Por Vera Santana | Domingo, 26 Julho , 2009, 19:34

Aqui deixo um possível eixo orientador de decisões, capaz de estruturar ideias para o acto de cidadania que é votar.

 

“Há, por fim, o dever da verdade. É também ele incondicional, do ponto de vista da ética absoluta (...) Para dizer a verdade, se existe um problema de que a ética absoluta não se ocupa, esse é o problema das consequências”. Desembocamos, assim, na questão decisiva. Impõe-se que nos demos claramente conta do facto seguinte: toda a actividade orientada segundo a ética pode ser subordinada a duas máximas inteiramente diversas e irredutivelmente opostas. Pode orientar-se segundo a ética da responsabilidade ou segundo a ética da convicção. Isso não quer dizer que ética da convicção equivalha a ausência de responsabilidade e a ética da responsabilidade, a ausência de convicção. Não se trata disso, evidentemente. Não obstante, há oposição profunda entre a atitude de quem se conforma às máximas da ética da convicção – diríamos, em linguagem religiosa, “O cristão cumpre seu dever e, quanto aos resultados da acção, confia em Deus – e a atitude de quem se orienta pela ética da responsabilidade, que diz: “Devemos responder pelas previsíveis consequências de nossos actos”. (Max Weber, A Política como vocação, 1918)

 

Voltarei a estas balizas. Para já, passo a bola a quem a quiser agarrar.

 

 

 

 


Francisco Castelo Branco a 26 de Julho de 2009 às 20:02
Estou mais de acordo com a ética da convicção

Embora votar seja um dever, acho que votar por votar não tem nenhum significado

Ou a pessoa vai convicto e vota em quem acredite (até pode ser em branco...) ou então é mais simples não se deixar incomodar.

O que é preciso é as pessoas "se interessarem"...

Sem serem obrigadas a tal

Vera Santana a 28 de Julho de 2009 às 18:44
Ponto da situação:

O "tag" ética da convicção parece estar a ser convocado aqui neste blogue. O "tag" ética da responsabilidade parece não ter sido ainda convocado.

Relembro:

"A atitude de quem se orienta pela ética da responsabilidade diz:
- Devemos responder pelas previsíveis consequências de nossos actos.”.

Debatemos?


António Monteiro a 31 de Julho de 2009 às 18:05
É um facto indesmentível que votar é um dever, não creio que se volte ao voto obrigatório como forma de combater a abstenção, mas creio que se deve deixar de desculpar a alta abstenção com as sempre e já gastas desculpas de que:
- Se está sol foram todos para a praia e não votaram, ou
- Se está chuva, ficaram em casa e não votaram.
O que se passa é uma cada vez maior distância entre a palavra e o acto, as medidas anunciadas e nunca concretizadas, as medidas milagrosas, mas que na prática não funcionam, e sobretudo o exemplo dos políticos, a recente questão das faltas dos deputados na Assembleia da República, espelha a forma como estão (passe a expressão) borrifando para os seus eleitores, apenas e só lhes interessando o respectivo salário mensal. Isto aumenta a abstenção aliado às promessas quantificadas e não cumpridas e às não quantificadas em que ninguém acredita. A isto tudo pode aliar-se um caso caricato aquando das discussões dos aumentos dos cargos políticos, sempre aprovados por unanimidade em percentagens que revoltam quem trabalha e vê o seu aumento indexado à inflação quando está é baixa. Nas discussões salariais com os sindicatos nunca se debatem valores iguais aos dos deputados em percentagem, porque será? depois querem votos, credibilizem-se primeiro e a abstenção baixa, creio que temos de mudar a constituição para permitir importar políticos estrangeiros, assim talvez os actuais voltem para onde nunca deviam ter saído e parem de enganar o Zé Povinho.

Artur Sousa a 3 de Agosto de 2009 às 02:46
O voto é a escolha obrigatória da minha representação, exercida por mim. A abstenção é a escolha obrigatória da minha representação exercida por outrem. Meço as consequências e escolho a primeira. Então as razões do meu voto são teleológicas e não deontológicas. Ética da responsabilidade.

Cumprimentos

Vera Santana a 3 de Agosto de 2009 às 03:57
Ora bem, Miguel, escolhe a perspectiva teleológica.

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