Por João Galamba | Domingo, 13 Setembro , 2009, 03:15

Em 2003, Ferreira Leite dizia que o TGV era um investimento estruturante e fundamental para a economia portuguesa. Dado que, hoje, Ferreira Leite diz que é preciso crescer, dado que tal requer investimento (público ou privado, não interessa), em que medida é que o nosso endividamento justifica um adiamento da construção do TGV? Alguém me consegue explicar como é que algo fundamental e estruturante o deixa de ser apenas porque o País está endividado? Assumindo que Ferreira Leite não quer (intencionalmente) agravar a recessão, só há uma possibilidade: o argumento de Ferreira Leite sobre o TGV não tem nada a ver com o endividamento. A posição de Ferreira Leite tem de ser a seguinte: o TGV já não é estruturante nem fundamental — hoje, amanhá, sempre. Quanto muito, o TGV é um luxo a que nos permitiremos quando fomos ricos, isto é, o TGV já não tem qualquer relação com  a questão da competitividade da economia portuguesa.

 

As diferenças entre Sócrates e Ferreira Leite não podem ser justificadas dizendo que Sócrates não reconhece o problema do endividamento. A diferença reside, apenas e só, nas diferentes estratégias de crescimento económico que cada um defende para o país. Sócrates acha que o investimento público, e em particular o TGV, é essencial para a competitividade do país, sobretudo porque reduz os custos associados à situação periférica de Portugal. Ferreira Leite discorda: o problema da nossa competitividade reside na asfixia fiscal, isto é, as empresas portuguesas têm custos (directos) elevados. Estamos perante duas visões económicas distintas, e não um embate entre a Mentira e a  Verdade, como pretendia Ferreira Leite e defendem os seus apoiantes.

 

É o crescimento económico, estúpido (o endividamento era só uma artimanha retórica para vender o peixe da Verdade). Ora, é aí que a porca torce o rabo: no contexto actual, a estratégia de crescimento económico defendida por Ferreira Leite é um contra-senso. Se quiserem saber porquê, leiam, por exemplo, este post do Carlos Santos.


Vera Santana a 13 de Setembro de 2009 às 10:43
Muito obrigado, sobremesadedeus!

Vou ler atentamente o artigo sobre os aspectos positivos da Reforma da Educação em Portugal e de como Obama deveria com ela aprender.

deus o proteja, sobremesa,

Vera

sobremesadedeus a 13 de Setembro de 2009 às 22:37
Cara Vera,

Com graça lhe digo: Deixe Deus no lugar onde está, que é o de congregador da vontade e valores da população europeia, maioritariamente cristã. Se Deus se dedicar a manter coesa a população europeia... já terá muito com que irradiar omnipresença e omnisciência, para ganho de todos nós. O avanço do Islamismo em África, na Europa e na Rússia é disso exemplo. Não vislumbro outra luz congregadora, que aquela emanada por DEUS, para a mobilização global na defesa dos valores da liberdade, da tolerância, da igualdade entre géneros, da genuína fraternidade entre os homens. Infelizmente ainda não avançámos o suficiente para que o Homem Livre possa defender os seus valores. Ao Homem, nomeadamente ao comum, faltam os pilares onde possa despertar para uma nova vida. A instituição que ainda pode guiar essa vontade colectiva é a que professa o modo de vida cristão. Mesmo que não vivendo nos cânones da doutrina da fé, o europeu nasce e vive inserido nos seus valores milenares. Não podemos pois destruir o único legado que ainda nos pode "salvar" do avanço do Islamismo. Tão só por isso, vale a pena a defesa de se ser cristão, ainda que não praticante. Veja-se os conflitos que nascem, enquanto falamos, no Reino Unido com a comunidade muçulmana. Em França, em determinada zonas já existem mais mesquitas que igrejas. Em Portugal, felizmente, somos um povo de miscigenação com várias culturas, foram inclusivé os 400 sob o domínio muçulmano que nos trouxeram inúmeros avanços no campo da escrita, da matemática, do ordenamento das cidades, da hidraúlica, da medicina, da astronomia, etc... Mas esse Islão não é o de hoje! O Islão de hoje apresenta-se com facções radicais, que ao que parece ainda não estão em Portugal, ou não são visíveis ainda, mas em Espanha já lá se encontram à vários anos com o objectivo de instituir o califado Andaluz (que compreende a Andaluzia e parte do Sul de Portugal). Em jeito de brincadeira: Quando se ataca Deus, ataca-se cada um de nós (ocidentais) a favor do avanço dos Islamitas radicais. Não nos esqueçamos dos problemas futuros no campo da energia e do acesso à água potável, para além da perca de território pelo aumento do nível dos oceanos. Serão estes os desafios futuros e que irão colocar duas civilizações em confronto acérrimo (o que já se iniciou). As discussões na propaganda para estas eleições são mera brincadeira quando comparadas com os verdadeiros futuros desafios. Daí que a Educação seja determinante. Mas uma Educação orientada para os desafios futuros, sem quaisquer remoques de defesa da nossa segurança comum. Daí que nasça a um ritmo impressionante o corpo militar europeu denominado "Eurocorps". Um abraço.

Vera Santana a 14 de Setembro de 2009 às 16:02
. . .

como pode um Cristão invocar o nome de Deus em vão, utilizando-o, com minúscula, num nomeinventadoparablog e, ainda por cima, misturá-lo com sobremesa?

. . .

Posto isto, mais nada terei a dizer-lhe porque o senhor é uma coisa e o seu contrário.

sobremesadedeus a 25 de Setembro de 2009 às 08:23
Disse uma frase extremamente elucidativa: "o senhor é uma coisa e o seu contrário"

Não sei se conhece mas deixo-lhe uma expressão que deambula pelos Homens desde os Tempos: "O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo"

Detectou as semelhanças...? Muito obrigado pelas suas generosas palavras... e uma sugestão... incorpore a diferença não se fechando ao diálogo com os diferentes. Sentir-se-á... mais leve... Muito Obrigado.

Vera Santana a 25 de Setembro de 2009 às 17:36
Muito bem, quando votar - porque é de eleições que este blog trata - aconselho-o a seguir os seus próprios conselhos e a votar numa coisa e no seu contrário ou no que está em baixo e no que está em cima.

Não sei se vai sair mais leve da secção de voto . . . but it´s your problem.

Há momentos para tudo: uns para debater as diferenças, outros para unir as comunalidades.

Bom fim-de-semana!

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