Por Sofia Loureiro dos Santos | Sexta-feira, 28 Agosto , 2009, 21:39


A área da saúde é paradigmática das diferenças entre a esquerda e a direita, embora muitos dos actores políticos se esforcem por esfumar essas diferenças, principalmente entre o PS e o PSD.

 

Os programas de ambos os partidos demonstram que têm visões diferentes do que deve ser um serviço nacional de saúde (SNS).

 

O PS propõe a continuação da reforma do SNS, iniciada nesta legislatura, com especial enfoque nos ganhos de qualidade e eficiência e na redução do desperdício para uma efectiva sustentabilidade do sistema.

  • Continuar a reforma dos cuidados de saúde primários com a generalização por todo o país das USF, a criação de unidades de cuidados domiciliários integrados para idosos e outros serviços de base comunitária e estruturação de unidades de saúde pública que articulem a promoção da saúde com os cuidados personalizados
  • Promover a saúde e os estilos de vida saudável, com programas integrados que envolvam a escola e as autarquias, o desenvolvimento do desporto escolar e a implementação de informação e aconselhamento sexual
  • Melhorar o controlo da doença oncológica e reduzir a mortalidade associada ao cancro com a implementação de rastreios populacionais ao cancro do colo do útero, da mama, da próstata e colo-rectal; alargar a oferta de radioterapia e aprovar a rede de referenciação em Oncologia
  • Reformular a gestão hospitalar implementando um sistema de avaliação da mesma e evoluir para os Centros de Responsabilidade Integrada; investir na cirurgia de ambulatório; criar centros de excelência na rede hospitalar; rever as redes de referência para diversas patologias
  • Investir na qualidade e certificação dos serviços de saúde, na responsabilização e motivação dos profissionais; investir nas tecnologias da saúde, nos modelos de prescrição electrónica
  • Alargar a oferta de farmácias melhorando o acesso ao medicamento, continuar a promover a prescrição de genéricos
  • Alterar a filosofia dos subsistemas públicos de saúde com evolução para a auto-suficiência; rever os benefícios fiscais em matéria de despesas de saúde.

Para quem considera, como eu, que a saúde é um direito de todos e que não deve depender da cor da pele, da ideologia política ou do meio económico e social a que se pertence, para quem considera, como eu, que o Estado deve ser o garante deste direito, tem no programa do PS este compromisso:


O modelo de acesso universal a todos os serviços de saúde é o que melhor garante o direito à saúde e a sustentabilidade do desenvolvimento económico e social do nosso país.
 

Nota: também aqui.

 


Zé dos Montes a 28 de Agosto de 2009 às 23:30
Há uma coisa que não está a passar de forma clara. A comparação não é apenas entre o programa de governo ou desgoverno do PS e PSD. O PS vai ser analisado também pelo que realizou ou não durante estes 4 anos de governo, bem como o PSD pelo trabalho desenvolvido na oposição.
Tenho lido muita preocupação relativamente ao programa da saúde do PSD. O que diz o PS, várias páginas de lugares comuns, vazias de conteúdo. Mas e a sua actuação no governo? Passando à frente do encerramento de serviços de urgência sem a criação de verdadeiras alternativas, do encerramento de maternidades com estabelecimento de protocolos com Espanha (com que custo?) para o nascimento de portugueses em hospitais espanhóis (isto aumenta o nosso prestigio internacional, que foi a justificação dada para a realização dos gastos do euro 2004, para o envio de soldados para a guerra dos outros no Kosovo e Afeganistão), criação de taxas moderadoras nas cirurgias e internamentos (será o duplo pagamento da saúde que acusam o PSD de querer criar para a classe média, ou o que restar dela após 4 anos de governo socialista)...
Vamos analisar a actuação do PS na crise da Gripe A. As vacinas para Portugal só deverão estar disponíveis, na melhor das hipóteses, em Janeiro de 2010. Porquê? Porque o governo do PS não fez a sua encomenda em tempo útil, e portanto iremos receber as vacinas numa altura em que a epidemia estará instalada, mas o custo para o país será o mesmo se elas tivessem sido encomendadas a tempo e horas e entregues na mesma altura que aos nossos parceiros da União Europeia!
Se bem se lembram até há pouco tempo todos os casos de gripe A tinham sido importados (de contágio por viagens a Espanha, Inglaterra e México, principalmente). Dizem-nos agora que o contágio está a ser feito entre as pessoas residentes em Portugal. Mas isto não é completamente verdade, o aumento da incidência de casos de gripe A teve o seu epicentro no Algarve (espalhando-se para o resto do país à medida que as pessoas regressavam de férias dessa zona) e teve origem nos estrangeiros (principalmente originários da Inglaterra) contaminados com o vírus da gripe A. Este risco era conhecido do governo (nomeadamente do ministério da saúde, que tinha estudos que apontavam para este risco), mas perante o risco de aumento do número de casos de gripe A ou diminuição dos fluxos de turismo no país (e especial no Algarve) optou-se por descurar a protecção da saúde da população (será que faz parte da politica de estado social que o PS defende?) e ceder às pressões da indústria do turismo (como diz a esquerda, pouco moderna, cederam ao grande capital, mais uma vez). Foi uma opção pela qual devem assumir a responsabilidade. Neste momento existe um cenário de pandemia de gripe A no Algarve, que se está espalhando pelo resto do país e que se irá agravar com o inicio do ano escolar.
Prevê-se uma maior afluência de doentes aos serviços de urgência (centros de saúde e hospitais) e de internamentos. Foram reforçadas as capacidades financeiras dos hospitais e centros de saúde para fazer face aos gastos que deveram ser superiores relativamente aos orçamentos que tinham sido elaborados sem ter em conta a gripe A? Foram reforçadas as capacidades de internamento dos hospitais? Estão realizados protocolos com outras entidades (particulares, ministério da defesa) para aumentar a capacidade de internamento? Caso não seja nada feito, em Novembro estará esgotada a capacidade de internamento dos hospitais públicos. Sabe-se que muitos dos doentes internados vão necessitar de suporte ventilatório, quantos hospitais viram aumentadas o número de camas com capacidade de ventilação?
Durante semanas a comunicação social falou da incapacidade da linha de saúde 24 para lidar com o aumento do fluxo de chamadas. O que tem sido feito? Um anúncio que passa agora a aconselhar as pessoas a ficar em casa se estiverem doente (correcto) indicando um número telefónico para ligar, mas não dizendo que se trata da saúde 24h? Se neste momento só 1/3 de chamadas estão a ser atendidas, o que acontecerá apartir de Outubro?
É este o programa de saúde do governo PS?

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