Por Vera Santana | Sábado, 01 Agosto , 2009, 10:08

     Cito o programa do XVII Governo Constitucional para 2005 – 2009:

·         Reforço da participação política das mulheres em todas as esferas de decisão, cumprindo o artigo 109º da Constituição e estendendo o seu entendimento à economia e à inovação.
E chamo a atenção para a forma como as mulheres políticas continuam a ser tratadas nos discursos mediáticos, nos discursos quotidianos e, last but not least, nos discursos de reflexão e análise política. Para o verificar, não é preciso sair deste nosso blogue. Os ataques a Joana Amaral Dias (em quem eu nunca votei) e a Manuela Ferreira Leite (em quem eu nunca votei) deixam passar ora subrepticiamente ora explicitamente apreciações extra-políticas, localizadas num factor, a idade. A primeira por ser uma jovem, a segunda por não ser uma jovem.
Parece que o “reforço da participação política das mulheres em todas as esferas de decisão” causa muitos engulhos aos “homens em todas as esferas de decisão”. Não podendo impedir a entrada nas arenas políticas e de poder, a reacção a estas protagonistas situa-se, ao nível do discurso, em qualificativos referidos ao corpo e ao suposto sex-appeal (ou à sua suposta ausência) das mulheres-na-política - sexy e velha – a partir dos quais são simbolicamente anuladas as competências que deveriam ser objecto de análise, as competências políticas.
Dir-se-ia que o factor tempo incide fortemente nos corpos femininos das mulheres políticas, incapacitando-as para o exercício do poder político quer por serem jovens (demais?) quer por terem idade (a mais?). No entanto, o tempo parece não se constituir como um factor que, incidindo nos corpos masculinos, os incapacita para o exercício do poder político. Muito pelo contrário, um jovem político “tem garra”, um político menos jovem tem “sabedoria e experiência”. O tempo de duração na vida política é outro factor a pesar na longevidade da permanência no campo político, se de uma mulher se tratar. De Helena Roseta disse-se - aquando do pacto com António Costa - estar gasta (na política? na vida? ou na política porque na vida?).
Falo de discursos e de rastos e restos de violência simbólica neles contida. Das práticas direi de minha justiça num outro post. Como não acredito na imutabilidade dos comportamentos humanos - imutabilidade baseada em correntes de pensamento vindas da sociobiologia -  quero crer que estes "discursos da testosterona" o não são. Serão, sim, produtos de "habitus" incorporados por processos de socialização que se reproduzem de geração em geração.  

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