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SIMplex

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17
Set09

A Verdade, sempre a Verdade

João Galamba

O PSD diz que o PS não fala do endividamento, isto é, o PS continua a mentir aos portugueses ocultando-lhes a sua Verdade. Estamos endividados!, insiste o PSD. Porque será que o PS não reconhece o endividamento? porque será que o PS não está sempre a falar do endividamento, de manhã, à tarde e à noite? como é possível que o PS seja incapaz de reconhecer que o nosso problema é o endividamento? como é que o PS não diz a verdade aos portugueses? Ou seja, o PSD critica o PS por este não se dedicar a auto-flagelação. O PSD não percebe que "estamos endividados!" não é um programa político e que, por isso, é natural que não se fale do endividamento, pelo menos no sentido que o PSD acha que se deva falar desse problema. Para o PS, o endividamento é uma realidade (ninguém nega que temos um défice externo elevado), mas o verdadeiro problema do país é o desemprego e crescimento económico.  O endividamento existe, é certo; mas é um resultado e não uma causa.

 

O facto de estarmos endividados é explicado por duas razões: não exportamos o suficiente e somos demasiado dependentes da importação de energia, nomeadamente petróleo. Se o endividamento fosse mesmo o nosso maior problema, a solução seria fácil: redução da despesa. Quanto? Tanto quanto que for necessário. Mas há outro opção: crescer mais e crescer diferente, procurando requalificar a economia portuguesa. É por isso que o PS aposta em áreas como a diplomacia económica (diversificação e consolidação de mercados), investimento em I&D (directo e indirecto, atrafés de benefícios fiscais), qualificação dos portugueses, plano energético (barragens, solar, aeólica), investimento em infraestruturas (portos, aeroporto, TGV, auto-estradas). O PS apostou e quer continuar a apostar em tudo. isto Podemos criticar algumas opções concretas, sugerir formas mais eficientes de atingir determinados objectivos, etc. O que não podemos é falar do país como se Portugal não precisasse de aumentar as exportações e reduzir a factura energética.

 

A esquerda do PS quase só fala de redistribuição da riqueza e desvaloriza o papel da iniciativa privada, como se Portugal pudesse financiar um estado social independentemente das suas empresas. Já o PSD e o PP falam imenso de competitividade e de crescimento económico, mas, no contexto actual, o que propõem não parece fazer muito sentido. O PSD diz que é necessário reduzir os custos das empresas, nomeadamente os custos associados ao factor do trabalho que estrangulam as PME, e acha que a solução passa por uma redução de impostos. Manuela Ferreira Leite não se comprometeu com uma redução de impostos; diz que eles devem baixar mas só quando tal for financeiramente sustentável.O absurdo da proposta do PSD é que aquilo que permite  o crescimento económico só é possível no futuro. No entretanto, isto é, enquanto não for possível dinamizar a economia através de um choque fiscal, não se faz nada a não ser travar o programa de investimentos do PS. A estratégia de crescimento económico proposta pelo PSD não é para agora. O contra-senso do PSD é achar que o crescimento económico é fundamental mas que ainda não podemos apostar no crescimento económico.É confuso e parece contraditório, eu sei. mas a Verdade não é para todos.

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