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SIMplex

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24
Jul09

O CHEQUE-EM-BRANCO

Eduardo Pitta

Por altura das legislativas de 2002, o Diário de Notícias perguntou a várias personalidades o que achavam do facto de nenhum partido se apresentar a eleições com uma proposta de governo: fulano nas Finanças, beltrano na Justiça, sicrano na Educação, etc. Não me recordo dos termos da minha resposta, e não tenho agora tempo para ir procurar. Mas fui inequívoco na discordância do cheque-em-branco. Por exemplo, parece-me decisivo, no momento de votar, saber quem vai mandar nas polícias! Algum partido diz quem propõe para ministro da Administração Interna? E assim sucessivamente, com a Segurança Social, Economia, Saúde, Obras Públicas, Negócios Estrangeiros, Ambiente, Cultura, etc.

 

O Partido Socialista teria toda a vantagem em dar esse passo em frente. O primeiro comício da campanha eleitoral seria o momento ideal. É preciso mudar a «cultura» política da «negociação» pós-eleitoral.

 

Quanto ao PSD, líder da oposição, então nem se fala! Como é que um partido se propõe governar sem previamente divulgar a composição de um governo-sombra (como se faz nos países civilizados), que diga o que pretende fazer em caso de vitória, e que fará diferente, porque A+B+C são indiscutíveis? As vaidades ficam beliscadas em caso de insucesso? Pois ficam. Mas um político não é um gestor de compromissos.