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SIMplex

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07
Set09

TOMAR A ÁRVORE PELA FLORESTA

Eduardo Pitta

Num país de 11 milhões de habitantes, onde a tiragem dos jornais diários (não estou a contar com os desportivos) é inferior a 350 mil exemplares, quantas pessoas os lêem? E quantas frequentam a blogosfera? Cinco mil? Admitamos que sim. Já agora, qual a percentagem das que não mudam de canal quando chega a hora dos debates?

 

Quando Soares e Cunhal fizeram o deles, o país parou. Mas também parava com a Gabriela. Eram tempos de canal único e a geração que fez o 25 de Abril tinha menos 35 anos do que tem hoje.

 

Agora tudo mudou. O excesso de "análise" e de comentaristas banalizou o debate de ideias e só pequenas minorias urbanas se interessam pela condução da Res publica. Visto de Lisboa ou do Porto, da janela dos blogues e dos restaurantes do costume, o país parece bipolarizado em torno de ideias. Erro crasso. Em Julho de 1975, quando a liberdade esteve por um triz, Soares levou à Alameda meio milhão de pessoas. Nessa altura, quase toda a gente percebeu o que estava em causa.

 

Bem pode o dr. Aguiar-Branco decretar luto nacional pelo encerramento do Jornal de Sexta, e o CDS pedir a convocação da comissão permanente da Assembleia da República pelo mesmo motivo. Se eles soubessem que tinham a opinião pública (a opinião pública não se confunde com meia dúzia de comentaristas nem com os quinhentos fanáticos, em regra anónimos, das caixas de comentários) do lado deles, já tinham convocado uma manifestação em Belém. Em vez disso, Mário Crespo diz (e ainda bem que o pode fazer) que o primeiro-ministro talvez servisse para governar Angola ou a Líbia, mas não serve para governar Portugal. Tem bom remédio: não se esqueça de ir votar no próximo dia 27.