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SIMplex

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28
Jul09

Conservadores

João Galamba

«I am a  member of no political party. I vote – if I have to vote – for the party which is likely to do the least harm

 

Michael Oakeshott, citado por Nuno Miguel Guedes

 

Os conservadores adoram Oakeshott - adoram a sua elegância e depuração estilística, a sua moderação, o seu anti-aventureirismo. Mas a citação de Oakeshott tem um problema; aliás, é o conservadorismo em geral que me parece assentar num equívoco, sobretudo quando este se apresenta como uma disposição a-histórica e indiferente à apreciação da realidade concreta. Os conservadores tendem a considerar que só a mudança deliberada comporta risco e incerteza, esquecendo-se que a realidade na qual vivemos não é um dado adquirido e que, por isso mesmo, tanto a acção como a inacção são formas de intervir numa realidade em permanente mutação. Neste caso concreto, parece-me que o Nuno desvaloriza a realidade em que vivemos e parte de um conceito a-histórico de "harm", pois ignora todos os riscos associados ao não-fazer. Dir-me-ão: mas o conservador é prudente e corre menos riscos. Em geral, até pode ser verdade. Mas, no contexto actual, a prudência não é necessariamente uma forma de minimizar riscos; é apenas uma forma de não correr certos riscos, ignorando outros.

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