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SIMplex

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13
Set09

Os falsos candidatos da “política de verdade”

Miguel Abrantes
Sócrates referiu-se ontem a um caso emblemático: Alberto João Jardim já disse que não abandonaria o cargo de presidente do Governo Regional, o que não impediu a Dr.ª Manuela de o colocar como cabeça de lista às eleições legislativas pela Madeira. Não é caso único. Há menos de um mês, escrevi que se passa uma situação idêntica no distrito de Leiria (e, entretanto, outros leitores foram dando conta de novos casos, quer por e-mail, quer na caixa de comentários deste post):
    “Depois de Moita Flores ter dado a entender que poderá votar em Sócrates nas próximas eleições legislativas, agora são as distritais do PSD que resolvem ignorar as directivas da Dr.ª Manuela de proibir que os candidatos a deputados sejam em simultâneo candidatos a câmaras municipais. É o caso de Maria da Conceição B. Jardim Pereira, que é candidata à Assembleia da República por Leiria e, em simultâneo, candidata à Câmara Municipal das Caldas da Rainha.

    Bem faz a Dr.ª Manuela que finge que não é nada com ela.”
[Publicado também aqui]
13
Set09

Ferreira Leite é a anulação de si própria

Carlos Manuel Castro

Ferreira Leite diz que não quer os espanhóis metidos em Portugal. Percebeu-se, ontem, por que é que Angela Merkel, quando recebeu a líder do PPD há dias não quis fotos com ela (segundo a lógica política de MFL): não queria a líder da oposição portuguesa metida na campanha alemã.

 

Ferreira Leite despreza os valores e princípios europeus. Mais um pouco só faltava a defesa da saída de Schengen e da UE. Durão Barroso deve ter corado de vergonha.

 

Ferreira Leite, antes, apoiava as medidas governativas na área da Educação. Agora, não as apoia.

 

Ferreira Leite, no Governo, assinava com os espanhóis quatro linhas de TGV. Agora, nada quer. Projecto de alta velocidade no qual identificava virtudes, económicas e sociais.

 

Ferreira Leite diz querer apoiar as PME's. No Governo apoiou pouco mais de mil e este Governo, do PS, mais de 36 mil. Mas o PS nada fez, segundo Ferreira Leite, pelas PME's.

 

Ferreira Leite diz que tem muita sensibilidade social, mas quando esteve no Governo, congelou todos os equipamentos sociais a projectar. Este Governo do PS lançou a maior rede de escolas, creches e lares de idosos. Mas isto não é apoio social, segundo Ferreira Leite.

 

Quando disputou a liderança do partido, defendia a privatização do Serviço Nacional de Saúde. Presentemente, nada escreve sobre o SNS no seu programa e desdiz-se quanto à privatização que há pouco mais de um ano defendia.

 

Ferreira Leite disse que jamais tinha feitos comentários sobre a reforma da Segurança Social e que esta área não pode estar sempre a mudar. Ontem, afirmou que o Governo fez "alguma coisa". E mesmo depois de ter dito que nada ia fazer, acabou por confessar que ia corrigir "algumas coisas".

 

Nunca o PPD foi tão desacreditado por uma líder que nada quer, nada diz e não sabe o que quer fazer.

 

Ainda há dúvidas quanto a quem queremos que nos governe? O debate de ontem foi mais do que esclarecedor.

13
Set09

A GAFFE ULULANTE

Eduardo Pitta

Vou agora começar a ler a imprensa diária. Estou curioso de verificar se alguém pegou na espantosa afirmação de Manuela Ferreira Leite à saída do debate com Sócrates: O que este país precisa não é de mais leis. E sublinhou, preto no branco, que as medidas necessárias não passavam pela Assembleia da República. Isto no momento em que foi inquirida sobre se governaria em minoria. Como forma de subalternização do Parlamento nunca ouvi nada tão assertivo.

 

Não curo de saber das razões do ponto de vista de MFL. Afinal, um governo, qualquer governo, deve obedecer aos seus princípios. Mas supunha que ainda não tínhamos chegado à Madeira.

 

13
Set09

The Return of the Plastic Woman

Tiago Julião Neves

Ela teve uma vida de estudo, uma vida académica, uma vida profissional, muitas conferências, muitas coisas escritas, experiência governativa... e agora voltou para nos livrar dele! 

 

 

Defensora da liberdade e da transparência (quando não aceita que lhe questionem uma certa seriedade política ou quando pede para se silenciarem incertas manifestações de camaradas espanhóis), baluarte da rectidão moral (quando reabilita Santana, incensa Jardim ou convida António Preto) esta personagem está muito além da plasticidade das palavras, do nevoeiro da dúvida e da escorregadia realidade factual.

 

Aquilo que diz e faz não importa. O que importa é aquilo que acha que disse e fez. Se há provas cabais que a desmentem, isso também não importa. Em MFL a essência não importa, ela é suprema e inatingível. O que importa é a substância cósmica, é a intuição sensível e o enlevo de sensações. MFL flui numa nuvem de sublimação ética e infinita elasticidade que lhe permitem reinventar continuamente a realidade.

 

Se MFL se exalta com a exposição pública das suas incongruências, lida mal com a insistência de jornalistas e adversários políticos, isso também não importa. MFL quer um cheque em branco devemos dar-lhe claro um destes... 

 

A proliferação de declarações contraditórias num tão curto espaço de tempo relativamente a temas tão diversos e importantes como a privatização da saúde e da educação, a importância da alta velocidade, ou as auto-estradas SCUT também não interessam. Só os medíocres é que analisam factos, os grandes políticos odeiam os espanhóis e desconfiam dos órfãos.

 

Ver aqui o debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.

13
Set09

É o crescimento económico, estúpido!

João Galamba

Em 2003, Ferreira Leite dizia que o TGV era um investimento estruturante e fundamental para a economia portuguesa. Dado que, hoje, Ferreira Leite diz que é preciso crescer, dado que tal requer investimento (público ou privado, não interessa), em que medida é que o nosso endividamento justifica um adiamento da construção do TGV? Alguém me consegue explicar como é que algo fundamental e estruturante o deixa de ser apenas porque o País está endividado? Assumindo que Ferreira Leite não quer (intencionalmente) agravar a recessão, só há uma possibilidade: o argumento de Ferreira Leite sobre o TGV não tem nada a ver com o endividamento. A posição de Ferreira Leite tem de ser a seguinte: o TGV já não é estruturante nem fundamental — hoje, amanhá, sempre. Quanto muito, o TGV é um luxo a que nos permitiremos quando fomos ricos, isto é, o TGV já não tem qualquer relação com  a questão da competitividade da economia portuguesa.

 

13
Set09

O populismo de Manuela (versão anti-espanhola)

Eduardo Graça
13
Set09

Dúvidas existenciais...

GWOM

Será que do lado de lá ainda não perceberam que o endividamento externo nada tem que ver com o rácio dívida/PIB?

 

Será que do lado de lá ainda não perceberam que actualmente só é possível medir a carga fiscal com base em valores de 2007 e não 2008, pelo que os valores transpostos para o presente só podem estar falseados e desactualizados?

 

Será que do lado de lá ainda não perceberam que o fim do PEC vai provocar não só o aumento da fraude e da evasão fiscal, como também a proliferação de falsas empresas?

 

Será que do lado de lá ainda não perceberam que os portugueses não querem autoridade, mas sim tolerância e acção?

 

13
Set09

"Gaffes"

João Galamba

A líder do PSD estão tão segura da sua superioridade em relação a Sócrates que acha que pode dizer tudo, que ninguém lhe liga, que as palavras não têm importância. E hoje saiu-lhe algo mais ou menos assim: "veja lá se controla os seus camaradas que, juntamente com autarcas espanhóis, andam a fazer manifestações e petições para me pressionar sobre o TGV. Eu não gosto disso". Aparentemente, Ferreira Leite acha que isto é normal, que foi só uma frase, que não importa. Como está a críticar José Sócrates — uma vil criatura, um trafulha —, e como, afinal,  Ferreira Leite "É" Ferreira Leite, está tudo bem. Inexplicavelmente, tudo se vai desculpando a Ferreira Leite. Mas há limites. Tem de haver limites.

 

Dizem-nos que Ferreira Leite é um desastre comunicativo. Dizem-nos que, mais do que as declarações públicas, interessa a pessoa, o carácter, a seriedade de Ferreira Leite. Mas estas qualidades não podem ser pressupostas. Em algum momento do tempo, Ferreira Leite terá de ser confrontada com as suas palavras, com, digamos, a sua existência empírica — aquilo que vai dizendo e fazendo. E Ferreira Leite hoje disse uma coisa inadmissível em democracia. Asfixia democrática? Tenham pudor.