O caso Manuela Moura Guedes
Confesso que é com total estupefacção que recebi a notícia de que o Jornal Nacional da TVI à sexta, sob a coordenação de Manuela Moura Guedes, tinha sido suspenso por decisão da administração da TVI. O resultado foi a demissão em bloco da direcção de informação da estação e de alguns elementos da redacção.
Não gosto do estilo jornalístico de Manuela Moura Guedes, e nem era um espectador atento desse noticiário. Contudo, penso que é consensual que estamos a falar de um jornal líder de audiências, e que muito contribui para a liderança da própria TVI.
No meio disto, especula-se abertamente nos sítios do costume que esta decisão terá sido o resultado de alegadas pressões por parte do PS. Tal acusação, que carece de qualquer fundamento, é dirigida a um partido que historicamente se bateu pela liberdade de imprensa (vide Caso República), além de que indiciaria um nível de estupidez politica que é inimaginável num líder partidário que ganhou aquilo que Sócrates já conseguiu.
Mas o possível aproveitamento político desta situação é óbvio, podendo vir a ter reflexos desastrosos sobre a imagem do PS.
É exigível, portanto, que a administração da TVI esclareça publica e cabalmente quais os motivos que levaram a esta decisão, que à luz do que é conhecido dificilmente poderá ser atribuído a razões de carácter económico. Não o fazer, poderá ser apenas entendido como uma tentativa de influenciar o resultado destas eleições.
E para que fique claro, pela parte que me toca, obviamente repudio qualquer tentativa de influência política nos critérios editoriais de qualquer órgão de comunicação social. A liberdade de imprensa é um valor fundamental da democracia.
Qualquer acção por parte dos media que seja considerada, por indivíduos ou instituições, como injuriosa ou difamatória, pode ser sempre alvo de processo judicial. É assim que se resolvem os problemas em sociedades livres e democráticas.
