Guerra de Nervos
Está aberta a guerra de nervos!... Enquanto Cavaco Silva aproveita o previsível veto do Tribunal Constitucional ao Estatuto dos Açores para ultrapassar o caso BPN que envolve dois dos homens fortes do Governo que liderou e, apesar de Alberto João Jardim ter defendido a extinção deste mesmo Tribunal, assistimos a um facto evidente: o PSD tenta branquear as dificuldades em que, sucessivamente, os líderes sociais-democratas o têm vindo a colocar... hoje, foi a vez da Madeira demonstrar a sua utilidade para a campanha... a recepção aos reis de Espanha, tendo como anfitrião o homem que provoca diariamente a democracia foi uma das oportunidades que PSD e comunicação social não deixaram escapar para, em nome da informação, trazer em prime-time, um fait-divers maquilhado pelas declarações de Juan Carlos e Cavaco Silva a propósito dos injustificados atentados de Burgos e Maiorca... outro episódio, desta feita mais caricato, decorre do equívoco resultante de uma conversa privada em que se pretende indagar da disponibilidade de uma pessoa para integrar uma lista de deputados (coisa normal em tempo de preparação de listas eleitorais) e a sua interpretação como convite formal. De facto, entre o calculismo da circulação desta informação que adquiriu visibilidade no envolvimento do líder do BE e até já na evocação do próprio Mário Soares por parte de Joana Amaral Dias e, por outro lado, o desfecho a que este incidente conduziu, ficam ilacções sérias sobre a credibilidade dos intervenientes políticos e a eventual adequação dos seus perfis à seriedade com que seria desejável que fosse encarada a actividade política... é, seguramente, também por este tipo de comportamentos, provocatórios, equívocos e calculistas, a que, da direita à esquerda, se vai recorrendo, que a abstenção ganha adeptos e as práticas e valores políticos se vulgarizam, banalizam e perdem credibilidade. Urge por isso que o Partido Socialista se mantenha distanciado destas estratégias de bastidores... porque, apesar de todos os cenários catastrofistas que a comunicação social vai reforçando, não é evidente que os cidadãos prefiram uma governação à direita ou, sequer, uma governação minoritária. Resistir e recuperar, com a convicção de que tudo está em aberto, é um ponto de partida relativamente ao qual não pode ser ignorada ou minimizada a vantagem da obra feita e a demonstração de que a continuidade da acção política em exercício, devidamente corrigida, é a única forma de garantir uma governabilidade indispensável ao país... uma governabilidade sustentada por uma planificação económico-financeira viável, objectiva, não-demagógica e capaz de não agravar o fosso das desigualdades ou de agravar a pobreza. José Sócrates foi reconhecido pela sociedade portuguesa pela determinação (várias vezes apelidada como coragem), das suas medidas políticas... essa é, também, uma mais-valia para a credibilidade do seu programa político para as próximas eleições legislativas.

Já por várias vezes aludi ao facto de o actual Governo não ter andado bem quando decidiu reduzir as férias judiciais de dois meses para um mês. Férias judicias não são o mesmo que férias dos magistrados e oficiais de justiça. Nas férias judiciais, os prazos estão parados e as diligências não se realizam – ainda assim, apenas no concerne aos processos não urgentes. Sendo certo que, na versão anterior à redução, era também no período de férias judiciais que os magistrados e oficiais de justiça tiravam as respectivas férias (como é óbvio, os períodos não se equivaliam). 
