Por Bruno Reis | Sexta-feira, 25 Setembro , 2009, 22:29

De Rui Tavares a Joaquim Aguiar há muitos oráculos da vida portuguesa que vêm dizer que Sócrates não pode, ou não deve falar do interesse geral. Falar do interesse geral é a ditadura, é a direita. O diálogo - tão vilipendiado com Guterres - é agora afinal o ideal.

 

Não concordo. Defender e progredir no sentido do interesse geral é o que faz a esquerda e o que dá sentido ao Estado democrático. Claro que numa democracia podemos discutir o que será melhor para o interesse geral, e até como o definir.

 

É aliás para isso que há programas eleitorais - não conheço nenhum que se afirme abertamente corporativo, de defesa apenas e só de certos grupos ou pessoas. É aliás por isso - porque há interesse geral, mas ele se vai sempre construindo e reconstruindo em democracia - que há eleições nacionais (e não corporativas).

 

Se não há interesse geral, que sentido faz o Estado, que sentido faz um governo? Deve só dialogar? Mas com que sentido se não no de promover o interesse geral? 

Se é só para acomodar os interesses particulares, então o melhor mesmo é acabar com a educação e a saúde públicas, que pais e professores, que doentes e médicos negoceiem entre eles - coisa que aliás muita direita dirá. Certamente essa não é uma visão da esquerda.

 

Sócrates procurou o melhor que soube promover o interesse geral. Só assim se explica que tenha arriscado reformas do sector público que se revelaram impopulares. Fê-lo - certo ou errado - mas certamente com sentido de serviço público. Ou será que alguém acredita que persistiu nas reformas porque queria perder votos? A esquerda existe, sobretudo, (para mim) para servir o interesse geral promovendo a igualdade de oportunidades. Desistir desse ideal, seria desistir da esquerda.

 

 

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Rui Tavares a 27 de Setembro de 2009 às 14:59
"De Rui Tavares a Joaquim Aguiar há muitos oráculos da vida portuguesa que vêm dizer que Sócrates não pode, ou não deve falar do interesse geral. Falar do interesse geral é a ditadura, é a direita."

Nunca disse ou escrevi algo como o que o Bruno Reis aqui escreve. Mais: não concordo com a ideia. Acho que a política deve ser pensada precisamente com base numa noção de interesse geral. No que me diz respeito, este post é claramente abusivo e pouco rigoroso, lapsos em que o Bruno Reis cai com demasiada frequência.

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