Por Sofia Loureiro dos Santos | Sábado, 19 Setembro , 2009, 12:19

 

A uma semana das eleições os dois maiores partidos mantém as hipóteses de as vencer. As últimas sondagens têm resultados algo díspares mas, no essencial, mostram o PS ligeiramente à frente do PSD e o BE como terceira força política.

 

A uma semana das eleições nota-se, no entanto, o desespero de quem não conseguiu aproveitar a onda dos resultados das europeias. A campanha a que assistimos, em que  todos os partidos se uniram com o objectivo de derrotar o PS e José Sócrates, tem penalizado predominantemente o PSD. Manuela Ferreira Leite e os seus conselheiros parecem não entender que as suspeições e as insinuações fazem pior à democracia e à credibilidade de quem as alimenta do que os melhores currículos académicos, as mais rígidas e austeras posturas, os maiores protestos de verdade e de rigor.

 

À falta de argumentos, de ideias e de alternativas, à falta de uma evidência clara de má governação, o PSD caiu no descrédito de que acusa o PS. As comparações deste governo com os governos anteriores são claramente desvantajosas para o PSD, a contínua tentativa de instrumentalização dos indicadores económicos e sociais existentes em 2005 e em 2008, desvalorizando a crise mundial que se iniciou em 2008, a vontade expressa de recuar no que se fez durante os últimos 4 anos não é séria e descredibiliza o discurso do PSD.

 

A uma semana das eleições os rumores, os boatos e a fabricação de factos políticos que parecem directamente patrocinados pela Presidência da República, se não mesmo pelo próprio Presidente, mostram até que ponto existe dentro do PSD o sentimento de uma derrota anunciada.

 

Os problemas do país não se compadecem com os truques do PSD, com a falta de isenção do Presidente, nem com os tiques sacerdotais e iluminados do BE, nova bengala da falta de soluções ideológicas e práticas de Manuela Ferreira Leite.

 

A vitória do PS, com todas as suas diferenças e idiossincrasias, com os seus erros e acertos, com todos os críticos e indefectíveis, defensor do pluralismo, da tolerância e da liberdade, aparece quase como um imperativo de decência e de saúde de uma democracia em que alguns actores, enredados nos seus labirintos, cegos para o futuro e para os interesses nacionais, tropeçam nos próprios passos e, afinal, pouco têm a oferecer ao país.

 

Nota: Também aqui.

 


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