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SIMplex

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02
Set09

A pior opção, com a excepção de todas as outras

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Many forms of Government have been tried, and will be tried in this world of sin and woe. No one pretends that democracy is perfect or all-wise. Indeed, it has been said that democracy is the worst form of Government except all those other forms that have been tried from time to time. Esta é uma citação muito conhecida, sobretudo a parte final, de um discurso de Winston Churchill, na Câmara dos Comuns, em 1947. E recordo-a com alguma frequência nos momentos de votar, ao optar por aquela que é a pior opção, com a excepção de todas as outras. E é por isso que, no dia 27, vou votar no PS.
 

Cínico? Não, realista. Foram poucas as vezes que votei convicto de que era mesmo aquele partido/líder ou aquela pessoa que queria ver no governo ou na presidência. Se muitas vezes me apeteceu o voto de protesto, acabei sempre por votar com a cabeça fria.
Votar branco ou abster-me, não é solução. É como partir o meu voto em partes, na proporção dos demais votantes, dando um pouco a cada um, PS, PSD, PCP, BE, CDS, … Ou seja, dando parte do meu voto também a partidos nos quais não quero votar.
 

E votar com a cabeça fria significa também fazer um esforço de memória. O que o governo em funções fez é recente e está mais presente na nossa memória. E é natural que, para além de já se ter esquecido os erros da oposição quando esteve no governo, se pense que os tempos são outros, as lideranças também e que desta vez... Mas vale a pena fazer um esforço para recordar os governos do PSD, com ou sem o CDS, e a sua líder quando Ministra das Finanças ou da Educação.
  

Há os outros partidos, com ou sem representação parlamentar actual. Percebo que haja quem se identifique com os seus discursos ou que se considere fazerem falta vozes mais radicais no parlamento. No entanto, desta vez estamos perante uma opção entre PS e PSD, para formar ou liderar governo, que é talvez a mais marcada politicamente desde há muito tempo.
 

Em termos simples, na área económica a opção é entre investir para desenvolver, do PS, e a poupança resignada, do PSD. Enquanto que na área social, a abertura que o PS demonstra contrasta com um PSD a invocar os pilares da família, fazendo lembrar o tempo dos 3 Fs (Fado, Fátima e Futebol).
 

É igualmente natural ficar-se mais irritado quando o governo é do partido em que se votou. Assim como reagimos mais fortemente quando aqueles que nos estão próximos fazem algo de que discordamos, não querendo isso dizer que, passado o primeiro impulso, os queiramos ver pelas costas.
 

Ao longo da legislatura, não me coibi de criticar, sempre que discordei do que foi feito no ensino superior, designadamente através da contribuição que tenho mantido no suplemento Universidades do Diário Económico. Como foi o caso do Código dos Contratos Públicos ou das restrições orçamentais, causadores de estrangulamentos burocráticos e financeiros que afectam seriamente o desenvolvimento das instituições de ensino superior e o contributo que estas podem dar à sociedade. Mas, olhando para o passado, penso que é mais plausível que seja um governo do PS a avançar com as soluções que entendo correctas para estes e outros problemas do ensino superior.

 

Pedro Lourtie, professor universitário

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