Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

SIMplex

SIMplex

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Joaquim Amado Lopes 02.08.2009

    O roubo, a corrupção, a fraude, o homicídio, o infanticídio, a violação e a pedofilia também devem ser vistos "à luz de uma ética da responsabilidade"?

    A sociedade tem Leis precisamente porque pessoas diferentes têem uma visão diferente da ética e da responsabilidade. Para estabelecer um padrão mínimo a partir do qual se possa construir uma sociedade em que a liberdade de uns não comprometa a liberdade ou a segurança dos outros, particularmente dos mais fracos.
    Nas questões em que não há consenso e em que estão em jogo vidas humanas, impõe-se o princípio da precaução, o de não avançar por caminhos de que não haja caminho de volta.

    Que casal pode responder com um mínimo de certeza à pergunta "somos capazes de dar a este futuro filho boas condições para o seu crescimento e desenvolvimento"?
    Quem pode garantir que as circunstâncias não evoluem, para o melhor ou para o pior?

    Um casal que, no início da gravidez, responda afirmativamente à pergunta que colocou pode passados alguns meses tomar a decisão inversa? Apenas antes do parto ou também depois? Até quanto tempo depois do parto?

    Deve uma família poder perguntar-se algo de semelhante relativamente a um idoso ou um doente?

    A Vera deve tomar em consideração que a Lei actual não foi feita para proteger quem opta pelo aborto em caso de necessidade. Foi desenhada especificamente para quem quer abortar sem ser em caso de necessidade.

    Alguns argumentarão que esse é o preço por não ser legítimo questionar uma mulher pelo que a leva a tomar a "decisão mais difícil que uma mulher pode tomar". Mas esse argumento não é sustentável.
    Uma decisão muito difícil para uns é extremamente fácil para outros. E a experiência mostra-nos que há quem não tenha qualquer problema em optar pelo aborto, mesmo não se encontrando em situação de dificuldade.

    Esta decisão em particular envolve terceiros, que não podem ser ouvidos e que o Estado devia ser obrigado a proteger.

    Há pessoas para quem o feto é como um dente, que pode ser arrancado e deitado para o lixo sem quaisquer problemas de consciência.
    Mas, a seguir esse critério, convém definir muito bem quando é que um feto deixa de ser como um dente, por que razão deixa de o ser e por que razão deixa de o ser nesse momento em particular.
    Essa discussão foi sempre recusada pelos defensores do aborto a pedido mas não pretenda que é uma discussão que não tem que ser feita. E, até ser feita, a opção pela despenalização do aborto a pedido, pago e promovido pelo Estado, é irresponsável.
  • Imagem de perfil

    Vera Santana 03.08.2009

    Joaquim Amado Lopes,

    Vou ser concisa.

    1. Votei a favor do SIM à despenalização do aborto.

    2. Relativamente à pergunta que eu acho que deve ser colocada por quem se encontra na situação de uma gravidez indesejada, digo o seguinte:
    [Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

    Joaquim Amado Lopes, <BR><BR>Vou ser concisa. <BR><BR>1. Votei a favor do SIM à despenalização do aborto. <BR><BR>2. Relativamente à pergunta que eu acho que deve ser colocada por quem se encontra na situação de uma gravidez indesejada, digo o seguinte: <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>2.a</A> . não faz para mim qualquer sentido a linha divisória que separa o embrião do feto; <BR><BR>2.b. a IVG deve ser feita o mais precocemente possível; <BR><BR>2.c. a decisão de fazer/não fazer uma IVG é por mim colocada num ponto em que a ética da convicção - "trata-se de uma vida futura" - se encontra com a ética da responsabilidade - "e eu/nós posso/podemos dar um futuro a essa vida futura"?. <BR><BR>3. Somos seres dotados de alguma racionalidade, o que quer dizer que somos capazes de projectar um futuro possível (com graus de erro) e de agir - não só mas também - em função dessa antevisão racional do futuro. <BR><BR>Pelo que fica dito, transparece, creio, que eu penso que fazer um IVG é uma opção trágica mas, por vezes, necessária. Como na guerra, quando um comandante tem de se decidir por uma estratégia delineando um cenário segundo o qual morrerá o menor número possível de pessoas. <BR><BR>Se, inversamente, o tal comandante for pelo caminho único da ética da convicção pode levar o regimento (ou o batalhão) todo à morte.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.