Por Porfírio Silva | Terça-feira, 21 Julho , 2009, 14:40

Tem sido muito repetido que a crise internacional abanou fortemente a ortodoxia dominante. Que, curto e grosso, se resume ao "salve-se quem puder e vivam os vencedores". E esse abanão existe - e é salutar.

Não deixa de ser, contudo, menos certo que outras ortodoxias, vistas como menos dominantes por estes lados, também merecem cautelas. É que, apesar de ora arejarem os paletós e descerem à praça como se fossem os novos donos do reino, não ganharam na circunstância nenhuma legitimidade para tal. Pela simples razão de que a história mais recente, dos últimos meses ou anos, não deve fazer-nos esquecer as lições apenas um tudo nada menos recentes. Por exemplo, o fracasso das soluções centralistas e das visões que encarregam o Estado de tomar conta de tudo o que mexe. O que é o caso quando se sugere que certas empresas, dando lucro e pertencendo a sectores estratégicos, deviam "ser de todos" (c'est à dire, nacionalizadas) apenas por isso, como alguns sugeriram recentemente acerca da GALP e da EDP. Quando isso é puro esquecimento de que o mundo já mostrou ser mais complicado do que a cartilha promete.

É que, quem queira ousar governar, tem de saber evitar as armadilhas das ortodoxias fechadas - e não apenas das mais recentes. Para não nos acharmos, daqui a meio ano, suspensos sobre o nada e pendurados por frágeis lianas. Porque a pior esquerda do mundo continua a ser a esquerda que odeia os que tentam governar.


lindjona a 21 de Julho de 2009 às 15:08
Este blogue é uma lufada de ar fresco.
Obrigada

Antunes a 21 de Julho de 2009 às 15:36
Apesar de acompanhar com regularidade as várias discussões políticas na net, mais ainda nestes períodos em que as posições surgem habitualmente mais aguerridas nalguns sectores, aqueles em que vêm na manutenção do porder partilhado e na máquina bicéfala do estado a manutenção do seu status e da sua qualidade de vida por não possuirem mais valias que o compadrio e a manipulação e conluios económicos, há muito que não via um texto como este. Embrulhadinho em tecnlogia, recheado de lugares comuns, enfeitado com a demagogia de quem não tem coragem de se olhar ao espelho, esforço-me encontrar o seu conteúdo. Determinar a mensagem, que não a propagandística, sacudir a areia dos olhos e peneirar a sua essência. Quando a encontro, finalmente, percebo que tudo se resume a uma palavra: MEDO. Transpira medo, medo de quem sabe que tem tudo a perder, porque quando já se foi a dignidade, a honestidade, a capacidade de produzir algo útil, quando á única coisa que sobra é esse salva vidas e percebem que entre o poder e o fundo do mar apenas existe ar, vazio, sentem isso mesmo: o MEDO que inspirou as vossas palavras.

Odete Pinto a 21 de Julho de 2009 às 18:24
MEDO???

Como é possível ler/ver MEDO neste texto, neste pensamento? Só por má fé...

O que encontro neste belo texto é REALISMO.

Tenho sempre presente esta lapidar frase de Eça de Queiroz (um realista):
Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez crua da verdade

Ainda há quem NÃO queira ver a VERDADE (realidade) e a vá tapando com um manto de fantasia(demagogia).

A. S. Pereira da Silva a 21 de Julho de 2009 às 20:49
A táctica é chamar aos outros antes que nos chamem a nós?
Se é, acertou em cheio quando fala de demagogia.
Francamente... (Sendo que, em minha opinião, do que se trata, relativamente si, é de absoluta cegueira).

Odete Pinto a 21 de Julho de 2009 às 21:19
Táctica?
Não, penso pela minha cabeça e vejo a(s) realidade(s).
Apenas isso. As realidades que os meus 65 anos já me permitiram ver e pensar.

A. S. Pereira da Silva a 21 de Julho de 2009 às 21:36
Então V. tem um conflito insanável com a realidade, é isso.

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