Por Tiago Julião Neves | Domingo, 13 Setembro , 2009, 05:53

Ela teve uma vida de estudo, uma vida académica, uma vida profissional, muitas conferências, muitas coisas escritas, experiência governativa... e agora voltou para nos livrar dele! 

 

 

Defensora da liberdade e da transparência (quando não aceita que lhe questionem uma certa seriedade política ou quando pede para se silenciarem incertas manifestações de camaradas espanhóis), baluarte da rectidão moral (quando reabilita Santana, incensa Jardim ou convida António Preto) esta personagem está muito além da plasticidade das palavras, do nevoeiro da dúvida e da escorregadia realidade factual.

 

Aquilo que diz e faz não importa. O que importa é aquilo que acha que disse e fez. Se há provas cabais que a desmentem, isso também não importa. Em MFL a essência não importa, ela é suprema e inatingível. O que importa é a substância cósmica, é a intuição sensível e o enlevo de sensações. MFL flui numa nuvem de sublimação ética e infinita elasticidade que lhe permitem reinventar continuamente a realidade.

 

Se MFL se exalta com a exposição pública das suas incongruências, lida mal com a insistência de jornalistas e adversários políticos, isso também não importa. MFL quer um cheque em branco devemos dar-lhe claro um destes... 

 

A proliferação de declarações contraditórias num tão curto espaço de tempo relativamente a temas tão diversos e importantes como a privatização da saúde e da educação, a importância da alta velocidade, ou as auto-estradas SCUT também não interessam. Só os medíocres é que analisam factos, os grandes políticos odeiam os espanhóis e desconfiam dos órfãos.

 

Ver aqui o debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.


Zé dos Montes a 13 de Setembro de 2009 às 11:22
Relativamente à mudança de opinião durante esta legislatura:
Saude
As maternidades públicas “...teriam de ter o mínimo de 1.500 partos por ano (“...de 1500 nascimentos por ano, o critério definido pela Organização Mundial de Saúde para garantir a segurança das grávidas...” segundo Correia de Campos http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=636815)
Mas para as maternidades privadas é suficiente “...a realização de partos com uma frequência mínima superior a três por semana...” desde que “...existência de hospital de apoio perinatal a menos de 30 minutos ...” (o serviço nacional de saúde a servir de muleta ao privado) 21.04.2009 http://diario.iol.pt/sociedade/saude-tvi24-estudo-nascimentos-maternidades/1058691-4071.html

Educação
Todos se lembram das vantagens do modelo de avaliação dos professores:
Segundo a Ministra da Educação
“...Já sabemos também que há milhares de professores que tentam contornar e ultrapassar obstáculos e concretizar este modelo.
Já sabemos que as opiniões sobre este modelo são muitas e as mais diversas, mas também sabemos que é absolutamente necessário concretizar este modelo de avaliação de desempenho para que possamos concluir da sua bondade.
Ele contém imensas potencialidades...” 24 de Out de 2008 http://www.min-edu.pt/np3/2764.html
“...Eu não estou num impasse. Estou a concretizar o que estava no memorando de entendimento, independentemente dos sindicatos. Há coisas muito importantes no memorando, designadamente a garantia de que nenhum professor sairá prejudicado deste modelo de avaliação. E não vou voltar atrás...” 17 de Nov de 2008 http://www.min-edu.pt/np3/2853.html
No mesmo dia
“...O Ministério da Educação admite alterar o sistema de avaliação dos professores...” 17 NOV 08 às 11:01 http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1045416

Mas afinal tinha havido erros
Sócrates durante a entrevista na RTP 01.09.2009 – “"Talvez não tivesse havido, e reconheço isso sem problemas, suficiente delicadeza no tratamento da nossa relação com os professores. E porventura falhámos aí, nessa forma de nos explicarmos, nessa relação" http://aeiou.visao.pt/socrates-admite-erros-na-relacao-com-professores=f527624
Ministra da Educação 02.09.2009 “...A ministra da Educação admite que existiram problemas de comunicação entre Governo e professores nos últimos quatro anos...” http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1398806
Portanto se era tudo uma questão de delicadeza e problemas de comunicação porque continuaram estas “guerras” durante 4 anos e porquê prolongar a avaliação “simplificada” para 2010 (http://diario.iol.pt/sociedade/cavaco-educacao-professores-avaliacao-tvi24-ultimas-noticias/1083029-4071.html ), bastava falarem com delicadeza e de forma compreensível para os professores aceitarem.

E o aeroporto em Alcochete? Jamais.

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