Por João Galamba | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 12:35

Neste último post, entre outras coisas, critiquei a posição do PSD em relação à avaliação dos professores, acusando-o de ter comprometido toda e qualquer política reformista por razões de puro oportunismo eleitoral. O Joaquim Amado Lopes contesta o meu post citando uma passagem do programa eleitoral do PSD: "Afirmaremos a necessidade da existência de um processo de avaliação dos professores e da sua diferenciação segundo critérios de mérito.Suspenderemos, porém, o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro que, tendo em conta os estudos já efectuados por organizações internacionais, garanta que os avaliadores sejam reconhecidos pelas suas capacidades científicas e pedagógicas, com classificações diferenciadas tendo por critério o mérito, e dispensando burocracias e formalismos inúteis no processo de avaliação".

 

Esta passagem não cola com a posição — oportunista e irresponsável — do PSD face às manifestações dos professores. O problema do PSD é o de não ter percebido — ou melhor, ter fingido que não percebeu — que a posição dos professores nunca visou o(s) modelo(s) de avaliação proposto(s) pelo PS; o alvo foi — e será sempre — todo e qualquer modelo de avaliação que procure instituir princípios de meritocracia que avaliem e premeiem os melhores professores. O PSD pode colocar o que quiser no seu programa. A irresponsabilidade de se ter colocado ao lado dos professores valerá sempre mais do que mil palavras.

Mas esta passagem também nos revela algo transversal a todo o programa do PSD: a vacuidade das grandes proclamações que são compatíveis com quase todos os programas de acção. A estratégia do PSD é muito simples: rejeita planos de acção socialistas  substituindo-as por generalidades que ninguém contesta mas que pouco ou nada nos dizem sobre a sua implementação prática. Conclusão: o PSD opta deliberadamente por não se comprometer com o eleitorado. Assim é fácil. O difícil em governação não é dizer que se vai apostar na competitividade, na criação de emprego, nocrescimento económico e na justiça social. O difícil é dizer como se pretende atingir esse objectivo. Mas isso tem custos, como se vê pelas diferentes reacções corporativas (legítimas, entenda-se) à governação do PS.E são esses custos que o PSD não está disposto a correr.
 

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