Por Tomás Vasques | Domingo, 02 Agosto , 2009, 16:51

 Francisco Louçã é o BE. No processo de construção e consolidação do «partido» do «socialismo do Século XXI», o grupo trotskista de Louçã – o PSR – meteu no bolso os maoistas de Fazenda e os ex-comunistas de Portas. O que é natural, já que os outros atravessavam uma «crise de identidade» ideológica e política, enquanto Louçã se mantinha fiel, como sempre, ao seu «mestre» e à Internacional trotskista. Fazenda e o seu grupo, sem Mao Tsé Tung e Henver Hodja, perderam o rumo «revolucionário»; Miguel Portas, sem a disciplina férrea do PCP, entrou em «transição». O que aqui releva é o gato escondido com Louçã de fora. Muitos dos eleitores do BE, armados do «romantismo de esquerda» não param para pensar no que é essencial: que tipo de sociedade é que o BE deseja construir. Louçã, ao longo destes últimos 40 anos, e sobretudo nos últimos 10 anos, em declarações e entrevistas, já disse tudo o que tinha a dizer: nacionalizar os sectores estratégicos da economia, a começar pelo sistema financeiro e, assim, fazer depender do Estado toda a Economia; acabar com os ricos e com o lucro das empresas privadas; «aprofundar» a democracia participativa, o que interpretado à moda de Moscovo, dos anos 20, de Havana, nos anos 60, ou em Caracas nos dias que correm, significa os «comités de bairros» a perseguirem todos os que se opõem ao «regime», enquanto as instituições democraticamente eleitas, como o Parlamento, vão definhando no processo. O «socialismo do século XXI» é uma mera adaptação à «realidade concreta» de um processo de soviétização da sociedade portuguesa. Não há meio-termo, por muito que almas bem intencionadas se esforcem. O argumento de que o BE é uma facção do «socialismo de esquerda» e é parte da «esquerda democrática» é areia nos olhos. Mas, o pior, é que, quem hoje contribui para o crescimento eleitoral do BE, amanhã – se os amanhãs pudessem cantar – seriam os primeiros a amaldiçoar a sua sorte, como aconteceu em Havana e hoje está a acontecer em Caracas.  

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Carlos Vidal a 2 de Agosto de 2009 às 19:14
E qual é o problema em não pertencer e não querer pertencer à "esquerda democrática", ó conquilha??

Tomás Vasques a 2 de Agosto de 2009 às 20:39
Carlos Vidal: bem-vindo. É claro que não há problema nenhum, antes pelo contrário. Ou melhor, o problema é não dizerem as reais intenções. Agora venderem gato por lebre é que não está certo, nem num restaurante em Canal Caveira. Agora , com falinhas mansas, tipo «somos da esquerda democrática e socialista » é que não dá. Um abraço.

Carlos Vidal a 2 de Agosto de 2009 às 23:16
O problema é que vocês nem a democracia representativa e parlamentar sabem respeitar; sinteticamente, há dois indicadores: (i) a forma como têm ofendido com ressabiamento absurdo uma pessoa que apenas é culpada de não ter aceite um convite do PS; (ii) que posse é essa (ou que forma de posse é essa) de um conceito como o da "esquerda", que vos permite dividi-la entre "democrática" e "revolucionária", sendo que o pecado do BE é apenas o de pretender um pouco mais de Estado que vocês aqui? Quem vos mandatou para traçar uma fronteira a partir da qual não se é democrático e se passa a revolucionário?? Que arbitrariedade é essa?
Quem é antidemocrático aqui, quem rotula os outros com tanta facilidade e sem substância nenhuma?

Tomás Vasques a 2 de Agosto de 2009 às 23:26
A História faz a linha divisória. Não tarde nada está o Carlos a perguntar-me, seguindo esse fio de raciocínio , quem sou eu - ou quem somos nós - para «antidemocraticamente» decidir que a Alemanha nazi era um regime fascista, ditatorial, totalitário?

Carlos Vidal a 2 de Agosto de 2009 às 23:38
Lá está, eu tinha razão no tom provocatório do primeiro comentário.
Não se pode falar com "simplexes": a sua resposta é absurda, foge ao assunto através de caricatura intimidatória.
Mas denota pouca capacidade argumentativa.
Nada tem a ver com o que escrevi.
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