais negócios, e usar fundos europeus enquanto eles estão disponíveis e para aquilo que estão disponíveis. Isso não implica investir menos na educação, ou no apoio ao desenvolvimento tecnológico ou à formação de clusters em áreas estratégicas como a energia. Precisamos de carros do século XXI, como se viu com o estratégico negócio com a Nissan.

 

Também no século XIX houve muito intelectual ilustre - Alexandre Herculano, por exemplo - a ver nos comboios e nas dívidas feitas pelo Estado para os construir um luxo demasiado para Portugal. Agora há quem defenda que devemos ficar-nos por esses comboios precisamente com os mesmos argumentos de há um século atrás. Mas nem esses teríamos se o mesmo tipo de raciocínio paralisante tivesse sido seguido.
 

O PS é a única opção de governo que se atreve a ideias arrojadas - por isso naturalmente arriscadas - para tornar Portugal mais capaz de lidar com os sérios desafios do século XXI. 

 

O país não pode ficar adiado à espera que o PSD e a sua líder se decidam. Decisões perfeitas não há. Governos perfeitos também não. Na política, mais ainda do que no resto, o óptimo não só é inimigo do bom, mas frequentes vezes é aliado dos piores males.


Há que estudar e consultar peritos sim. Mas também há que decidir politicamente. Estudos e projecções há-os para todos os gostos, melhores e piores, com projecções por alto ou por baixo. O impacto de investimentos enormes e inovadores é quase impossível de calcular rigorosamente. Há sobretudo que procurar fazê-los o melhor possível, respeitando o mais possível o orçamento, e preparando as coisas para daí tirar o máximo de rendibilidade. É isso que o PS deve e parece querer fazer.


Grandes economistas explicaram a Mário Soares em 1977 que era demasiado cedo para Portugal pedir a adesão à CEE.  Em 1985 Cavaco Silva e o seu PSD achavam que se calhar havia que repensar os termos da adesão à CEE. O que teria sido do país se o PS tivesse hesitado então nas suas opções progressistas, arriscadas como eram?

 

O PS é por um Estado melhor ao serviço de todos. Não ataca os funcionários públicos, médicos ou professores (embora pudesse ter deixado isso mais claro - a comunicação está longe de ser o forte deste governo, ao contrário do que por aí se diz). Quer prestigiá-los defendendo o mérito e promovendo uma exigente e trabalhosa eficácia na defesa da Saúde e da Educação Públicas.

 

O PSD (parece) não querer saber destas reformas do Estado (aparentemente) porque tenciona privatizar quase tudo segundo o que a sua líder talvez tenha dito (nunca se sabe até Pacheco Pereira interpretar), retirando dinheiro do sistema público. O PSD (parece) querer muito menos despesa pública, mas não explica como - e tal corte só parece possível com despedimentos em massa. O PSD parece querer tudo e o seu contrário para agradar a todos. O PSD (parece) não quer ter programa até o mais próximo possível das eleições, e não deixar falar (muito) a líder. Isto não é uma política de verdade mas de ocultação. Para oculto basta-nos o D.Sebastião.
 

O Bloco e PCP são hoje partidos essencialmente reaccionários. Acreditam poder regressar a 1975, quando a mesma extrema-esquerda quase arruinou o país. Querem brincar à guerra de classes em vez de resolver os problemas do século XXI. Não previram a crise actual e não têm remédios para ela. São como os relógios parados que dão a hora certa duas vezes ao dia.

 

Deixo ainda uma última e decisiva razão do meu simplex envolvimento. Portugal ainda só é meio democrático. Já aprendeu a respeitar a oposição e a crítica ao governo. Ainda não aprendeu a respeitar os direitos de quem apoio o Governo, que são frequentemente tratados de vendidos e ambiciosos para baixo. O oposicionismo pueril de boa parte dos nossos media e de muitos comentadores políticos é actualmente a mais pesada herança do Estado Novo por via desses heróis retroactivos da Oposição à ditadura.
 

Qual teria sido o tratamento dado à agressão a Vital Moreira se fosse a alguma personalidade da oposição? Que teria afirmado Pereira se os tiros durante um comício do Primeiro-Ministro tivessem ocorrido num comício da oposição? Defender um PS e um Governo que não só decide, mas que procura fazer reformas dificeis é tudo menos SIMpleX!


 

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