Por Tiago Julião Neves | Sábado, 19 Setembro , 2009, 19:36

É fundamental reconhecer a relação entre os limites do crescimento económico e a capacidade de regeneração do planeta, resistindo à quimera da sacralização da tecnologia. Este momento é decisivo e existe um sério risco de destabilizarmos definitivamente o conjunto de equilíbrios complexos que regem a vida na terra.

 

Necessitamos de uma gestão sensível e cautelosa que evite ilusões sobre:

-        A capacidade de carga do planeta;

-        A devastação causada pelo Homem;

-        O potencial regenerador da tecnologia;

-        O custo de adiar o combate às alterações climáticas.

O Relatório Stern e o IPPC fornecem ampla informação sobre estes aspectos, abordados também na revisão dos 30 anos do icónico "Limits to Growth".

 

 

Sem o exemplo dos países ocidentais na redução das emissões através da generalização de tecnologias limpas em sectores como a energia e os transportes, e sem a transferência destas tecnologias de forma quase gratuita para os países em desenvolvimento, dificilmente as economias emergentes resistirão a usar as suas abundantes reservas de carvão para responder ao crescimento da procura doméstica de energia.

 

Uma interpretação mais radical defende que a sociedade ultrapassou o ponto de equilíbrio sustentável há muito e deverá regredir de forma controlada até uma situação de steady state. Penso que vale a pena reflectir sobre este tema  enquadrado na perspectiva mais vasta de ecological economics.

 

Alterar o paradigma energético da sociedade ocidental é uma tarefa hercúlea, aumentar a eficiência, reduzir a intensidade energética e convencer pessoas a alterar comportamentos padrão não são desafios menores. No entanto, todos são possíveis, necessários e urgentes.

 

Recorrendo à perigosa armada espanhola, que provoca suores frios ao PSD, deixo  uma  citação que é a melhor arma contra o miserabilismo da direita actual. De forma lúcida e poética, Eduardo Galeano - escritor e jornalista uruguaio - explica que a realidade não é um destino, mas um desafio:

 

 

La utopía está en el horizonte. Camino dos pasos, ella se aleja dos pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. ¿Entonces para que sirve la utopía? Para eso, sirve para caminar.”

 

Penso que a utopia deste PS é reiventar um país com medo de existir, o que implica um doloroso processo de autonomização individual e responsabilização colectiva. As avaliações e as reformas, a lei da IVG, o apoio aos idosos, o aumento do salário mínimo, as uniões de facto e o casamento homossexual  são exemplos de uma visão progressista de sociedade que procura conciliar a primazia da liberdade individual com uma base social forte e solidária. Neste vasto contexto, a aposta nas energias renováveis é apenas mais um passo na direcção correcta.

 


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