Por Rogério Costa Pereira | Quinta-feira, 03 Setembro , 2009, 00:01

Estes pequenos debates, como toda a gente reconhecerá, não esclarecem praticamente nada. 45 minutos são manifestamente insuficientes para qualquer coisa que pretenda ir além da mera tentativa de produzir um ou outro sound bite que fique no ouvido dos indecisos. Partindo deste pressuposto, parece-me que o resultado do "debate" de hoje se saldou por uma vitória tangencial de Sócrates, com Paulo Portas a marcar um golo na própria baliza.

O "debate" começou com Sócrates a não conseguir esconder alguma irritação com a entrada demagógica de Portas - à Portas. Como ambas as coisas eram naturalmente expectáveis - a sensibilidade à demagogia e a demagogia -, está visto que o "debate" começou com Sócrates a dançar a música de Portas. Também não percebi que raio pretendeu Sócrates quando repescou, naquele contexto, a estória do Iraque. Podia ter falado em tripas à moda do Porto que o efeito era o mesmo.

No entanto, Portas - sobrestimando-se e fazendo o inverso a Sócrates - teve a infeliz ideia de se atrever a entrar na política dos factos tal e qual. E aí deu-se o sketch do "Votou ou não votou?". Sócrates, percebendo o que o adversário lhe tinha dado de bandeja, não largou mais o osso. Visto de fora, passou claramente a ideia de que Portas foi apanhado em falso. E como Sócrates - rato - pisou algumas vezes a ferida (com a ajuda - ainda - das mal sucedidas tentativas de Portas em explicar-se), acabou por se verificar um muito ligeiro desequilíbrio final.

Como debate, e colocando-me na pele do indeciso que precisa de ser esclarecido - "esclarecido" -, a coisa valeu pouco mais que nada. Esclareceu nada, valeu zero. Para quem goste da peleja pela peleja, e vote por aí - por estes arremedos de disputa de ideias, impostos pelos tempos e por outros fenómenos -, Sócrates ganhou à tangente. De resto, nem precisava. Um mero empate bastaria.

O que hoje se passou é a prova de que dois debates, de 90 minutos cada, entre os dois candidatos a Primeiro-Ministro, teriam sido a solução ideal. Mas Manuela Ferreira Leite - no lugar dela faria o mesmo - parece que não quis. Restam-nos estas coisitas de fundo negro.

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