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SIMplex

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04
Set09

Regresso ao Passado

Bruno Reis

Se houve pressão política sobre a TVI para afastar Manuela Moura Guedes ela é intolerável. Mas não menos intolerável é fazer acusações desse tipo sem provas.

 

Mas talvez o João Caetano Dias que tem tão boa memória me possa fazer o favor de recordar do seguinte: quando Marcelo Rebeldo de Sousa foi afastado da TVI alegando pressões nunca cabalmente desmentidas qual foi a reacção da Direcção de Informação da TVI? Demitiu-se alegando pressão política intolerável? Ou permaneceu em funções? Será que a pressão do PSD é tolerável, quiçá até agradável?

 

Sócrates pode ser muitas coisas, mas burro não me parece que seja algo de que mesmo os seus piores inimigos o acusam (pelo contrário aparece como um maquiavélico príncepe). Se quisesse afastar MMG a última coisa que devia ter feito era aparecer publicamente a denunciar o seu programa. Já MMG se queria garantir que nunca seria afastada do ar teria apenas de assumir uma agenda anti-PS que tornaria o fim do seu programa uma bomba política.

 

MMG não pode ser alvo de censura, mas pode ser censurada (no sentido de criticada). O seu Jornal da Noite era segundo as palavras da próprio um programa que assumiu como missão criticar sistematicamente o governo PS (e não acrescentou todos os partidos e todas as instituições de Portugal). Em qualquer país democrático normal, com uma saudável tradição de rigor jornalístico, isso seria suficiente para acabar com um programa que disfarçado de informação fazia opinião política completamente parcial. O jornalismo não deve ser nem a favor, nem contra ninguém. Deve informar criticamente sobre tudo e sobre todos. Este oposicionismo pueril de quem nunca se levantou contra a Censura no tempo do Estado Novo (onde estava então Manuela Ferreira Leite?) é um das heranças do tempo da ditadura que mais tempo demorou a passar.

 

Solução? Que a TVI passe a dar a MMG espaço para um programa de comentário político assumido. Ou seja, chame os bois ou as vacas (em sentido figurado) pelos nomes.

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