Por Rogério Costa Pereira | Segunda-feira, 31 Agosto , 2009, 11:07

"Não gosto dos meus pés."

 

Carolina Patrocínio continuando a condicionar a campanha da oposição

*

Uma entrevista dada ao programa Alta Definição, cuja banal lógica é a de revelar aspectos privados e anedóticos das celebridades, levou a Carolina para uma candura que se tornou alvo de aproveitamento político. Diga-se que seria impossível escapar, porque o tema dos caroços, da empregada e da batota é demasiado sumarento e lúdico para não ser usado nos ataques a Sócrates. Até no PS se deu espaço à distorção e aos preconceitos. Agora, surgiu a notícia de que teria sido aconselhada a não dar entrevistas. Tendo em conta que é o Público a servir a informação, tem menos credibilidade do que a minha vizinha do 4º andar. Mas pode muito bem ser verdade, o seu silêncio vai nesse sentido. Se for, a pessoa que lhe deu o conselho tem de tirar férias em Setembro e só voltar em Outubro. Porque este é o melhor momento possível para a Carolina falar.

Repara, conselheiro de Carolinas, a oposição fez da vedeta televisiva uma celebridade política. Ao começarem a gozar com ela por causa de um aspecto caricatural, fútil e que é um monumento ao discurso inane da oposição, chamaram a atenção para uma figura que passa geralmente despercebida nas campanhas: os mandatários da juventude. Neste momento, continua toda a gente a não saber quem são os mandatários da juventude dos outros partidos à excepção da mandatária da juventude socialista. Isto quer dizer que a oposição ofereceu ao PS um novo trunfo. Tudo o que a Carolina faça ou diga passa a ser notícia destacada. Exemplo: Caroços e caroços. Cá está, um opositor político divulga, repete ou amplifica uma mensagem que favorece o Governo: fim da recessão técnica. O caçador foi caçado.

A Carolina deve é continuar a fazer declarações com a honestidade, transparência e desfaçatez de que já deu provas ao falar a respeito da sua privacidade. Deve contar a história do seu envolvimento na campanha, deve ilustrar e enriquecer o seu exemplo de cidadania, coragem e generosidade. Ela, fruto de um acaso que por acaso sabe a fruta, simboliza a ousadia visceralmente alérgica às hipocrisias convencionais ― um traço definidor do que é a juventude em todos os tempos e geografias, o filão está aí para ser explorado. Sim, pertence à classe média alta, ou classe alta (sei lá), tem empregada ou empregados (sei lá), e não gosta de certos alimentos a não ser que sejam preparados de uma certa forma (é disto que se fala). Ou seja, é uma pessoa absolutamente comum, porreira e que fala de si com juvenil confiança e descontracção. E isso de dizer que é tão competitiva que odeia perder, ao ponto de preferir fazer batota? Bom, não se imagina declaração que provoque maior e mais rápido sentimento de confiança, pois só quem é leal é capaz de tamanha frontalidade (e nem vou perder uma grainha a esclarecer o elemento metafórico da expressão). Antecipa-se que a sua presença será agradável, no ecrã ou ao vivo, é genuína. Já os oportunistas, moralistas, preconceituosos, machistas, misóginos e misantropos que se serviram de uma miúda para atacar um homem, podem ir todos para militantes do PSD, PCP, BE e CDS. Há lá muito trabalhinho à vossa espera.

Valupi

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Sérgio Pinto a 31 de Agosto de 2009 às 18:43
Francamente, que arrazoado sem sentido. Então agora, o facto de alguém se exibir de forma transparente como uma pessoa fútil e vazia de ideias faz de si um exemplo de coisa alguma?
Quando o Bush tinha uma saída do género "Do you have blacks, too?" (pergunta feita ao ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso), também lhe elogiavam a simplicidade e ingenuidade. Sim, eu sei que são cargos diferentes, mas a imagem que sai é semelhante.

Porventura alguém acha que é a mesma coisa ter a Joana Amaral Dias como mandatária para a juventude, como aconteceu com Soares nas Presidenciais, ou ter a Patrocínio?

Valupi a 1 de Setembro de 2009 às 01:58
Fútil e vazia de ideias porquê? Quem és tu? Quais são as tuas ideias?

Sérgio Pinto a 1 de Setembro de 2009 às 09:49
Oh Valupi, por quem sois, venham de lá esses brilhantes pensamentos e a visão cristalina da Sra. Patrocínio. Eu não ouvi nenhum (além da tal felicidade pelo fim da recessão), mas aguardo que me ilumines acerca de tal assunto.

Eu não sou mandatário de nenhum partido (for what it's worth, também não tenho empregada).

Valupi a 1 de Setembro de 2009 às 11:54
Deves estar enganado no planeta. A Carolina está em campanha para fazer campanha, não para provar que é mais culta ou inteligente do que tu - embora, pela amostra, não deva ser difícil. Ainda não disseste nada que se aproveite, e apenas fazes coro com aqueles que a atacam por ter uma vida. Ora, foda-se.

Se precisas de atenção, compra um cão.

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