Por Leonel Moura | Domingo, 30 Agosto , 2009, 18:42

Tive a paciência de ouvir o discurso de Francisco Louçã na rentrée do Bloco. A grande maioria do tempo foi ocupado com historietas a casa de banho de Loureiro, os contentores de Alcântara, os milhões desbaratados do BPN, a venda da casa de Damásio, as parvoíces da Nogueira Pinto, enfim. É este o homem que vai reconstruir a esquerda em Portugal? Um entertainer? Um cómico político?

De ideias ficou o ódio aos ricos e a defesa dos pobres. É pouco. Infelizmente Portugal tem muita miséria, mas felizmente é muito mais do que isso. O país real não é só pobreza, é sobretudo, na sua maioria, uma sociedade avançada que quer mais, melhor e evoluir positivamente.

Na minha modesta opinião o Bloco só é efectivamente concorrencial com as Misericórdias. Até no linguajar de seminarista de Louçã.

tags: ,

Jose Nu nes a 30 de Agosto de 2009 às 18:55
É realmente um perfeito actor de feira.Com outro estilo,claro,mas no fundo não é melhor que o Paulo Portas.Ambos são grandes defensores dos pobrezinhos e se os deixassem viviam em barracas.

Diogo a 30 de Agosto de 2009 às 19:35
Caro Leonel Moura,

Fala você em comicidade?

Público - 4 de Fevereiro de 2005:

A 12 de Fevereiro de 2005 António José Seguro lembrou as responsabilidades de Sócrates na realização do Euro-2004: "Hoje, como no Euro-2004, houve um homem que lançou a semente, a semente de uma força que ninguém pode parar. Esse homem chama-se José Sócrates, futuro primeiro-ministro de Portugal", acentuou.


Contudo, depois de terminado o campeonato Europeu, a 21/05/2004, o Correio da Manhã avaliava o impacto do Euro 2004:

E o dinheiro investido neste espectáculo de grande escala também não teve grande retorno. Quase seis meses depois do Euro 2004, alguns estádios onde foram investidos milhões de euros para receber a prova estão «às moscas». Dos recintos do Euro2004, só os dos «três grandes» tiveram sucesso comercial.

Numa auditoria desenvolvida pelo Tribunal de Contas junto dos estádios de Guimarães, Braga, Leiria, Coimbra, Aveiro, Loulé e Faro, ficou claro que todos custaram mais do que o orçamentado, e que as autarquias se endividaram para os próximos 20 anos. As sete autarquias que receberam jogos do Euro 2004 contraíram empréstimos bancários no valor global de 290 milhões de euros para financiar obras relacionadas com o campeonato. Na sequência destes empréstimos, as câmaras terão que pagar juros no montante de 69,1 milhões de euros, nos próximos 20 anos, refere o relatório de auditoria do Tribunal de Contas.


É Sócrates o homem?

Abraço

assis a 30 de Agosto de 2009 às 21:34
e é o sócrates o culpado das autarquias se endividarem além do razoével para construirem os estádios? ora essa! cada um sabe de si. nessa altura, as autarquias de viseu e da figueira ficaram indignadas por não terem sido escolhidas, lembra-se?

Zé dos Montes a 30 de Agosto de 2009 às 19:41
“…o ódio aos ricos e a defesa dos pobres…” . Foi bem escolhido, a continuarem as politicas seguidas nos últimos anos, teremos os mais ricos cada vez mais ricos (aumenta-lhe o ódio), e os outros cada vez mais pobres (alarga a sua base de apoio)! Mas que ideia tem esta esquerda chic do bloco dos pobres de Portugal?
O programa do Bloco é simples, continuar o máximo de tempo na oposição para dizer mal de tudo e de todos, sem fazer qualquer proposta, e esperar pelo desgaste do PS e PCP.
Quando alguém pergunta ao Louçã qual o modelo de sociedade que defende para implementar em Portugal?
Agora, “…os contentores de Alcântara, os milhões desbaratados do BPN…” são tudo menos historietas. No BPN já temos arguidos e esperemos que culpados, mas quem vai pagar a factura somos todos nós e não vai ser brincadeira. Nos contentores, mesmo depois o relatório do TC (https://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2009/audit-dgtc-rel026-2009-2s.pdf) onde estão os arguidos?

Isaura a 30 de Agosto de 2009 às 21:00
Boa análise

aires bustorff a 30 de Agosto de 2009 às 20:52
Gostei dessa do entretainer...
aplica-se completamente...
abraço

BO a 30 de Agosto de 2009 às 21:35
Algo completamente diferente.

Os casais portugueses poderão finalmente ter mais bebés porque vão ser construídas mais creches para "guardar" as crianças.

Obrigado, Sr. Engenheiro. Por guardar os meus filhos.


JB a 30 de Agosto de 2009 às 21:43
Diogo, tome lá mais esta:
“AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA”

No Sol de 28Ago09: Salários aumentados em 14% por Sebastião, Manuel Sebastião, Excelentíssima Alta Autoridade da Concorrência.

De 2008 para 2009: ninguém com menos de 1.000 euros de slários*
Director: de 7.919,53 para 9.545,01 (21%)
Economistas e juristas: de 2 a 3 mil euros, para 3 a 4 mil euros (entre 1% e 69%)
Técnica de secretariado: de 1.593,12 para 3.203,87 (48%)
Técnico profissional de 2ª classe: de 947,90 para 2.281,37 (141%)
Dois motoristas: 1.041,39 para 1.803,65 (73%); 924,98 para 1.955,52 (111%)
Auxiliar administrativo: de 713,93 para 1.296,13 (82%)

* Se for este o modelo económico-financeiro do menino de oiro para o Portugal do futuro, nada como esperar mais um pouco. Dar-lhe mais um mandato.
A bem do Socialismo Moderno.
Depois, queixem-se que andam muitos a votar PC ou BE.
Ou mesmo na velha senhora.
JB


Daniel João Santos a 30 de Agosto de 2009 às 21:44
Se sente tanto incomodo em ouvir Louçã, porque o ouve?

António Dias a 30 de Agosto de 2009 às 22:45
Leonel,

Não resisti a avançar com alguns comentários, agrupáveis em dois conjuntos, a este seu “post”.

O primeiro conjunto prende-se com as “historietas do Louçã”. Muito deficiente será uma democracia onde ninguém se indigne com o que de mal (ou, pelo menos, de menos bom) por lá se passe, e onde não exista ninguém que dê voz a essa mesma indignação. Se isso acontecer provavelmente já não é uma democracia, ou então, apenas o será do ponto de vista formal.

Estas “historietas” deverão ser aproveitadas por todos nós, em minha opinião, para retirarmos lições das mesmas e para determinarmos as medidas e acções que poderão conduzir a uma melhoria do funcionamento do nosso sistema democrático.

Pena tenho eu de que não existam (mais) vozes deste tipo, quer no PS, quer no PSD.

Se não o fizermos este balanço e se não retirarmos do mesmo as devidas consequências, não nos deveremos depois admirar que o BE acabe por ter um crescimento significativo, senão mesmo exponencial.

O segundo prende-se, por seu lado, com a sua afirmação de que “O país real não é só pobreza, é sobretudo, na sua maioria, uma sociedade avançada que quer mais, melhor e evoluir positivamente.”.

A este propósito gostaria de lhe recordar que o rendimento médio líquido mensal dos quase quatro milhões de portugueses que obtêm o seu vencimento através de trabalho dependente, se situa em cerca de 720.00€ por mês.

Já se imaginou a viver com um rendimento assim? Já se imaginou com mulher e um ou dois filhos, dispondo apenas de 1,440.00€ por mês para pagar a renda ou a prestação da casa, a prestação do carro, a água, a electricidade, o telefone, o telemóvel, a comida, a roupa, os livros escolares … e tudo o mais?

Note que estamos a falar apenas naqueles que obtêm um vencimento, sendo por isso excluídos os reformados e os pensionistas!

O país pode não ser só pobreza, pode até ser uma sociedade avançada que quer mais e melhor, mas olhe que há muita, muita pobreza por aí encapotada e, o que é mais grave, pobreza que se tem vindo a generalizar (tendência que foi atenuada, reconheça-se, pelas políticas sociais do actual governo).

O que explica o aumento das disparidades na distribuição a riqueza registado ao longos últimos anos? É uma consequência directa da abertura e da mundialização das economias? Os aumentos destas disparidades ocorridos noutras economias sujeitas às mesmas pressões (como a Irlanda, a Grécia e os novos Estados Membros da União Europeia do leste europeu), foram mais ou menos intensos do que os registados em Portugal? O que podemos fazer para contrariar este fenómeno?

Uma vez mais, se não fizermos (também neste domínio) um balanço sério e honesto, e se do mesmo não retirarmos as devidas consequências, o resultado será um crescimento significativo do BE e o aumento, também significativo, do seu peso eleitoral.


Elias a 30 de Agosto de 2009 às 23:12
Deu-lhe para se agarrar ás "historietas". Veja bem Leonel questões de bandidagem, corrupção, ladroagem... ... e você vem com essa das historietas como que tentando diminuir a importância e o impacto dos factos.
Tenha paciência Leonel mas seja lá quem for que comente e denuncie os crimes e os criminosos, venha de onde vier (da esquerda à direita) devia ser sempre bem vindo e recebido de braços abertos pelos portugueses.
Eu bem sei que há portugueses para tudo até para votar no Major Valentim, no Isaltino e ou na Fátima Felgueiras... ... quererá você assumir-se um desses portugueses?!
Saudações

portela menos 1 a 30 de Agosto de 2009 às 23:36
por cada insulto a Louça o PS perde 100 votos; só o pessoal do Simplex parece não ter ainda percebido isso.

Protocolos
comentários recentes
Ainda bem que procurei por ti na internet em geral...
A discussão sobre pagar a saúde de acordo com os r...
Espero que o José Sócrates faça um bom trabalho..
Boa tarde, gostava da vossa opinião.hoje dirigi-me...
EsclarecimentoA notícia é apenas sobre uma propost...
Venho por este meio relatar-vos uma situação que c...
Sou nova nestas andanças, da net (não em anos-57) ...
Obrigada pelos textos que nos deram a ler, a refle...
Estou de acordo com a ideia lançado por vocês impo...
Simplex , simplesmente. convido-os a visitarem o m...
já agora gostaria que observem uma iniciativa empr...
Estava a gostar deste blog...
Uma escrita muito pobre, na generalidade dos casos...
Estou numa dúvida: a oposição não foi eleita para ...
Posts mais comentados
88 comentários
50 comentários
44 comentários
43 comentários
38 comentários
36 comentários
27 comentários
25 comentários
arquivos
pesquisar neste blog
 

As imagens criadas pelo autor João Coisas apenas poderão ser utilizadas em blogues sem objectivo comercial, e desde que citada a respectiva origem.