Por Sofia Loureiro dos Santos | Segunda-feira, 27 Julho , 2009, 22:46

 

Fenprof promete protesto no início do ano lectivo – não me espanta. A FENPROF não fez outra coisa desde 2005, quando se começou a falar das aulas de substituição, senão protestar.

 

Se há área em que o governo mexeu, e bem, foi na área da educação. Este governo tentou reformar o sistema público de educação desde que tomou posse. Para isso centrou a actuação na reestruturação da carreira docente dignificando-a e organizando-a em dois graus, dando aos mais experientes a possibilidade de terem funções mais específicas e diferenciadas, entre as quais a avaliação de desempenho dos colegas mais inexperientes.

 

Este princípio parece-me de tal forma óbvio que tenho dificuldade em perceber como é possível questioná-lo. No entanto a FENPROF, com todas as suas forças, combateu e combate o estatuto da carreira docente, porque acha que não deve haver vários graus na carreira; combateu e combate com todas as suas forças a avaliação do desempenho porque, na verdade, o reconhecimento do mérito não lhe interessa.

 

Mesmo que se modifique a estrutura da carreira, alterando o concurso de acesso a professor titular ou aumentando os graus da carreira, só o facto de se ter conseguido implementar este princípio é uma reforma estrutural importantíssima. Mesmo que o modelo de avaliação do desempenho seja modificado, simplificado ou complexificado, só o facto de se ter conseguido que se pensasse e fizesse uma avaliação de desempenho, é fundador de uma nova atitude e de uma nova exigência no serviço público de educação.

 

O ministério da educação e o governo foram acusados de autismo, autoritarismo e incompetência. Pois eu penso que a persistência, a coragem e a determinação nestas matérias foram uma marca de qualidade. Haverá que corrigir e melhorar muitas coisas, mas sempre com o sentido numa escola pública de qualidade, que é um dever do estado e o único meio de garantir igualdade de oportunidades a todos os cidadãos.

 

Nota: também aqui.

 


José Barros a 27 de Julho de 2009 às 23:39
«Para isso centrou a actuação na reestruturação da carreira docente dignificando-a e organizando-a em dois graus, dando aos mais experientes a possibilidade de terem funções mais específicas e diferenciadas, entre as quais a avaliação de desempenho dos colegas mais inexperientes.
Este princípio parece-me de tal forma óbvio que tenho dificuldade em perceber como é possível questioná-lo»

É tão óbvio, tão óbvio que num relatório de avaliação a OCDE já veio dizer que a avaliação dos professores devia ser externa, entenda-se, feita, não pelos pares, mas por um corpo externo de inspectores. Mas se a autora do post tem dificuldades em perceber as críticas da OCDE ao país das maravilhas que descreve do post, não será este meu comentário que a convencerá do contrário.


Hugo Mendes a 27 de Julho de 2009 às 23:52
"É tão óbvio, tão óbvio que num relatório de avaliação a OCDE já veio dizer que a avaliação dos professores devia ser externa, entenda-se, feita, não pelos pares, mas por um corpo externo de inspectores."

O José Barros está muito mal informado. A OCDE aconselhou a avaliação a ter um elemento externo - para além dos internos -, e não tem que ser inspector, pode ser um professor de outra escola (o que aliás o modelo do Governo já permite, se o professor o requerer).

José Barros a 28 de Julho de 2009 às 15:53
Basear a avaliação em três instrumentos centrais: observação de aulas, auto-avaliação e porta-fólio do docente;
Formar e capacitar as lideranças escolares para assumir a responsabilidade pela avaliação dos professores;
A avaliação de professores é parte de um processo mais abrangente de transformação de cada escola numa comunidade profissional de aprendizagem;
Reformular e aprofundar a formação em avaliação;
Acreditar avaliadores externos para a avaliação para a progressão na carreira; - Das conclusões do relatório da OCDE

Se bem me lembro, corrijam-me se estiver enganado, o modelo simplificado, que a ministra já disse ir estar em vigor no próximo ano, não prevê a obrigatoriedade da observação de aulas do professor, o que basicamente destrói um dos pliares em que a OCDE diz dever assentar o modelo de avaiação.

Assim como o relatório da OCDE defende a acreditação de avaliadores externos para a avaliação com impacto na progressão da carreira, o que é substancialmente diferente daquilo que o Hugo Mendes diz que o modelo actual prevê, isto é, a escolha do professor de ser avaliado por um professor de uma escola diferente.

Confirma-se, pois, a ideia de que a OCDE, embora aplaudindo a iniciativa do governo de avançar com a avaliação dos professores, critica o modelo nos seus aspectos fundamentais (desnecessidade da observação de aulas e avaliação feita pelos pares). O resto é propaganda.

s

Sofia Loureiro dos Santos a 28 de Julho de 2009 às 00:15
Talvez o José Barros precise de ler o relatório da OCDE com mais cuidado:
(…) “A avaliação de professores desempenha um papel essencial nos esforços para melhorar o desempenho do sistema educativo, ao valorizar o mérito e as competências dos professores.” (…) “Neste contexto, os esforços do Governo para introduzir um modelo de avaliação de professores com consequências são muito importantes e devem ser apoiados.” (…) “Não obstante, ter colocado a avaliação de professores no centro das reformas educativas, permitiu gerar, entre a classe docente, um largo consenso quanto à indispensabilidade de uma avaliação de professores com consequências. Este é, em si, um dado importante e um avanço significativo para uma implementação eficaz.” (…) “O modelo actual representa uma base sólida para futuros desenvolvimentos. É um modelo abrangente, inclui a maioria das vertentes do desempenho docente, recorre a uma diversidade de fontes de informação, prevê mais do que um avaliador e considera a avaliação pelos pares.” (…)
Disponível no site http://www.min-edu.pt/np3/np3/4009.html

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