Por Pedro Adão e Silva | Segunda-feira, 27 Julho , 2009, 15:59

Durante muito tempo, o “não merece, mas vote PS” do O’Neill foi a melhor forma de explicar os sucessos eleitorais relativos (literalmente) do PS. Agora já não o é. Depois de uma primeira maioria absoluta, o PS deixou de ser um partido que ocupava uma posição relativamente central e que por isso causava poucos anti-corpos da esquerda à direita para passar a ser um partido que governou, de facto, e com isso passou a centrar todos os descontentamentos. A experiência foi tão intensa que, hoje, sinal dos tempos, a “nacional situacionista” criou uma barragem tal que alguém que diga que vai votar PS tem antes de pedir desculpa. Não me é difícil fazer uma longa lista de coisas que gostava que este Governo tivesse feito diferente. Mas, eu, de facto, não peço desculpa: vou votar PS porque, ao contrário do que pensa o condutor moral Louçã, a política é mesmo uma negociação e só o PS é capaz de negociar um País onde modernização se combine com solidariedade. Ao mesmo tempo, só o PS o pode fazer ancorado na esquerda e envolvendo gente politicamente variada, que vai, a título de exemplo, do Miguel Vale de Almeida ao Luís Amado. Ora se calhar é mesmo isso que deve ser feito nos próximos anos: negociar mais e fazê-lo com gente mais variada.
 


portela menos 1 a 27 de Julho de 2009 às 16:25
mas deviam pedir desculpa aos votantes de há 4 anos atrás!

NMA a 27 de Julho de 2009 às 16:30
Excelente texto. A verdade é que se a crise que vivemos não tivesse existido a reeleição de Sócrates por maioria absoluta estaria garantida (e reforçada) e aquilo que de repente passaram a ser defeitos insuportáveis para a opinião publicada (como ter um ímpeto reformista ou não dispensar ministros à primeira manif do CGTP), teriam continuado a ser (como foram nos primeiros dois anos) grandes virtudes do PM .

Valter Marques a 27 de Julho de 2009 às 16:30
Pedro Adão e Silva,
como o compreendo e como tinha receio de defender publicamente o PS, mas mudei a minha postura quando percebi que José Sócrates representa aquilo que eu defendo no PS, um partido com preocupações sociais, e Sócrates provou que trabalahou para isso (complemento solidário de reforma, aumento susbstancial do salário mínimo, aumentos dos abonos,...), e um PS virado para a Modernidade e que percebe o que o país precisa para não parar no tempo. Sócrates cometeu erros, claro que sim. Mas se Sócrates não tivesse apanhado uma crise financeira pelo meio, estaria garantida neste momento a maioria absoluta. Sócrates é a melhor escolha para Portugal.

www.esquerdismosliberais.blogspot.com

jeronimo a 27 de Julho de 2009 às 16:51
Excelente post. E consegue resumir brilhantemente numa única frase toda a diferença entre a esquerda objectiva e progressista e os eternos saudosistas das utopias: a política é uma negociação!! Por mais que isso choque os supostos e radicais impolutos e incorrigíveis (se é que os há).

Stran a 27 de Julho de 2009 às 16:56
Parece-me que a negociação foi mesmo o calcanhar de aquiles do PS no governo...

VIC a 27 de Julho de 2009 às 21:29
Começo com uma confissão, tenho andado indeciso, ainda estou um pouco; sempre votei PS, e tal como diz, nem tudo foi bem feito. Mas temos de reflectir, antever o futuro, já que as perspectivas não são as melhores. Agradeço as suas reflexões pois ajudaram a colocar a reflexão num trilho lógico.

Armando Leite a 27 de Julho de 2009 às 23:51
Parabéns Pedro! Eu tb não peço desculpa, vou votar PS. Abraço.

Pedro Sá a 28 de Julho de 2009 às 17:17
Votarei como sempre PS. E com muito orgulho.

Pedro Magalhães Ribeiro a 29 de Julho de 2009 às 13:35
Parece-me evidente que o BE vai ser a muleta do PSD. O grande objectivo está traçado: que seja o PSD a vencer as eleições, sem maioria absoluta de direita.

Este cenário é o ideal para Louçã por duas razões.

Primeira: vencendo o PSD, Louçã aposta na queda de Sócrates e na divisão do PS entre defensores de um Partido posicionado mais ao centro e aqueles que o querem ver mais à esquerda. Este cenário, com eleições no PS pelo meio, fariam de Louçã o líder da oposição à esquerda nos primeiros meses, podendo aqui absorver alguns socialistas descontentes.

Segunda: vencendo o PS sem maioria absoluta, Louçã ficaria numa posição de grande desconforto. Não pode ser Governo com Sócrates, tem problemas em viabilizar uma moção de censura que possa dar eleições antecipadas e a vitória da direita. Ou seja, não pode fazer aquilo que faz melhor: ter uma postura critica sem precisar de ser consequente, sem ter que assumir a responsabilidade de derrubar o Governo ou de o viabilizar.

Anónimo a 3 de Agosto de 2009 às 17:21
Eu não voto no p.s.Já votei,mas isso era quando eu pen-
sava que a democracia era mesmo para ser a sério.
Ainda não tinha havido negociações para a construção do
Friport,nem Mota Engil,nem Felgueiras,nem casa Pia,pois
é,vou votar em quem eu sei á partida que não vai ganhar
assim não me engana.Sócrates nunca mais.

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