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SIMplex

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08
Set09

Anti-capitalismo e populismo

João Galamba

Louçã, o líder partidário que aspira conquistar o poder e construir uma grande maioria de esquerda, diz que é anti-capitalista. É preciso deixar uma coisa bem clara: um anti-capitalista é necessariamente um revolucionário, pois um anti-capitalista não concebe a possibilidade de reformas ou de regulação — o capitalismo é irreformável e o "anti" não é mais do que o reconhecimento desse "facto".

 

Mas o anti-capitalista, hoje, tem um problema fundamental: não é capaz de reconhecer que o capitalismo já não é aquela coisa tenebrosa e desumana que Marx e Engels tão bem descreveram. Louçã, por "coerência" (leia-se: dogmatismo) prefere ignorar este facto e desvalorizar a pluralidade e a complexidade da realidade económica actual. O seu anti-capitalismo mostra que Louçã não pertence ao nosso tempo — ele vive no seu próprio tempo.. Ao contrário do que diz Louçã, o "capitalismo", hoje, não é uma totalidade monolítica e uniforme; e, por isso, o "capitalismo", que Louçã diz querer combater, só existe na sua revolucionária cabeça. Mas o anti-capitalismo de  Louçã é apenas um slogan para impressionar mentes impressionáveis. Como Louçã sabe que a revolução não é uma opção, o líder do BE (o partido da esquerda socialista) vê-se é obrigado a adaptar o seu discurso (sacrificando os seus "princípios", isto é, fazendo aquilo que o próprio Louça diz ser uma forma de "calculismo" e "negociata" política) e entrega-se de corpo e alma ao populismo de esquerda. Marx deve estar a dar voltas no túmulo.

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