Por André Couto | Segunda-feira, 27 Julho , 2009, 17:24

O Tiago Moreira Ramalho respondeu rápido ao meu post.

 

Mantenho a convicção que Hermínio da Palma Inácio é património histórico do Partido Socialista tal como é património do País, ao contrário do que diz o Tiago. Os Partidos são feitos por pessoas, não vislumbro o que mais possa ser seu património que os feitos dos seus militantes e daqueles que lutaram na sua estrutura.

O Tiago acusou-me de o associar ao PSD e de cair no soundbyte de ligar os democratas liberais ao fascismo. Estranho pois não falo sequer no PSD, não faço alusão a militância sua e nada do que escrevi se aproxima do tal soundbyte. Falo em inveja da direita, nada mais. Essa suspeita que muita direita tem é estranha, às vezes parece o enfiar de um barrete que nem é estendido. Neste ponto não é o caso do Tiago.

Mais desiludido fiquei quando o Tiago citou de forma perversamente parcial um período do meu post. Isso é feio. O que digo e repito é que, ao tempo, Hermínio da Palma Inácio merecia nomeação, eleição, bem como receber múltiplas honras (e não apenas nomeação) e a acompanhar fiz uma análise do contexto político pós-25 de Abril, período a que António de Almeida Santos se referiu. Repito que com o 25 de Abril se substituíram os governantes depostos por uma nova geração. Assumiram as rédeas do País aqueles que mais lutaram e pugnaram pela desejada mudança, aqueles que, por feitos heróicos ou persistente resistência, decisivamente contribuíram para a ansiada Revolução. Foi algo natural e dificilmente poderia ter sido doutra forma.

É neste contexto (omitido pelo Tiago) que defendo que Hermínio Palma Inácio merecia ter sido nomeado, eleito ou devidamente honrado, tal como muitos outros foram. Parece-me que alguém com o seu perfil se enquadraria, naquele contexto, em múltiplas áreas da governação do País e das suas instituições. Estou certo que o Tiago não acha que António de Almeida Santos se referia a tempos recentes, é que Hermínio da Palma Inácio faleceu há duas semanas, mas com 87 anos...

 

Por fim o Tiago diz que o Estado não é do Partido Socialista, e que Hermínio da Palma Inácio também não é património do Partido Socialista. Sendo Hermínio da Palma Inácio património do País, como defende, não será obrigação do Estado reconhecer os valorosos serviços por ele prestados, num dos períodos mais difíceis da nossa história?


Tiago Moreira Ramalho a 28 de Julho de 2009 às 00:07
André,

Telegraficamente:

1. Desculpa se fui menos correcto ao ter citado apenas uma parte da tua frase. Citei a parte a que me opunha, tão-só. Mas se achas abusivo, peço-te desculpa.

2. Sabes perfeitamente o que quero dizer com a crítica ao soundbyte do saudosismo e àquilo de a direita não ter nenhum herói. Eu, sinceramente, não me auto-intitulo de direita - acho sempre que o liberalismo está fora dessas nomenclaturas - e portanto não dou valor a isso de os heróis serem da esquerda e os cobardes da direita, ou coisa que o valha. Não me interessa isso. Apenas acho triste, e se não foi a tua intenção, peço-te de novo as minhas desculpas, que o debate tenha sido colocado desta forma por tanta gente: ah e tal eles querem é o Salazar de novo. Há bastante tempo que nos conhecemos blogosfericamente falando» e sabes perfeitamente que não é nada disso.

3. Eu não considero (seria tolo) que Palma Inácio não poderia ser eleito para o que quer que fosse. Bastava que se candidatasse e levasse o voto popular. Nem tão-pouco considero que não merecia ser reconhecido pelo que fez. Apenas me oponho terminantemente a esta ideia de que os cargos do Estado servem para agraciar quem quer que seja. Há que separar as águas: uma coisa são tributos feitos a heróis, outra coisa é a Administração Pública que tem de ter os melhores e não os heróis nacionais.

4. Se queres que te diga, li os comentários ao teu outro texto, e também acho vergonhoso que se tenham dado prebendas a ex-PIDES . Mas essa vergonha não legitimaria outra, qualquer que fosse.

Terminando, espero (sinceramente) que nos meses que se avizinham possamos ter debates produtivos. Em tempos tivemos um, por acaso estávamos do mesmo lado. Agora não. Sinceramente não acho que tenha importância. Ao contrário do que diz Maria de Lurdes Rodrigues, eu acho as pessoas mais importantes que a política :)

Abraço
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André, <BR><BR>Telegraficamente: <BR><BR>1. Desculpa se fui menos correcto ao ter citado apenas uma parte da tua frase. Citei a parte a que me opunha, tão-só. Mas se achas abusivo, peço-te desculpa. <BR><BR>2. Sabes perfeitamente o que quero dizer com a crítica ao soundbyte do saudosismo e àquilo de a direita não ter nenhum herói. Eu, sinceramente, não me auto-intitulo de direita - acho sempre que o liberalismo está fora dessas nomenclaturas - e portanto não dou valor a isso de os heróis serem da esquerda e os cobardes da direita, ou coisa que o valha. Não me interessa isso. Apenas acho triste, e se não foi a tua intenção, peço-te de novo as minhas desculpas, que o debate tenha sido colocado desta forma por tanta gente: ah e tal eles querem é o Salazar de novo. Há bastante tempo que nos conhecemos blogosfericamente falando» e sabes perfeitamente que não é nada disso. <BR><BR>3. Eu não considero (seria tolo) que Palma Inácio não poderia ser eleito para o que quer que fosse. Bastava que se candidatasse e levasse o voto popular. Nem tão-pouco considero que não merecia ser reconhecido pelo que fez. Apenas me oponho terminantemente a esta ideia de que os cargos do Estado servem para agraciar quem quer que seja. Há que separar as águas: uma coisa são tributos feitos a heróis, outra coisa é a Administração Pública que tem de ter os melhores e não os heróis nacionais. <BR><BR>4. Se queres que te diga, li os comentários ao teu outro texto, e também acho vergonhoso que se tenham dado prebendas a ex-PIDES . Mas essa vergonha não legitimaria outra, qualquer que fosse. <BR><BR>Terminando, espero (sinceramente) que nos meses que se avizinham possamos ter debates produtivos. Em tempos tivemos um, por acaso estávamos do mesmo lado. Agora não. Sinceramente não acho que tenha importância. Ao contrário do que diz Maria de Lurdes Rodrigues, eu acho as pessoas mais importantes que a política :) <BR><BR>Abraço <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>TMR</A>

Hugo Mendes a 28 de Julho de 2009 às 00:35
«Ao contrário do que diz Maria de Lurdes Rodrigues, eu acho as pessoas mais importantes que a política»

Tiago, da próxima aconselho-te a ler a entrevista toda e não os títulos. É que o título do DN é perfeitamente enviesado, porque o sentido real da frase - retirada que foi do contexto - é que as políticas são mais importantes que os MINISTROS, e não mais importante que as pessoas que são o alvo das políticas.

Tiago Moreira Ramalho a 28 de Julho de 2009 às 09:00
Calma Hugo Mendes, calma. Peço desculpa se pisei o calo, mas o humor também não é património da esquerda ;)

Olha, e é de uma falta de ética incomensurável a malta meter-se na conversa dos outros. Ui, o que o Kant diria se visse isto!

Hugo Mendes a 28 de Julho de 2009 às 09:57
Acusou o toque, não foi? Então ainda bem.

Tiago Moreira Ramalho a 28 de Julho de 2009 às 10:42
Não, não acusou o toque. Apenas não suporto pessoas mal educadas e mal formadas. É uma coisa cá minha.
Deixei-lhe há um bocado uma resposta pública, tal como foi pública a sua declaração, no jamais. Se quiser leia, se não quiser, tanto me dá.

Hugo Mendes a 28 de Julho de 2009 às 11:40
Tiago,

Vejo que divergimos sobre definições de "boa" e a "má" educação.

Quanto à sua declaração pública, achei deliciosa, se me permite a ironia. Acho que tem um bom futuro na imprensa de casos, género 24Horas (ainda por cima sempre com câmara).

Mas olhe que se esqueceu de dizer que eu a meio da sessão saí para falar ao telefone, se quiser ainda lhe digo com quem conversei.

Carlos Pintoiz por volta das 3 da tarde a 28 de Julho de 2009 às 15:13
Fiz por volta das 3 da tarde um comentário contra a linha aqui neste blog descrita , da pessoa de Palma Inácio.Será que os tão democratas donos deste blog só aceitam ideologia Socialista.Depois disso já fiz comentários que já estão a vista para ser lidos.Pensei que só a direita é que tem a fama de ser pouco intransigivel ,pouco democrática e nunca democrática.

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