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SIMplex

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28
Jul09

A CULTURA

Eduardo Pitta

Quem tenha lido o que escrevi nos últimos cinco anos, sabe que a ideia de um ministério da Cultura me parece coisa dirigista, pese embora a competência e o cosmopolitismo de alguns titulares: Francisco Lucas Pires, Pedro Roseta, Manuel Maria Carrilho e José António Pinto Ribeiro. (Vasco Pulido Valente foi SEC, o que não o impediu de criar a nova Torre do Tombo.) O Reino Unido e os Estados Unidos, para ficar por dois exemplos, nunca precisaram de ministérios da Cultura.

 

Mas é evidente que alguém tem de tomar conta do património. E apoiar os museus, a gestão das bibliotecas (dotando-as de fundos capazes), os leitorados no estrangeiro, as artes plásticas e performativas, a música, o teatro, o cinema e por aí fora. E para isso chegam três institutos, dotados de verbas compatíveis com o seu fim.

 

Um para o Património. Outro para as Bibliotecas. E um terceiro, dito da Cultura, para aquilo a que a direita tonta, quase sempre sem saber do que fala, gosta de chamar de subsídio-dependência.

 

Muita gente não reparava, mas o Instituto Camões, de quem depende a representação da cultura portuguesa no estrangeiro, foi até há muito pouco tempo tutelado pelo MNE. Um ministro sem verbas (o que representa 0,4% do OGE?) tem menos poder que o presidente de um instituto autónomo.

 

Com certeza que era preferível ter uma indústria de cinema (como já temos de novelas), teatros independentes dos humores do governo, artistas com bolsas que lhes permitissem criar sem obstáculos, etc. No fundo, o que fez a Gulbenkian no antigamente, quando não havia ministério da Cultura, o que não impediu dezenas de artistas de fazer a sua formação em Paris e Londres, porque a Fundação zelava pela cultura. Como não temos, o apoio do Estado é imprescindível. Mas não é por haver ministério da Cultura que o mundo pula e avança.