Por Ana Vidigal | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 11:17


Por Carlos Manuel Castro | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 03:27

Começa hoje a maratona de debates entre os líderes dos cinco principais partidos portugueses.

 

Entendesse a líder do PPD que devia ter dois ou três debates, temáticos, com o líder do PS (afinal um dois dois irá governar o País), e esta campanha seria mais esclarecedora para os portugueses (como há quatro anos houve dois debates entre os candidatos nesta eleição que gerlamente se subentende de candidato a Primeiro-Ministro). Afinal, o que mais importa é quem queremos que governe o País.

 

Um debate, a cinco, também tem o seu sentido. Como o formado deste ano está diferente, e por nítida falta de interesse em debater e esclarecer propostas por área a área com Sócrates, Ferreira Leite associa-se ao coro de quem muito protesta e pouco propõe. Como se uma eleição legislativa fosse um concurso de protesto, no qual, a existir, o PCP já tinha ganho vários títulos desde 1974, sendo agora acompanhado pelo BE.

 

No debate de logo, José Sócrates debaterá com um Paulo Portas, que estará mais interessado em mostrar à direita que é o único candidato com programa desta área política do propriamente em debater com o líder do PS.

 

Um dos temas mais aguardados, ainda que pouco considerados pela maioria, será, naturalmente, o da Agricultura.

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Por João Galamba | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 00:32

"Portugal só sairá da crise através das exportações — e as exportações não dependem de nós; dependem da Alemanha, da França,..."

 

Pedro Guerreiro, Director do Jornal de Negócios

 

Para uma pequena economia aberta como a nossa as exportações são fundamentais. Isto é, digamos, um truísmo com o qual todos os partidos, exceptuando talvez o PCP, concordam.  Posto isto, é óbvio que só exportamos se outros comprarem. Mas também me parece óbvio que só exportamos se formos capazes de produzir bens transacionáveis que interessem aos outros. Simplificando, este "interessar aos outros" pode ser entendido de dois modos distintos:

 

1) Se é certo que o crescimento "lá de fora" ajuda às exportações, é ainda mais certo que Portugal tem muito a ganhar se produzir melhor, isto é, o mix das exportações for diferente daquele que historicamente tem caracterizado a economia portuguesa.

 

2) Mais do que pensar no mix, importa  concentrar esforços nos custos. Esta ideia tem como pressuposto duas coisas: a) há-de haver uma retoma da procura "lá de fora"; b) a procura pelos nossos produtos será tanto mais elevada quanto mais baratos produzirmos

 

Em relação à estratégia dos dois principais partidos, o PSD aposta no choque fiscal e quer pôr-nos a competir em preço (com Chinas e Indias a jogar o mesmo jogo, não me parece que seja uma estratégia de sucesso, mas enfim).; ao invés, o PS aposta sobretudo na requalificação  — qualitativa — da economia portuguesa. Ou seja, PS e PSD têm interpretações radicalmente diferentes sobre o significado concreto do chavão "temos de aumentar a competitividade da economia portuguesa. O PSD acha que aumentar a competitividade do país passa, sobretudo, por uma redução (indiferenciada) dos custos das empresas, isto é, independentemente daquilo que é produzido, o importante é produzir barato. O PS acha que para produzir melhor é necessário produzir diferente. Eu, que sou um optimista, prefiro a estratégia do PS.


Por João Galamba | Quarta-feira, 02 Setembro , 2009, 00:11

"Eu sou primeiro ministro, eu não tenho o direito de me queixar da justiça. Tenho, isso sim, o dever de reafirmar a confiança na justiça" (José Sócrates)

 

"Eu não quero saber se há escutas ou não, eu não quero saber se há retaliações ou não, o que é grave é que as pessoas acham que há" (Ferreira Leite)

 

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Por Sofia Loureiro dos Santos | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 22:51

 

 

Da entrevista de Judite de Sousa ao Primeiro-ministro:

  • O Primeiro-ministro esteve bem, seguro e descontraído. O ataque a Manuela Ferreira Leite, usando o slogan da verdade foi certeiro e muito apropriado, ao lembrar o embuste de nomear como cabeça de lista pela Madeira Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional e confesso absentista ao Parlamento Nacional, depois da campanha cerrada contra as duplas candidaturas do PS para as europeias.
  • A asfixia democrática foi bem esgrimida, acusando Manuela Ferreira Leite de punir os seus colegas de partido por delito de opinião (exclusão de Passos Coelho das listas). Não gostei muito da repetida suspensão da democracia, frase obviamente retirada de contexto.
  • Explicou muito bem a falta de seriedade da comparação entre o país de há 4 anos e o país de hoje, para quem se esquece dos indicadores existentes na 1ª fase da legislatura, e para quem quer fazer crer que a maior crise mundial desde há muitos anos foi apenas um abalozito de terra. As energias renováveis voltaram à ribalta, talvez um pouco repetidas de mais.
  • Defendeu bem as reformas na educação. Foi cuidadoso com as políticas de combate ao desemprego, defendendo o investimento público. Esteve muito bem ao afirmar que a crise ainda não acabou, mas que já eram visíveis os resultados das acções anticrise do governo.
  • Respondeu muito bem às perguntas sobre o fim da cooperação estratégica com o Presidente da República, assim como sobre o caso Freeport. Não esclareceu quais as alianças poderá propor e ainda bem. O PS deve apresentar-se sozinho, com uma solução governativa própria.
  • Judite de Sousa, a certa altura, deixou de ter perguntas para fazer, o que deu a José Sócrates oportunidade de tempo de antena.
  • Podia ter acabado com um pouco de humor à pergunta gira de Judite de Sousa.

Resumindo: José Sócrates assume uma atitude confiante, de alguém que sabe que tem um enorme desafio pela frente, preparando-se para o vencer; Manuela Ferreira Leite comporta-se como se soubesse antecipadamente que não terá a confiança da maioria dos cidadãos.

 

Nota: Também aqui.

 


Por João Coisas | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 20:43

 


Por Hugo Mendes | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 15:49

A questão – levantada pelo João Galamba em comentário ao artigo do Rodrigo Adão da Fonseca no DEconómico - de se os Estados devem colocar constrangimentos ao desenvolvimento, incentivando uma dada trajectória económica e desincentivando outras é absolutamente central. Vale a pena acrecentar algumas coisas ao que o João já disse (e bem) sobre por que é que o que alguns chamam “dirigismo” é essencial do ponto de vista estratégico.

 

 


Por João Galamba | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 14:17

O Rodrigo Adão da Fonseca escreve hoje, no Diário Económico, um artigo importante para perceber a estratégia económica do PSD. E a estratégia é: o governo não deve ter qualquer estratégia de desenvolvimento. Simples e claro. Mas errado, tendo em conta a situação económica e os desequilibrios estruturais do país.

 

Escreve o Rodrigo: "O PSD defende um modelo económico que desonera as empresas, em especial, as PME, mas num plano de igualdade de oportunidades, com medidas transversais que aproveitam a todos". O meu problema com esta passagem é que ela é neutra entre soctores de actividade e entre opções estratégicas, isto é, torna-se irrelevante se apoiamos empresas que produzam bens de elevado valor acrescentado, sectores com elevado potencial exportador, industrias que apostem em baixos salários ou industrias que pretendam investir em capital humano e na qualificação dos seus trabalhadores. O que o Rodrigo diz — e o PSD também — é que, de um ponto de vista político, não interessa o que as empresas façam, desde que se comportem como empresas. Esta estratégia — cega, indiferenciada — não responde de forma minimamente satisfatória a um desafio fundamental: como contribuir para mudar o paradigma produtivo português, demasiado dependente de baixos salários e de produtos com baixo valor acrescentado que tem sido o principal responsável pelo nosso atraso económico?



Por João Paulo Pedrosa | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 12:40

 

 

Os modelos tradicionais de campanha eleitoral e o modo como funcionam os partidos políticos estão totalmente datados. Todavia, uma coisa é a emergência de novas formas de fazer política, outra coisa é a total incapacidade de lidar com as actuais.

Com efeito, MFL declarou hoje que não vai fazer comícios, vai fazer sessões de esclarecimento, como se nuns estivesse o pecado e noutras a virtude. Ora, justamente, todos sabemos que comícios, arruadas programadas, visitas institucionais, palestras temáticas e sessões de esclarecimento são tudo a mesma coisa, ou seja, iniciativas públicas preparadas e programadas para servirem de base à transmissão de determinadas mensagens políticas.

 

Portanto, em bom rigor, MFL não faz comícios porque o modelo da iniciativa lhe é adverso e a sua prestação seria um desastre comunicacional total. MFL não tem nenhuma das características políticas dos líderes partidários, não é boa oradora (expressa-se mal, nas palavras de Pacheco Pereira) e tem grande repulsa em contactar com as pessoas. O seu modelo de comunicação política é, pois, o da antiga Telescola.

 

É que, de facto, a exigência de um comício não é compaginável com uma sala programada de fiéis ouvintes, onde se lê um texto e se expressa uma determinada mensagem política com o fim exclusivo de servir os 5 mn do telejornal da noite. Paulo Portas e, em parte, Louçã têm sido eficazes nesse modelo e Ferreira Leite quer, agora, seguir-lhes o rasto.

 

Portanto, só o PS e o PCP arriscam (e vão continuar a arriscar) nesta forma de comunicação política, mais improvisada, mais solta, mais emotiva e também mais sujeita à análise dos órgãos de comunicação social e ao livre escrutínio do público, mas como não é previsível podermos contar com a mediação da comunicação social, num tempo em que todos os partidos e todas as mensagens têm o mesmo valor no espaço comunicacional, o modelo dos directos tem, em consequência, muito maior alcance e eficácia eleitoral. Quando uma estação de televisão dá a mesma importância e o mesmo espaço noticioso quer a uma visita de Paulo Portas a uma feira, quer à mobilização de 10 mil pessoas para um comício do PCP no Pavilhão do Atlântico, por exemplo, a política está mesmo reduzida à Telescola. Convém não facilitar…


Por João Galamba | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 12:35

Neste último post, entre outras coisas, critiquei a posição do PSD em relação à avaliação dos professores, acusando-o de ter comprometido toda e qualquer política reformista por razões de puro oportunismo eleitoral. O Joaquim Amado Lopes contesta o meu post citando uma passagem do programa eleitoral do PSD: "Afirmaremos a necessidade da existência de um processo de avaliação dos professores e da sua diferenciação segundo critérios de mérito.Suspenderemos, porém, o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro que, tendo em conta os estudos já efectuados por organizações internacionais, garanta que os avaliadores sejam reconhecidos pelas suas capacidades científicas e pedagógicas, com classificações diferenciadas tendo por critério o mérito, e dispensando burocracias e formalismos inúteis no processo de avaliação".

 

Esta passagem não cola com a posição — oportunista e irresponsável — do PSD face às manifestações dos professores. O problema do PSD é o de não ter percebido — ou melhor, ter fingido que não percebeu — que a posição dos professores nunca visou o(s) modelo(s) de avaliação proposto(s) pelo PS; o alvo foi — e será sempre — todo e qualquer modelo de avaliação que procure instituir princípios de meritocracia que avaliem e premeiem os melhores professores. O PSD pode colocar o que quiser no seu programa. A irresponsabilidade de se ter colocado ao lado dos professores valerá sempre mais do que mil palavras.


Por Eduardo Pitta | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 12:28

O João Miguel Tavares, insuspeito de simpatia pelo PS, comenta hoje no Diário de Notícias duas passagens do programa eleitoral do PSD:

 

«Há um ponto muito importante no programa eleitoral do PSD que a comunicação social não tem valorizado devidamente. Encontra-se na oitava página do auto-intitulado "Compromisso de Verdade", e garante que um futuro governo liderado por Manuela Ferreira Leite vai "consagrar a possibilidade de amortização do goodwill para efeitos de IRC, na aquisição de empresas em actividade, bem como do reporte de prejuízos mesmo que o capital da empresa seja transaccionado em mais de 50% (sem necessidade de requerimento ad hoc )." O que é que isto quer dizer? Eu não faço ideia. Mas que é sintomático, é. E explico porquê.

 

É que quando chegamos à parte das promessas sobre Justiça, encontramos esta frase singela: "Daremos real combate à corrupção a todos os níveis, e reforçaremos a repressão do enriquecimento injustificado no exercício de funções públicas." E nada mais é dito. Fazendo as contas, temos então um programa eleitoral que dedica 254 caracteres a amortizar o goodwill para efeitos de IRC (certamente o sonho de milhões de portugueses) e 143 caracteres a atacar a corrupção a todos os níveis, esse problemazito insignificante. Eu diria que há um certo défice de goodwill quando se trata de especificar medidas em matérias realmente incómodas e relevantes, e que são parte fundamental do cancro que mina a competitividade do País. [...]»

 


Por Eduardo Graça | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 11:23

O desemprego é sempre lastimável. Mas quando se assiste a uma travagem continuada da sua subida é bom sinal. Quer dizer que a actividade económica está em recuperação credibilizando a estimativa para o resultado do PIB do 2º trimestre (subida de 0,3%). O que nos dizem as notícias de hoje é que “A taxa de desemprego em Portugal está estável desde Abril, mês em que subiu para os 9,2%, valor no qual permanece, de acordo com os dados hoje divulgados pelo Eurostat. O desemprego em Portugal continua assim abaixo da média da Zona Euro.” No contexto actual esta é uma boa notícia para os portugueses. A oposição perdeu um cavalo de batalha importante em plena campanha eleitoral. Imaginem se a notícia apontasse no sentido da subida!

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Por Ana Vidigal | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 11:18

O "pequeno líder" do be afirmou que «sabe quem são os responsáveis pela crise e vai incomodá-los».


Por Pedro Adão e Silva | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 10:56

Se fosse possível desenhar um regime de segurança social desde o zero, a escolha recairia sobre um sistema misto. O problema é que tal não é possível: há um legado institucional que, ao mesmo tempo que impossibilita que se desenhe um sistema como se não existissem opções anteriores, torna os custos de transição de tal modo elevados que qualquer mudança no sistema é financeiramente incomportável. Desde logo, porque para começar a capitalizar diminuir-se-ia automaticamente a receita, logo o sistema ficaria impossibilitado de assegurar as prestações dos actuais beneficiários. Que o PSD se proponha mudar a natureza do nosso regime, ainda para mais numa altura em que o mercado de trabalho se encontra deprimido, e não dedique uma linha a explicar como o pretende fazer não é um contributo sério para uma política de verdade. Sinceramente, não vejo como seja possível diminuir a taxa social única em dois pontos percentuais, tornar o subsídio de desemprego mais generoso e, ao mesmo tempo, fazer evoluir a segurança social para um sistema misto. Pensando bem há uma forma: ferindo de morte a sustentabilidade financeira da segurança social.

continuar a ler aqui.


Por João Coisas | Terça-feira, 01 Setembro , 2009, 10:13


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