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SIMplex

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13
Set09

Os não-lugares

Vera Santana

Em Julho escrevi no SIMpleX um post invocando um clássico de quem gosto, Max Weber. Hoje volto-me de novo para o ensaio "A Política como vocação", desse autor, não para dar "indicação de voto" mas para percorrer dois caminhos - que começam por ser paralelos e acabam num ponto único - permitindo tomar opções.

 

O caminho da ética da convicção leva-me ao lugar que é o Partido Socialista. É o meu espaço ideológico, aquele onde se encontram as possibilidades de "actualizar" a igualdade, a liberdade e a solidariedade. Não há, no sistema partidário português, nenhum outro lugar onde estes três factores elementares da vida individual e colectiva se possam tornar realidade, de um modo justo.

 

Sendo este o meu espaço ideológico, muitas vezes me zanguei com acções, decisões e posturas do Partido Socialista e do Governo que me pareceram menos coerentes e/ou menos justas. Não é hora nem momento para listar as más acções do Governo, muito menos as do Partido Socialista (estas devem ser, e têm sido, ditas intra-muros). E nem sempre as zangas foram "arrufos de namorados" . . . Mas, repito, o Socialismo Democrático continua a ser o meu espaço ideológico, malgrès tout.

 

O caminho da ética da responsabilidade, por seu lado, diz-nos que “devemos responder pelas previsíveis consequências de nossos actos” (Max Weber, 1918) e leva-me - e gostaria que levasse muitas pessoas - ao voto no Partido Socialista para as Eleições Legislativas de Setembro de 2009. Porque quero ter uma Assembleia da República onde os princípios da liberdade, da igualdade e da solidariedade possam ser tidos em conta na feitura das Leis. Porque quero um Governo capaz de defender, entre outros direitos, a dignidade no trabalho, a liberdade de expressão, a solidariedade para com quem necessita, a igualdade - nomeadamente de género ainda por cumprir em Portugal.

 

Percorridos que estão os dois caminhos, cheguei a um ponto único. Sei que estes percursos não têm de ser iguais aos meus para pessoas que pensam diferentemente de mim. A muitas dessas pessoas gostaria de pedir um exercício, o de percorrer o caminho  da ética de responsabilidade capaz de impedir um peso excessivo na Assembleia da República de vontades políticas quer de uma esquerda que se assemelha a um saco de gatos - o Bloco de Esquerda - quer de uma Direita que conhecemos na governação e nos efeitos da governação - o Partido Social Democrata (de nome).

 

Não aponto o dedo a quem vote branco ou nulo. Quem o fizer estará no direito de o fazer, como forma de protesto. Mas considero não responsável, neste momento histórico, que o voto de protesto recaia sobre o BE cujo "miolo ideológico" passa ao lado de um lugar democrático como o é a Assembleia da República, lugar que os deputados do BE usam na esperança de um dia poderem negá-lo. Como considero não responsável, neste momento histórico, o não exercício do direito de voto. O Bloco de Esquerda é um não-lugar quer ideológico quer enquanto praxis.  A abstenção é outro não-lugar.

2 comentários

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    Vera Santana 14.09.2009

    Ricardo,

    Agradeço a frase - que aprecio - de Stendhal.

    Vamos à questão de fundo.

    Cito-me para nos situarmos:

    "O caminho da ética da convicção leva-me ao lugar que é o Partido Socialista. É o meu espaço ideológico, aquele onde se encontram as possibilidades de "actualizar" a igualdade, a liberdade e a solidariedade. Não há, no sistema partidário português, nenhum outro lugar onde estes três factores elementares da vida individual e colectiva se possam tornar realidade, de um modo justo."

    E sublinho:

    "(...)Não há, no sistema partidário português, nenhum outro lugar onde estes três factores elementares da vida individual e colectiva se possam tornar realidade, de um modo justo."

    Ou seja, na minha opinião, o equilíbrio entre igualdade, liberdade e solidariedade existe (o EQUILÍBRIO JUSTO, repito) num PROJECTO DE SOCIALISMO DEMOCRÁTICO. Em Portugal, esse projecto está dentro do Partido Socialista. É a partir daí que esses princípios podem ser actualizados (actualizados no sentido atribuído a esta palavra pela linguística: tornar realidade).

    Aos princípios de igualdade, liberdade e solidariedade os PROJECTOS do BE e do PCP atribuem RELATIVAMENTE pesos não justos: maximizam a igualdade, minimizam as liberdades.

    Aos princípios de igualdade, liberdade e solidariedade, o PSD atribui pesos RELATIVOS não justos: maximiza determinadas liberdades, nomeadamente a económica, ie, do mercado.

    Ou seja, trata-se de uma trilogia fundadora que todos reconhecem mas que é projectad e posta em prática DE DIFERENTES MODOS, atribuindo pesos diferentes a cada um dos elementos da trilogia.

    Por analogia, acontece algo equivalente com o Catolicismo dos Açores que dá um grande importância a um dos elementos da Trilogia Católica, o Divino Espírito Santo, o que não acontece no Continente. E no entanto, lá, como cá, os Católicos são Católicos e reconhecem a Trilogia.

    Quanto aos erros do Governo em exercício, os mesmos foram apontados ao longo de 4,5 anos. Porque existem espaços públicos de liberdade para que isso acontecesse. Duvido que tais espaços de liberdade fossem tão abertos como o foram nos últimos 4,5 anos se o Bloco de Esquerda estivesse na cabeça do Governo a executar o seu Programa de inspiração maoísta, trotskysta, etc.

    OU, PERGUNTO: HAVERÁ UMA 3ª VIA PARA O MAOISMO TROTSKYSTA QUE LOUÇÃ QUER INVENTAR?????????????

    Cumprimentos,

    Vera S.
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