Por Sofia Loureiro dos Santos | Domingo, 06 Setembro , 2009, 22:05

 

Mais um debate civilizado, o que é excelente, mais BE contra PSD.

 

Ficaram bem patentes as diferenças entre o BE e o PSD. Mas essas diferenças já eram conhecidas.

 

Aquilo que me espantou foi ter assistido ao arrasar do programa eleitoral (inexistente) do PSD, obrigando-se Manuela Ferreira Leite a concordar pontualmente com Francisco Louçã e a desdizer o pouco que lá está escrito, como por exemplo na segurança social, por um pregador que do seu púlpito falou da liberdade e da responsabilidade, da grandeza da democracia, da violência da insensibilidade, etc.

 

Na questão do emprego e do desemprego Francisco Louçã exibia o sorriso do vencedor. Na saúde Manuela Ferreira Leite acenou com as listas de espera para morrer mas foi de imediato cilindrada pela necessidade que o sistema privado tem de se socorrer do público, precisamente nas áreas mais críticas dos cuidados intensivos, da oncologia, etc. Manuela Ferreira Leite esteve bem quando apelidou as taxas moderadoras para os internamentos e cirurgias de um imposto.

 

Por fim, de uma maneira cordata e serena, Francisco Louçã conduziu Manuela Ferreira Leite para o cadafalso quando se falou do casamento entre homossexuais, uniões de facto e procriação medicamente assistida. Num frenesim, Francisco Louçã perorou sobre a felicidade e o direito de amar que o Estado deve garantir a todo o indivíduo, encurralando Manuela Ferreira Leite no reconhecimento da evolução da sociedade que já não considera isso um tabu, sem sabermos exactamente o que era isso.

 

Louçã esmagou.

 

Nota: Também aqui.

 


am a 6 de Setembro de 2009 às 23:54
Há uma coisa que não percebi. Qual é a pertinência do argumento de o sistema privado ter de se socorrer do público, precisamente nas áreas mais críticas dos cuidados intensivos, da oncologia, etc? Já toda a gente sabia que o sistema privado não tem esses serviços. Ninguém acredita no contrário.

Mas o sistema privado tem outros serviços que funcionam muito melhor do que os do sistema público. A marcação é muito mais rápida e o atendimento é muito melhor. Vivo no Porto. Por qualquer problema de saúde que a minha família tenha, QUE NÃO SEJA UM PROBLEMA DE EMERGÊNCIA MÉDICA, nunca vamos ao sistema público. Paga-se, mas NESTES CASOS é muito melhor. Quem não tiver, de todo, a possibilidade de pagar tem de sujeitar-se a longuíssimas esperas, quer para marcar consultas, quer para obter consultas urgentes no sistema público.
Agora, há 3 possibilidades:
- Mantém-se como está.
- Proibe-se o sistema privado de ser mais eficiente do que o público NESTES CASOS ou até se proibe o sistema privado tout court.
- Financia-se o acesso de todos ao sistema privado, considerando-se que está a prestar um serviço ao próprio SNS. Todos os utentes preferiam esta última possibilidade.

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