Por André Couto | Sábado, 01 Agosto , 2009, 14:43

Joana Amaral Dias (JAD) tem um ego necessitado de muitos olhos e penas a ele dedicados. Não é defeito, é um feitio criticável e louvável como qualquer outro.
Em entrevista à SIC reafirmou ontem o convite que lhe terá sido feito por Paulo Campos, Secretário de Estado das Obras Públicas. Repito então a pergunta que me surgiu há dias: porque não reagiu assim quando há dois anos foi convidada para ser mandatária da candidatura de Mário Soares?
Desde essa altura JAD desapareceu da vida do Bloco de Esquerda. O auge deste ocaso deu-se no último Congresso quando foi afastada da Mesa Nacional do Partido e, mais grave que isso, excluída a sua imagem dos vídeos que incessantemente passavam com a história do Bloco de Esquerda.
Não mais se vira JAD, mas eis que ressurge envolta em polémica, bem ao seu gosto. É a estrela do Verão político!
JAD foi sondada, felizmente. Orgulho-me que o Partido Socialista esteja activo na busca de mais valias independentes na Sociedade Civil. JAD apoiou Mário Soares contra o candidato do seu Partido, foi excluída da Mesa Nacional e raramente tem sido vista como rosto do Bloco de Esquerda. Há mal que seja sondada integrar as Listas do Partido Socialista?
Compreendo que em plena crise existencial a Joana tenha chegado ao pé do Francisco e dito: "Estás a ver! Não me queres nas Listas mas eles querem! Não tenhas cuidado, não...". O que queria é que a Joana e o Francisco compreendessem que o País não tem nada a ver com essas ciumeiras e muito menos com a crise de identidade de um Bloco que, consumido em questiúnculas internas e sem identidade própria una, vê fugir ou ameaçar de fuga os seus melhores quadros.
Felizmente JAD agiu desta forma. É que estou certo que o seu ego seria incompatível com o compromisso que o Partido Socialista lhe propunha. Mais tarde ou mais cedo daria asneira.

 

(Também no Delito de Opinião)


Politikos a 1 de Agosto de 2009 às 15:38
Tenho. Acha que não?

André Couto a 1 de Agosto de 2009 às 15:48
Calculo então que para si estar disponível para exercer uma determinada função é a mesma coisa que aceitar exercer essa mesma função.
Ou doutro prisma, que se sondar alguém da sua disponibilidade para trabalhar, suponhamos, numa empresa sua, não se sentirá minimamente melindrado se essa pessoa à sua sondagem responder imediatamente que aceita ainda que nada tenha concretizado. Estou certo?

Sugiro-lhe uma breve incursão pelo Código Civil, Livro I e Livro II. Deve bastar para perceber a diferença.

Politikos a 1 de Agosto de 2009 às 15:57
Agradeço a sugestão mas declino. A menos que me dê os artigos exactos a ler.
Qualquer debutante a namorado sabe que convém primeiro sondar a amiga para ver se há terreno fértil... Tb sabemos das incursões militares que em terrenos desconhecidos se costuma usar um batedor...
Foi isso que Paulo Campos fez, parece-me. A menos que esteja a ver os convites investidos de uma solenidade e de um formalismo que eles não têm...

André Couto a 1 de Agosto de 2009 às 16:09
Já está a avançar o suficiente para não precisar que lhe indique os artigos, até porque felizmente estou de férias e não o Código Civil comigo.
Disse e bem que "qualquer debutante a namorado sabe que convém primeiro sondar a amiga para ver se há terreno fértil...", saberá igualmente que se sonda também para saber mais e perceber se a ideia é boa ou não. É exactamente aí que queria chegar. Isso é COMPLETAMENTE diferente de fazer um convite para namorar, certo? Ou acha que dessa sondagem que exemplificou sai um vínculo e uma expectativa?

Por falar convite, quando diz que estes não são investidos de solenidade e formalismo não lhe possa dar total razão. Não são efectivamente assinados ou registados para fé pública, mas são obviamente traçados vários cenários e apostas várias "cláusulas", uma vez que o exercício do cargo de Deputado eleito pelas listas de um Partido conhece múltiplas condicionantes, quer se concorde com elas quer não. Não é fazer o convite, esperar o sim e seguir para bingo...

Politikos a 1 de Agosto de 2009 às 16:29
Nem sabe o que me poupa, não me indicando os artigos do CC. Apesar de não ter por aí o CC, tem - como se nota - acesso à net e o que não falta são CC... mas não se incomode a pesquisar... Sobre o articulado da resposta, e mesmo sem o conhecer, fazia bingo se me deitasse a adivinhar a sua formação...
Para eu próprio tentar perceber, v. vê a coisa assim:
1.º Há uma «sondagem» do Paulo Campos, a qual medidante um «sim» ou um «sim, mas», segue para «convite»;
2.º O «convite» seria então feito pelo próprio Sócrates ou por quem está a organizar as listas onde se discutiriam os termos concretos da aceitação.
Dando isto assim totalmente de barato, continuo a achar que a diferença é meramente semântica. E não duvide que comigo está a maioria dos que votam, viram e ouviram as declarações de Sócrates...
Ainda aguardo por ouvir a JAD referir-se ao tal «convite» - perdão «sondagem» - para outros cargos, designadamente o de presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência para chancelar ou não as acusações de Louçã sobre «tráfico de influências»... Mas - acredite - Sócrates não sai bem desta «fita» e Louçã, que inclusive me parece ter ido longe demais, sairá sempre melhor...

André Couto a 1 de Agosto de 2009 às 16:53
Continua a dizer que a diferença é meramente semântica, de qualquer forma noto que teve de abandonar o exemplo anterior que me deu onde lhe demonstrei que a diferença vai bem para além disso.
No caso que diz a diferença continua a não ser semântica. Paulo Campos foi sondar JAD, saber da sua disponibilidade, vontade e condições. Pode tê-lo feito por uma panóplia enorme de motivos como por exemplo por saber que o PS estava a querer incorporar independentes e se ter lembrado que ela seria uma boa solução. Posto isto falaria com quem de direito dizendo da ideia, da disponibilidade, das condições e quem de direito analisaria a questão.
Em JAD não nasceu qualquer tipo de expectativa merecedora de tutela porque efectivamente nenhum convite lhe foi feito, apenas uma sondagem. Como JAD saberá faria o convite quem tivesse investido dessa função, desse poder, doutra forma sentir-se-ia diminuída e com razão.

Se há coisa que acho ridícula é aquela argumentação do género "aquilo que eu penso é o que pensam todos os portugueses". Limite-se a pensar por si e a não trazer argumentos desses, frases que carecem de demonstração e cuja prova é impossível.
Fale por si que já me parece bastante...

Politikos a 1 de Agosto de 2009 às 17:17
Meu caro André. Não costumo adjectivar mto a argumentação que uso. É tb por isso que como diz atrás, e bem, as discussões nos blogues são complicadas. É exactamente nesse ponto, quando se começa a usar adjectivos tais como «ridícula» e outros coisas que tal, que as discussões começam a descambar. Não tenho, obviamente, nenhuma sondagem para o demonstrar. Poder-lhe-ia dizer que v. está errado quando diz que a prova é impossível. Não é e qualquer sondagem/estudo de opinão/inquérito ou similar o demonstraria. E se vamos para a falta de prova, v. tb não pode dizer, e diz, por exemplo, que a adesão da JAD ao PS daria asneira, porque não o pode provar... etc... Isso está por demonstrar, não será assim?
Sem querer arregimentar apoios, já que isto não passa de uma simples troca de impressões, o seu colega de blogue, Bruno Reis, acaba por fazer acima, em meu entender, uma análise ajustada a esta situação...
O exemplo que dei continua de pé, eu não disse que não havia diferença entre sondagem e convite, disse que a diferença era semântica... Deixe-me dizer-lhe ainda, saindo da questão da sondagem/convite sobre a qual manifestamente não chegaremos a acordo, que v. diz primeiro e sem demonstração - e eu concordo - que a relação JAD/PS daria asneira,
e depois diz que não o choca o eventual «convite» - vai com aspas - para o IDT devido ao seu CV e tal. Sinceramente - opinião não demonstrável - eu acho que o PS pagaria caro este apoio. Pois iria arranjar lenha para se queimar e criaria ali um problema futuro...
Boas férias

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