Por Hugo Costa | Domingo, 02 Agosto , 2009, 02:00

 

 


Joaquim Amado Lopes a 4 de Agosto de 2009 às 18:43
JAL "Se se fôr minimamente responsável (o que se exige a todos os adultos), a possibilidade de gravidez é ínfima, com os meios actualmente disponíveis."
"Dois pontos:
"a) e se não for adulto?"
A Lei anterior já previa uma excepção para o caso de a gravidez constituir um risco para a sua saúde (física ou psíquica) da mulher/jovem. Convém não misturar situações de força maior com "por opção da mulher".

"b) "infima" não significa impossível. Para mim é bastante simples (dentro da simplicidade que se pode ter): enquanto não inventarem um botão "on-off" (que estaria no modo normal em "off") para parar a parte reprodutiva é muito dificil que eu seja contra a IVG. Isto porque eu acredito piamente que um filho deve ser fruto de um desejo, de um projecto, deve ser uma opção consciente e responsável e não um "precalço" como a MFL diz. A diferença entre fazer uma IVG e ter um filho, é que num interrompe-se um processo que conduzirá a uma vida humana (não se trata de um terceiro nem de matar ninguém), enquanto no outro significa trazer a este mundo um ser humano que tem uma existência, emoções, que terá expectativas, tristezas e alegrias. E isso tem de ser sempre uma decisão e não uma obrigação derivada de um "precalço"!"
Ponto 1. A cada momento da nossa vida tomamos decisões baseadas na nossa análise pessoal do custo/benefício ou risco/recompensa. O Stran pode querer escolher as opções que lhe sejam colocadas mas isso quase nunca é possível. Não quer de forma alguma ter uma criança? Existem meios/opções para garantir que nunca seja colocado perante essa situação. Nenhuma das opções é aceitável para si? Então aceita o risco de gerar uma criança (ou feto, se preferir). Gerou a criança mas não a quer criar? Dê-a para adopção. Não a quer criar nem dá-la para adopção? Chegou ao ponto em que a sociedade tem que dizer:
a) Vai em frente e aborta ou
b) Lamentamos mas existem alternativas em que o custo para a sociedade é menor e não podemos deixá-lo fazer isso.

O Stran defende que a sociedade diga a). Eu, pelo que essa opção isso representa em termos de violação do princípio da protecção da vida humana, acho que "porque não quero" não é motivo aceitável, considerando as alternativas.

Ponto 2. Essa do "não se trata de matar ninguém" não é consensual. Naturalmente, não se pretende igualar o valor de uma vida humana formada, consciente e actuante com a de um feto, um ser humano em formação. Mas não realizar um aborto cuja única justificação é "por opção da mulher" não condena nenhuma vida nem tráz consequências necessariamente nefastas para ninguém.

Ponto 3. A "IVG" (como é que se pode dizer que é uma "interrupção" se não se pode recomeçar?) é "interromper um processo que conduzirá a trazer a este mundo um ser humano que terá existência, emoções, que terá expectativas, tristezas e alegrias".

Ponto 4. Muitíssimos nascimentos são fruto de "percalços", seja pela não-opção consciente e responsável, seja pela oportunidade.

JAL "É contra essa ideia de que só temos que estar à altura das responsabilidades que a cada momento escolhemos que eu me revolto."
"E faz bem! Só que está a partir do pressuposto que o IVG é um acto irresponsável, muitas das vezes o acto irresponsável é continuar a gravidez!"
E o Stran está a partir do pressuposto de que a "IVG" nunca é um acto irresponsável.

JAL "Os mesmos cientistas apontam um momento anterior a esse para a viabilidade do feto."
"Um favor que lhe pedia era quando comentasse o que escrevi, não se desviasse do próprio tema que questionou. (...) Não falei em viabilidade."
Mas eu comentei o que escreveu. Não sendo médico, parece-me muito pouco provável que um feto/criança/o_que_lhe_quiser_chamar tenha os órgãos suficientemente desenvolvidos para poder sobreviver fora do útero mas seja ainda incapaz de sentir dôr.
Quanto mais não seja porque, segundo http://www.webmd.com/baby/healthtool-fetal-development-timeline, às 12 semanas o feto começa a fazer movimentos e às 20 o sistema nervoso começa a funcionar.
Nunca viu imagens de fetos a reagirem a estímulos exteriores? Eu já. E tinham muito menos de 26 semanas.

(continua)

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