Por Tiago Julião Neves | Domingo, 13 Setembro , 2009, 05:53

Ela teve uma vida de estudo, uma vida académica, uma vida profissional, muitas conferências, muitas coisas escritas, experiência governativa... e agora voltou para nos livrar dele! 

 

 

Defensora da liberdade e da transparência (quando não aceita que lhe questionem uma certa seriedade política ou quando pede para se silenciarem incertas manifestações de camaradas espanhóis), baluarte da rectidão moral (quando reabilita Santana, incensa Jardim ou convida António Preto) esta personagem está muito além da plasticidade das palavras, do nevoeiro da dúvida e da escorregadia realidade factual.

 

Aquilo que diz e faz não importa. O que importa é aquilo que acha que disse e fez. Se há provas cabais que a desmentem, isso também não importa. Em MFL a essência não importa, ela é suprema e inatingível. O que importa é a substância cósmica, é a intuição sensível e o enlevo de sensações. MFL flui numa nuvem de sublimação ética e infinita elasticidade que lhe permitem reinventar continuamente a realidade.

 

Se MFL se exalta com a exposição pública das suas incongruências, lida mal com a insistência de jornalistas e adversários políticos, isso também não importa. MFL quer um cheque em branco devemos dar-lhe claro um destes... 

 

A proliferação de declarações contraditórias num tão curto espaço de tempo relativamente a temas tão diversos e importantes como a privatização da saúde e da educação, a importância da alta velocidade, ou as auto-estradas SCUT também não interessam. Só os medíocres é que analisam factos, os grandes políticos odeiam os espanhóis e desconfiam dos órfãos.

 

Ver aqui o debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.


Margarida Trüninger de Albuquerque a 13 de Setembro de 2009 às 14:44
Olá Tiago!

Agradeço-te o convite para participar neste blog e contribuir de alguma forma ao debate de ideias que aqui se faz. Já li aqui posts teus bastante interessantes, em que te reconheço claramente na argumentação informada e inteligente (ex. o post das bicicletas eléctricas).

Mas este teu último post, confesso-te que me entristece, por me parecer que escorregas no discurso típico da propaganda política que até agora entendia que repudiavas...pelo menos segundo as tuas próprias palavras no email:

"Penso que nesta campanha como noutras as pessoas continuam demasiado interessadas em tricas sem qualquer relevância estratégica para o País."

Nem mais.

A título de curiosidade, distancio-me da leitura que fazes do debate de ontem. Em Sócrates basta-me ver desonestidade intelectual quando responde ao lado das perguntas que se lhe faz. Sou independente e certamente por isso, nunca estive tão convicta do meu voto no PSD.

Um abraço,
Margarida

Tiago Julião Neves a 13 de Setembro de 2009 às 18:50
Margarida,

Obrigado por teres aceite o repto para participar na discussão, é indispensável ter pessoas com visões discordantes a debater neste espaço, felizmente já consegui trazer várias à esquerda e à direita.

Discordo da tua análise porque penso que em política não podemos ser ingénuos e é impossível discutir com a mesma argumentação e tom asséptico temas como as energias renováveis e a mobilidade eléctrica, ou matérias como a credibilidade e o assassinato de carácter.

Relativamente a honestidade intelectual penso que este PSD bateu no fundo e em termos de competência, visão e obra feita acho que o Sócrates está a léguas de MFL , tanto que chega a ser confrangedor. Assumo que estou mais inflamado na discussão de ideias porque cada vez mais convicto do meu voto no PS.

Tal como tu sou independente e nunca tive qualquer envolvimento com partidos políticos. Mas não digo isto como prova de pureza original porque acho que os partidos são essenciais e considero que os países tem os políticos que merecem. Se o nível é baixo cabe às pessoas competentes e com consciência cívica envolverem-se na politica e efectuarem o crowding-out dos oportunistas e medíocres. Tem custos e podemos ficar mais desiludidos ou amargos, mas a penalidade de sermos governados pelos nossos inferiores parece-me bem pior.

Concretamente sobre MFL e JS deixo-te uma nota que (podes considerar uma trica) mas que eu acho consubstancia o postulado de seriedade deste PSD:

MFL - “A credibilidade construída ao longo de uma vida não se dissolve em dois minutos ou dois aspectos” (...)

CS - “E eu lembro-lhe as palavras de Sá Carneiro que a política sem ética é uma vergonha e que qualquer político deve estar acima de qualquer suspeita, o que lhe pergunto é apesar de obviamente só serem...” interrupção de MFL

MFL - “não sei se essa falta de ética está a querer referir-se a mim, se está a referir-se a mim...”

CS - “Eu estou a falar de uma frase do Dr. Francisco Sá Carneiro que era esta e diz que...”

MFL – “Que eu considero que é uma frase que resume muito o espírito do partido e que eu considero e sinto-me muito honrada em seguir essa orientação do nosso partido estabelecida pelo Dr. Sá Carneiro.”

CS – ”Ou seja não acha que possa ser posta em causa com a escolha de Helena Lopes da Costa António Preto apesar de serem já considerados uma ferida aberta no partido”

MFL : “Olhe eu nesse momento nem sequer iria discutir esse ponto...”

MFL diz que não responde porque o assunto está na justiça... eu acho que não responde pelo facto de simplesmente não haver explicação, pelo facto da inominável politica de verdade estar inquinada de casos deste calibre.

Outro domínio é a quantidade e gravidade de escândalos que envolvem ex-governantes daquele PSD rigoroso de seriedade inquestionável (Dias Loureiro, Arlindo Carvalho, Oliveira e Costa...) e que representam perdas de centenas de milhões de euros, envolvem prisões preventivas, dedução de gravíssimas acusações e muitos arguidos. Eu que não acredito em mitos nem em messias, não entro na descrença dos que não suportam a frustração do desmoronar do seu mundo ideal (construção pessoal e fictícia ) e assumo que há desonestidade e corrupção em política como há também mérito e dedicação.

Isso não me impede de clarificar as águas e de considerar que a diferença entre os casos que envolvem PS e PSD é total apesar do que alguns querem fazer crer. O caso Freeport , o mais grave envolvendo o PS não chega em importância aos calcanhares dos que envolvem o PSD (mas este não é o ponto relevante) mas a sua cobertura mediática é gigante apesar de não haver um indício que ligue o caso ao PM . Não obstante e como é mais difícil fabricar provas, o PSD decide fabricar suspeições e adopta uma estratégia de assassinato de carácter. Até agora o jogo corre mal ao PSD porque indícios ou provas que envolvam o PM , até agora zero.

Mas como os factos são aborrecidos, estou certo que até dia 27 deverão surgir mais primos gordos ou cartas anónimas porque a suspeição encomendada também dá votos. As máquinas de nevoeiro voltarão à carga e eu só espero que haja cada vez mais pessoas a ver através dele.

Um abraço
Tiago

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